Montanha vs. Serviço de celular

Você está prestes a sair em uma viagem ao ar livre por três dias ou mais: um acampamento, uma prova de aventura, uma corrida de 100 quilômetros ou mais, isolado do mundo e do espaço. Você juntou todas as suas coisas e tem certeza de que tem tudo o que precisa. Se não, você terá que viver sem isso. Você programou seu e-mail do escritório, trancou a porta de sua casa e fez uma última parada para comprar um pouco de comida extra. Você está pronto. Será?

Você verifica seu telefone sabendo que irá perder o serviço de celular. Só para ver se há alguma última coisa importante. Apenas no caso de não poder esperar mais 72 horas. Em seguida, você verifica alguns aplicativos de mídia social para ver o que está acontecendo antes de entrar na escuridão dos dados. Quer dizer, vai ser bom ficar longe do seu telefone, e-mail, mensagens de texto, a notícia de que o mundo está se tornando um lugar terrível, as opiniões das pessoas, que não tem sido boas, notificação que seus amigos ou familiares estão mandando sobre algo que poderia ser muito importante, mas definitivamente não é. Vai ser bom voltar para a natureza e ficar longe de tudo isso por alguns dias. Mas talvez você deva verificar tudo (mais uma vez), só para ser neurótico.

Em algum momento, você perde o serviço de celular e coloca seu telefone no modo avião, e ele se transforma em nada além de uma câmera, (ou tocador de música). Você se sente estranho por algumas horas, sentindo que falta algo, mas sabe que terá que aprender a conviver com isso.

E depois de um dia, caminhando, correndo ou boiando em um rio, você para de pensar no seu telefone. Você aprende que o que está na sua frente é muito melhor. Você não se importa com as dezenas de fotos e centenas de palavras que você normalmente mal processa. O mundo pode descobrir porque você não está disponível. Incluindo seu chefe. Especialmente seu chefe. Impossível resolver um problema de engenharia no meio de civilizações remotas, admita. Lembro-me até hoje de um antigo chefe me telefonando no dia 31/12, enquanto eu tinha recém chego à Machu Picchu, após 4 dias a esmo, sem nem sequer ter tomado um banho durante a trilha, querendo que eu resolvesse um problema de obra…sem noção.

Você pode se indagar sobre a necessidade de todos esses aplicativos de mídia social. Dane-se, talvez você possa apenas viver aqui, no meio do nada! Você vai mudar sua vida. Talvez você escreva um livro sobre sua experiência, ou se torne um fotógrafo de vida selvagem. Seria maravilhoso, ou não. E simplesmente olha para as montanhas e reflete sobre o fato de que as mídias sociais não precisam te privar de viver em sociedade, é apenas saber sair da tela com mais frequência, e viver a vida na medida correta, dosando dados com convivência social e curtindo seu fim de semana na trilha com os amigos. Devemos aprender a viver mais em equilíbrio, sabendo dar importância aos valores que valem, desintoxicar do vício e da dependência da vida alheia. Viva mais.

Baseado no semi-rad e na vida real.

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Review Meias Sigvaris UP

Quando a Sigvaris entrou em contato comigo provavelmente não imaginava que eu teria uma predisposição genética bem alta a problemas vasculares. Onde atualmente minha mãe vem tratando uma úlcera venosa e meu pai possui um histórico alto de varizes e operações para retirada de safenas. Parece até apelativo, mas definitivamente minha predisposição genética é bem alta. Seguidamente eu vinha sentido muita coceira nos pés, assim como eles inchados sempre após minhas competições.

A Sigvaris vem, não apenas para evitar varizes, e não por questão estética para prevenir estas. As meias trabalham massageando os músculos e os vasos sanguíneos das pernas e facilitando o retorno do sangue, carregando o sangue de volta para o coração e pulmões. Durante cada passo, os músculos comprimem as veias localizadas na panturrilha, permitindo assim que o sangue venoso volte para o coração. Basicamente, sua panturilha é chamada de “segundo coração” – repleto de veias e músculos que supostamente empurram o sangue desoxigenado de volta. O sangue transita das pernas para o coração se sobrepondo à gravidade. A ação da bomba é principalmente feita pela movimentação dos pés e tornozelos. Durante cada passo, os músculos comprimem as veias localizadas na panturrilha, permitindo assim que o sangue venoso volte.

As meias de compressão funcionam portanto para empurrá-lo de volta para onde o sangue precisa estar. Contudo, existem dois tipos de compressão. Uma delas é a compressão regular, que é igualmente comprimida até o fundo – basicamente como um tubo. Isso pode ser perigoso porque o sangue pode ficar preso abaixo de onde ele precisa ir. Quando você usa a compressão graduada (SIGVARIS é uma das poucas marcas que oferece isso), ela é 100% comprimida no tornozelo e diminui à medida que se move para cima. Fazendo com que o movimento do sangue seja direcional para onde deva ser.

Estive testando ambas meias SIGVARIS para esportes. Qual a diferença delas? UP17 e UP25 possuem diferença na compressão, sendo a UP17 (de 15-20mmHg) recomendada para recuperação muscular auxiliando na redução do ácido lático e esportes de baixa intensidade, e a UP25 (20mm-30mmHg) para esportes de média e alta intensidade. A composição das meias atléticas são em 64% de poliamida, 17% poliéster e 19% de elastano, livres de látex.

Meias de recuperação Ultrapressure UP17 é um mercado ligeiramente diferente e não tão popular. Sigvaris projeta estas meias especificamente para melhorar e acelerar o tempo de recuperação, ajudando a eliminar o acúmulo de ácido láctico nos músculos das pernas, bem como aliviar a dor muscular induzida pelo exercício, além de estimular a circulação e o fornecimento de oxigênio para os músculos .

Já as meias Ultrapressure UP25, foram desenvolvidas para atuarem como um músculo extra, comprimindo suavemente as paredes das veias e melhorando a circulação. A UP25 diminui a vibração muscular através da contenção e alinhamento das fibras musculares além de melhorar a propriocepção.

São realmente confortáveis, e eu tenho usado sempre à noite a UP17 de recuperação. Descobri que minhas panturrilhas melhoram rapidamente. Já as meias de treinamento, testei em esportes de corrida de montanha e ciclismo. Em ambas tive um resultado positivo, e senti um conforto invés de uma sensação de claustrofobia que outras meias já haviam me direcionado. Eu tinha uma certa resistência, mas percebi que apenas não tinha encontrado a meia certa.

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As meias Sigvaris são feitas sob medidas, e existem tamanhos específicos conforme circunferência da panturrilha.

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Caso você possua problemas, não deixe de consultar um médico vascular, meias não são tratamento ou solução de problemas já existentes, e sim prevenção.

A SIGVARIS possui uma politica de garantia e comprovação.

Insanity Mountain – SkyRunning

Quando recebi o convite para realizar o Insanity Mountain eu não havia me dado por conta que seria uma semana depois da Patagonia Run, mesmo assim resolvi tentar testar como meu corpo estaria pós prova. Porém, durante os meses de fevereiro e março tive problemas de saúde na família, o que me impossibilitou de treinar como eu queria. No fim, não sabia nem se eu iria realizar a Patagonia Run. Então fui conversar e desabafar com o amigo Emílio, diretor técnico da prova, quem honroso me convidou, e ele me disse: venha conhecer e se divertir, sem compromisso. Aquilo foi suficiente para eu respirar fundo e pensar que seria uma ótima oportunidade para eu me divertir. O que eu não sabia é que a prova não seriam flores perfumadas, mais fácil definir como uma roseira cheia de espinhos.

Insanity é uma prova cruel, definitivamente. 33K com 3.000m positivos, média de 9%, classe 9 de montanha. Desconheço outra assim no Brasil. A prova iniciou às 5h30 da manhã, e já na largada havia um clima muito bom de amizades e descontração. Ao largar, o sol começou a nascer, e se via raios laranjas com uma super lua cheia iluminada. Iniciamos pela trilha da Preguiça, subindo em 3km, 400 metros. Descemos novamente para subirmos então a Trilha Norte, com 3,5km e 700 metros. O pico estava no quilômetro 9, e você já chegava escangalhado lá em cima, seu acesso era com cordas e alguns grampos, eu estava sem luva e resolvi me agarrar em uma corda de aço que rasgou toda minha mão. Fora as pernas que sangravam por eu me rastejar pelas lajes de pedras, sobrou uma Raïssa destruída.

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Do topo, voltamos para a trilha do Ombro para descermos em direção a segunda ascensão, Pico 3 Marias. No congresso técnico nos orientaram sobre existência de muitos mosquitos e marimbondos pela trilha, na descida eu imaginava os marimbondos muito ouriçados pela passagem das pessoas, pois escutava um barulho muito forte, e tomando todo cuidado possível, percebi que o que eu imaginava ser os marimbondos, era apenas um drone!

O corte nas 3 Marias seria com 4 horas de prova, quilômetro 14, e eu olhando meu relógio, tempo apertado, comecei a me preocupar com o horário, percebi que notavelmente ou seria cortada, ou seria a última a passar por ele. Dito e feito. Quando cheguei ao cume eram cravadas 4 horas. Mas, então me falaram que o corte seria no retorno, então suspirei e disse, O.K. estou cortada, mesmo sendo o 14 no pico. Os staffs disseram que era para continuar. Carimbaram meu número disseram para eu retornar que em 3 minutos estaria lá, quase não deu tempo de admirar aquela beleza!

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Voltei às pressas e às 4h03 o Emilio disse que eu passaria, mas que o corte dos 21km seria extremamente pontual, e que provável eu não chegaria lá a tempo. Eu sorri e falei, vim me divertir e te disse que eu seria a Exu fecha trilha.

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Em caminho ao Monitumba, continuavam as trilhas sempre muito técnicas, como todas da prova, fechadas, com muita vegetação, rochas, pedras soltas, cobertor de folhas, muitos mosquitos, formigas maiores que eu.

O que mais gostei foi que naquele calor absurdo, não parávamos de passar por córregos e cachoeiras, realmente prazeroso. Outro fator da prova era a autossuficiência, então não haviam PCs. A água era coletada deste córregos, e a comida eram portadas pelo corredor, bem como kit obrigatório, incluindo kit primeiros socorros.

Passando Monimtuba, iniciou a última rampa antes do próximo corte, dos 21km. Estava muito próximo ao horário, e o que vinha pela frente eram 2km em uma inclinação de 25%, quase 500m, em uma trilha bem técnica! Eu levei 37 minutos só para essa subida, então meu tempo estourou. Cheguei no topo com as 5h30 limite e ainda tinham os 2km de descida até o gazebo.

Ali comigo haviam mais dois corredores, uma menina e um carioca que já havia feito no ano anterior, descemos tranquilamente conversando sobre a dificuldade da prova. Uma prova com um nível técnico alto, que exige um ótimo preparo físico, chegar quebrada como cheguei ou despreparada é sinônimo de corte. Confesso que eu estava bem satisfeita, nas condições que eu me encontrava, pois imaginei que abandonaria no km14 mesmo. Avistando o gazebo no pasto o staff grita “você foi cortado” abrindo uma Heineken gelada. Melhor corte da terra.  Resumo da Insanity. Amizades, diversão, visual mais lindo que já vi, cerveja boa, trilhas desafiadoras, desafio pessoal, muita risada e a vontade de retornar!

10ª Patagonia Run – Relato 110km

Nos dias 12 e 13 de abril de 2019, foi realizada a 10ª edição da prova Patagonia Run, atingindo a meta de 4.000 corredores! Um grande feito para o Trail Sul Americano. A prova das 100 milhas participou do campeonato mundial do World Tour, e eu estive presente correndo os 110km.

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Posso dizer que foi uma das melhores provas que já participei. Muito bem organizada. Tanto os kits como as camisetas, perfeito. Como chegamos cedo, nossa acreditação foi rápida, conferimos o chip, coletamos a camiseta e fizemos a foto “regalo”. San Martin de los Andes (SMA) é uma cidadezinha charmosa, pequena e acolhedora, principalmente pelo povo local. A comunidade demonstrava alegria pelo evento, e respondia aos corredores com um carinho extremo. Nosso voo veio por Bariloche o que proporcionou um passeio pelos 7 lagos até SMA passando por cidades como Villa La Angostura.

A largada dos 110km ocorreu as 19h30, anoitecendo, sob os pingos de uma leve garoa. O ambiente da largada era militar, então havia um abrigo com alimentos e bebidas antes da largada, e era coberto para quem quisesse se proteger. As próprias trilhas eram dentro deste ambiente militar guarnecido com muitos staffs mlitares.

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Largamos ao som de Welcome to the Jungle, no frio, onde rapidamente a chuva se dispersou, mas o vento surgiu intenso. Passei batido pelo primeiro PC, mas quando cheguei ao km22 no PC de Portezuelo, o primeiro Staff já gritou: MISSIONEIRA! Fiquei impressionada como as pessoas me reconheciam e continuaram me conhecendo durante toda a prova, a todo instante alguém gritava algo para mim, como se fossem amigos de anos. Continuei a subida para o Colorado e logo terminou o bosque e no topo da montanha deserta o vento rasgava forte, já tínhamos corrido 30km e subido 2.000m, o jeito era não parar para manter o calor do corpo…despencando Colorado abaixo no escuro, com muita areia, o cuidado era extremo com as descidas íngremes onde haviam muitas raízes, prontas para pregar uma peça. Km34 PC base do Colorado busquei a bolsa pela primeira vez, tinha até um vestiário feminino para a troca de roupas (primeira vez que ganho uma privacidade do gênero), fiz a primeira troca completa, estava completamente molhada e as duas próximas montanhas viriam, e ficar seca era necessário já que nos próximos 18 km acumulariam mais 1.700m, frio, vento e tudo que tínhamos direito.

Acredite, toda essa altimetria ainda na madrugada.

Subindo os Cerros comecei a fazer muitas amizades, um argentino me ensinou como subir de uma forma mais técnica o Quilanlahue que era extremamente íngreme com muita areia fofa, a cada dois passos que dávamos, regressávamos um… então ali ele me ensinou a enterrar o pé para não continuar deslizando, continuei cruzando pelo 123 até o final da prova!

Tanto no cume do Cerro Colorado, como no Cerro Quilanlahue o céu parecia gritar para ser observado, então por um momento parei e admirei, estava totalmente limpo (até impressionante para a chuva que caía fazia pouco). Um céu absurdamente estrelado, a lua em quarto crescente iluminava as trilhas, até o planeta de Mercúrio podia ser visto, era uma bola cor coral, maior e diferente das estrelas.

Descendo para o PAS Lago, contornamos a borda oposta do Lago Lacar, amanhecia para mim, e o amanhecer ao longo do lago me proporcionou uma visão lindíssima, pela primeira vez eu via fotógrafos.

image1Foto: Diego Costantini

Até o km 70, eu estava desenvolvendo muito bem, até que senti, já com quase 5.000m acumulados, as pernas travaram. Fiz a última troca completa de roupas no PC Quechuquina e continuei minha jornada caminhando, percebi ali que meu bastão tinha quebrado e o jeito foi se poupar. A esta altura todos gritavam, vamos Brasileña! E cada vez que eu resolvia caminhar, aparecia mais um: Vamos Brasileña. Juro que não tinha nada que me identificava, era apenas de eu tagarelar, que já me conheciam.

Quando comecei a subir para o PAS Mallin, garoava com o tempo aberto, uma coisa certamente engraçada, onde concluí depois ser a neve que se depositou em cima das montanhas, mas consegui ver o vulcão Lanín naquele momento, bem imponente. Outro presente de Deus. O sono já me atingia forte, e para me manter acordada eu tentava me divertir com todos, foi quando eu cheguei no melhor PAS! O PAS del Mallín! Eu estava decidida que não iria parar alí, mas foi engraçadíssimo quando cheguei e escutei Armandinho (kkk), apenas cheguei e disse “AH NÃO! ARMANDINHO NÃO!”, nem os brasileiros sabiam quem era o bendito Armandinho, mas pronto começou a festa, todos super bem humorados, nem deu tempo de respirar que eles começaram a cantar e dançar, brincavam sempre. Quando vi já tinham enchido minhas garrafas e trazido empanadas quentes, resolvi sentar e tagarelar mais um pouco para acordar. Sem exceção, todos os PCs sempre com apoios e staffs maravilhosos! Fico impressionada com a boa vontade que estas pessoas tem em receber um bando de maluco que já está colando as placas, delirando, falando muita bobagem depois de uma madrugada em claro. Eu fico uma maluca certamente legal, mas tem uns…

No PAS Colorado comecei a cruzar por mais e mais pessoas, que vinham do 42km, uma garota que parecia conhecer muito bem o trajeto da prova, resolveu me incentivar, e permaneceu correndo comigo até o final, se juntou mais umas duas, formamos um grupo onde todas carregavam todas pelos incentivos. Espetacular! O mais perfeito dos fair-play. Nisso começou a anoitecer e eu retirei meu último par de meias, coloquei nas mãos e só ia em busca da linha de chegada. Eu mais vivi do que corri nessas 24 horas, certeza disso. Eu curti cada instante, guardei maravilhosas lembranças, interagi, troquei experiências, admirei a natureza e chorei. Chorei pela dor que vivi nos últimos meses, pelo alívio, pela saúde da minha mãe.

Fechei 110km com 6.000m positivos, em 24h50. Foi uma prova bem técnica e complicada, talvez uma das mais difíceis que eu já tenha feito.

Mas eu voltarei Patagonia Run, porque o melhor triunfo foi todo esse amor que eu recebi. Obrigada!

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A paixão pela região dos Lagos – Patagônia Argentina

Em uma semana estarei novamente me encaminhando para a região dos Lagos na Patagonia Argentina, terceira vez em um ano. Realizei duas provas La Mision no último ano, uma em San Martin de Los Andes e outra em Villa la Angostura, e agora estou indo aos 110km da Patagonia Run.

Nunca realizei esta prova, mas contará com uma edição – nas 100 milhas – do Ultra Trail World Tour, com a presença do atual campeão mundial Pau Capell.

Os principais elogios vem por conta das empanadas oferecidas nos PCs, entre vários aspectos sobre a excelente organização da prova.

Patagonia Run é realizada em San Martin de Los Andes, que conta com aeroporto próprio. Ou mesmo, três horas distante de Bariloche. A prova oferece transfer para os dois aeroportos.

Uma prova com características bem mais rápidas do que outras provas da região, Patagonia Run ocorrerá dia 12 de abril e contará com diversas distâncias. Para os 110km, altimetria positiva em 6700m acumulados, serão dois Postos de Assistência Total, com tempo total de prova em 28h30.

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O Cume é no Cerro Colorado com 1785m. E previsão de baixas temperaturas na madrugada podendo chegar a valores negativos.

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Subida no Cerro Colorado em meio às flores Amancay, flor da região.

A história da flor vem da Tribo Vuriloche, onde o filho do cacique Quintral se enamorou por uma moça cujo amor era proibido, chamada Amancay. Quando Quintral adoeceu, no topo da montanha havia uma flor que proporcionava a cura, onde Amancay foi buscar, porém lá encontrou um condor que propôs dar-lhe a flor em troca de lhe dar seu próprio coração. O condor voou para a morada dos deuses, sem perceber que gotas de sangue de Amancay espirravam o caminho, junto com as flores. De cada gota de sangue que caiu nos vales e montanhas nasceram as belas flores amarelas com gotas vermelhas que se tornaram um símbolo do amor incondicional. A partir desse dia, quem dá uma flor de Amancay lhe dá seu coração.

Eu dei meu coração para esses Cerros.

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Correrei definitivamente pelo amor que a região me dedica. Certeza que será inesquecível, como sempre é. Cada um paga as promessas como pode, esta prova é dedicada a saúde de minha mãe, pois a energia que esta região me proporciona é definitivamente dedicada dos Deuses.

 

LaMision Race Brasil 2018

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Foto: Ney Evangelista @ngfotos

Estive presente em mais uma edição do LaMision, minha 4ª participação contando: 2 na Argentina (1 Villa la Angostura – 80km, 1 San Martin de los Andes – 110km) e 2 no Brasil (Serra Fina – 80km) e esta última edição, versão light 35km.

Ilusão minha pensar que realizando apenas os 35km, a prova seria “light”. Do contrário, foi bem difícil. A contar que subimos 2.600m nos 37km aferidos. O que gerou uma inclinação média de 7%.

Esta prova foi escolhida para ser um último pico de treino antes da minha prova alvo do ano, que ocorrerá em 3 semanas. Para prova alvo a inclinação média será de 8% em 130km. Ou seja, LaMision 35km simulou muito bem o que virá.

Esta prova é de um nível técnico mais alto que qualquer outra prova encontrada pelo Brasil, e eu digo que é a que melhor se assemelha das “Gringas”. Somente pelo nível de inclinação e dificuldade técnica.

Largamos às 10h da manhã de um bem dia quente (para quem saiu do freezer sulista), e como a prova diz Skyrunner, estivemos em subida até as 14h culminando no km 18 (pico 2.100m). Saímos da cidade de Passa Quatro e nos direcionamos para a Floresta Nacional  (FLONA), com algumas subidas bem chatinhas dentro da Floresta, realizamos um giro e retornamos para a estrada de chão que nos conduziria à casa de Pedra, para então a longa subida de 10km até o pico do Campo do Muro (2.100 m). Recordo-me de 2015, quando realizei os 80km, eu passei pela FLONA em torno da meia noite e realizei essa mesma subida até a casa de Pedra, na época a subida parecia eterna e me passou uma sensação que demoraria mais do que realmente foi, primeiro que naquela época realizei a noite e segundo que estava no km60. Dessa vez durante o dia e exposta ao calor, a sensação foi totalmente diferente. Naquele ano a subida ia ao Tijuco Preto (2.300 m), outro pico, mas o mais incrível é que eu me recordava do que eu tinha passado anteriormente, e já sabia que o ataque, mesmo sendo a outro pico, também seria duro. As subidas são bem desgastante, e a Serra Fina sempre surpreende.

Cheguei aos 2.100m com 4h de prova no quilômetro 18. Sentia-me muito bem, mesmo assim encontrei outros corredores passando mal. É importante saber que a prova é exigente. Sempre observando a velocidade equivalente de subida e mantendo a média desejada, no fim fiquei muito satisfeita com o resultado. A intenção agora seria descer, e descer bastante, desta vez tentando colocar mais ritmo, que novamente deu certo, onde até o Strava me deu o QOM do ano (kkk).

A prova continuou com mais outras duas subidas, sendo a última novamente dentro da FLONA, sempre desgastante principalmente para um final de prova. De brinde fiquei presa em um arame farpado, aguardando um resgaste que minha ansiedade impossibilitou. Mais um rasgo para a mochila bonita, afinal de contas, as cicatrizes são os melhores troféus. Em termos gerais, o percurso foi bem desafiador para 35km, e para os que pensaram (inclusive eu) que mesmo sendo 35km seria simples…não foi.

A organização estava muito bem estruturada, demonstrou muita evolução desde as primeiras edições, realmente superou todas as expectativas. Toda equipe, fotógrafos, staffs, todos estão de parabéns. E ainda, ao chegarmos, presente de finisher: uma cerveja personalizada, sensacional e mais um boné.

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Foto: Juan Santos

Para quem não conhece o Gûri, nem imagine, na realidade sempre gostei das provas do Gûri por não ter frescura nenhuma. Gûri não alimenta ego de ninguém, vai lá e faz. E exatamente por ser faca na bota as provas LaMision sempre me atraíram. E o lema do Gûri é Chegar é vencer, portanto, não importa sua performance, apenas siga! A prova lhe incentiva a continuar sempre!!! O Lamin deu aquele toque especial à prova e realmente ficou bem bonito de se ver!

Resumidamente, adorei ter participado desta edição que estava repleta de corredores de alto nível, profissionais de diferentes meios de comunicação, fotógrafos top das montanhas, ainda com a prova te oferecendo um percurso técnico e desafiador. É uma das grandes promessas para as corridas de Trail do Brasil. Fora que Passa Quatro é uma amor de cidade!

Gostaria de agradecer também a @thetrailrunclub por fabricar as melhores Tattoos  temporárias de prova, as RunTats, que são sempre muito precisas, que “baita”! Estão comigo em todas, para quem já reparou.

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Espero ano que vem poder participar da prova de 80km novamente, já que só de olhar este ano fiquei com maravilhosas memórias dos outros anos.

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Foto: Marcos Leite

Relatos de outros LaMision

Serra Fina 80km

https://rxplorer.wordpress.com/2015/06/23/relato-half-mission-brasil/

 

VLA 80km

https://rxplorer.wordpress.com/2015/03/14/la-mision-relato-da-prova/

 

SMA 110km

https://rxplorer.wordpress.com/2018/02/25/relato-la-mision-argentina-110km/

 

 

Relato Perdidos – Transformação em 3 anos

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Estive pensando bastante para escrever este relato. Mas achei importante expressar montando uma linha do tempo em minha vida. Em 2015, eu enchia a boca para dizer que tinha virado ultramaratonista, como a maioria dos corredores fazem após completarem felizes algumas poucas provas. Eu tinha concluído então, na época, duas provas de 80km com um bom resultado em ambas, o que me fez perder a noção em muitos fatores. Ocorre que quando vamos com muita sede ao pote, o tombo é grande. Recém tinha concluído uma prova de 80km na Serra Fina para que em 3 semanas fosse realizar Perdidos. Qual era, ou qual é minha experiência em repetir provas desgastantes em um curto espaço de tempo? Na época nenhuma, ainda digo que fazer isso é desnecessário. Mas sim irei repetir um feito parecido em breve…de qualquer forma é algo que exige muito, além do corpo, cabeça e maturidade.

Retornando a Perdidos. Em 2015 a prova tinha um molde diferente do que presenciei este ano, naquela época a prova parecia duvidar de você, hoje em dia ela te convida. Claro que a experiência modifica os fatores. A começar com a primeira subida, entre outros pequenos detalhes, bem como o tempo de largada e o amanhecer!!!! Só no momento que eu estava correndo conseguia notar, que aquele ou outro trecho específico tinha sido ajustado. Que haveriam mais PCs pelo caminho, mais staffs, mais auxílio. As marcações estavam realmente excelentes este ano, diga-se de passagem. E o maior fator determinante foi sim um tempo firme, sem chuvas, principalmente na subida do Araçatuba, o solo estava colaborativo, sem charco ou lama-chiclete, o que na época foi decisivo para eliminar muitas pessoas da prova.

Comparando… cheguei no topo do Araçatuba este ano com 7h cravado, duas horas a menos que 2015. Sendo que naquela época o tempo de corte era ainda mais apertado, 10h para concluir toda a prova, hoje 11h.

O que pude avaliar foi que fiz uma prova bem confortável ao que me propus, não terminei desgastada, estabeleci meu pace médio proposto, ao final analisei todos os meus gráficos de pace, altimetria, batimento cardíaco, consegui ter bons frutos dos resultados, como por exemplo pude manter meu pace médio a cada nova subida baixando meu batimento cardíaco. Perdidos encaixou como um pequeno simulado, mas a prova que já era um estigma para mim, veio para agregar. Não vou mentir dizendo que fui para me divertir, pois entrei muito nervosa na arena. Wania Sierra – psicóloga do esporte, ensinou-me que é importante voltarmos a desafios mal concluídos e ultrapassarmos aquela barreira. Se você não conclui provas com um determinado perfil, não fuja delas, aprenda a superá-las. Nunca imaginei que a prova seria tão benéfica para mim. Levei um tempo para decidir retornar, era algo mal digerido, mas precisava do tempo certo. Novamente existem provas que te exigem maturidade e através de alguns convites resolvi enfrentar de maneira mais adulta unindo o útil ao agradável. Parece até ironia. Você irá treinar muito, mas nada irá substituir o clima de uma prova. Para você saber chegar com os elementos certos para aquela alvo é importante enfrentar o problema real, dentro do seu tempo proposto, novamente saber se gerir, controlar: maturidade.

O maior presente de tudo isso foram as imagens lindíssimas que presenciei. Cada um se satisfaz com o troféu que lhe convém.

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Dois desafios: Tot Dret e Half Marathon des Sables, provas de semi suficiência.

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Meus dois próximos grandes desafios serão respectivamente 11-13 de setembro e 24-27 de setembro: Tot Dret 130 km (meia volta do Tor des Geants) e Half MDS Fuerteventura 120 km.

Qual a diferença dessas provas para as restantes? Ambas são classificadas como semi suficientes. E o que isso significa? Significa portar praticamente tudo o que se necessita durante seu tempo de execução, ser autônomo.

Cada corredor deve levar todo o equipamento necessário para toda a duração da corrida. Este deve ser transportado na mochila já previamente conferida e marcada e não pode ser trocada ou modificada em nenhuma circunstância na rota. Em todos os momentos, os staffs poderão verificar o conteúdo das mochilas.  A organização fornece apenas água natural para encher garrafas de água. Em ambas provas utilizarei mochilas de 20L que deverá conter saco de dormir, kit primeiros socorros além de roupas auxiliares. Na MDS é obrigatório transporte de fogareiro militar para cozinharmos nossos próprios alimentos (fogareiros a gás são proibidos), e é recomendado o porte de 2.000 kcal/dia de alimentos, além disso é proibida a compra de alimentos pelo caminho. Cada corredor deve se certificar em ter, no início de cada ponto de reabastecimento, a quantidade de água necessária e os alimentos necessários para chegar ao próximo ponto de reabastecimento.

Por exemplo na MDS: A água será distribuída no bivouac dos competidores todas as manhãs antes do início da corrida. Cada participante deve gerenciar sua ingestão diária de água quando a água é distribuída e não pode obter suprimentos adicionais em qualquer outro momento. A organização cuida do suprimento de água para cada concorrente. Em cada PC, os competidores podem recarregar suas bolsas de água nos tanques fornecidos. No final do estágio, cada competidor recebe 5 litros de água. O próximo suprimento de água estará no primeiro PC da etapa do dia seguinte. Nunca saia sem água. Se você se perder no deserto, as reservas de água podem ser vitais.

Outra nota da MDS: O equipamento obrigatório total e os pertences pessoais de cada competidor (comida, equipamento de sobrevivência e kit de maratona, etc.) devem pesar entre 5 kg e 12 kg. Este peso mínimo / máximo não inclui o abastecimento diário de água. Todos os participantes devem apresentar seus equipamentos obrigatórios nas verificações administrativas e técnicas. Qualquer alimento fora da embalagem original deve apresentar claramente o rótulo nutricional relativo ao produto em questão.

Já na Tot Dret existirá uma dropbag no km81 onde poderá ter acesso a itens ali deixados, como comidas, roupas para troca (não eliminando os itens obrigatórios). Fora isso os únicos outros pontos de abastecimento com comidas e assistência serão nos km 33 e no próprio km 81.

Caso você tenha algum problema entre os pontos de controle é de pura responsabilidade sua. Autonomia, é assim que funciona nessas provas, e cada vez estou gostando mais assim. São experiências incríveis. Em setembro volto para contar como foi!

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Review Transbike Thule Velocompact

O Thule VeloCompact é um dos transbike com engate de reboque mais acessíveis em custo-benefício além de ser fácil de usar. Ele tem uma ampla gama de ajustes para atender diferentes tipos de bicicletas é muito sólido e seguro. Quando está instalado, você ainda pode abrir o bagageiro do seu carro, que ele se dobra para armazenamento. É um bom investimento para quem transporta regularmente bicicletas num carro.

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O transbike VeloCompact da Thule suporta o peso das bicicletas a partir das rodas, com um braço de segurança exclusivamente para garantir que as bicicletas permanecem na vertical. O suporte das rodas pode ser ajustável conforme o tamanho da mesma.

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Com vários pontos de fixação para as próprias bicicletas, elas estão bem presas por trás do carro. Esta foi a minha escolha foi por eu ter estatura baixa, o que me dificultaria racks de teto, e por morar em um condomínio com portões que me obrigariam a desmontar na rua. Além das minhas bicicletas serem femininas, o que necessitaria de uma adaptador para os outros suportes, no caso do Velocompact ser preso às rodas, não necessita de nenhum adaptador.

O Thule VeloCompact 925 vem como uma peça de lego na caixa, e é totalmente simples monta-lo, uma operação realmente fácil, você nem precisa ler o manual de instruções. Posicione o Velocompact sobre a bola de reboque e empurre a alavanca grande para baixo, depois gire a chave para travar o suporte no lugar. A tensão do braço de travamento pode ser ajustada, mas uma vez definido, você nunca precisará fazê-lo novamente. A parte mais complicada desta operação é soltar o suporte até a bola de reboque porque são 14,3 kg de acessório.

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Colocar a bicicleta no transbike é igualmente simples. Suportes de roda moldados deslizam para fora do transbike e correias largas de catraca de plástico prendem as rodas no lugar.

O modelo 925 possui dois braços de metal se estendem do topo da estrutura e terminam em grampos de mandíbulas macias que prendem a estrutura da sua bicicleta, seja ao redor do tubo superior ou abaixo do tubo. Os braços podem ser facilmente reposicionados sempre que você precisar deles. Você usa o braço curto para a bicicleta mais próxima do carro e o braço longo para a bicicleta do lado de fora. Se você precisa transportar três bicicletas, o VeloCompact 927 tem um bicicletário extra (ainda com adaptador para uma quarta bicicleta).

Montar uma bicicleta é fácil leva 30 segundos para que uma bicicleta seja fixada no transbike.

Os braços têm braçadeiras revestidas de borracha para proteger a pintura, e os grandes mostradores de plástico são rápidos de ajustar. Eles podem ser bloqueados para impedir o furto, mas se você planeja deixar as bicicletas no transbike e ficar fora de vista por um período significativo, eu investiria em uma corrente a mais. Não deixe o carro sem vigilância, simplesmente não vale o risco.

As cápsulas do indicador e da luz de freio deslizam para fora quando em uso e deslizam para baixo para deixar o rack mais compacto quando em armazenamento. As luzes são alimentadas por um plugue normal de sete pinos.

Eu tenho usado esse transbike, com todos os tipos de bikes, desde road a mountain bikes. Eu não encontrei uma combinação que cause algum problema; até mesmo uma bicicleta de montanha de tamanho maior e uma road. As bicicletas se encaixam melhor quando você alterna o guidão ao selim e, é claro, é mais rápido e fácil encaixar. As braçadeiras revestidas de borracha não danificaram nenhuma das bicicletas. Você não precisa apertar as braçadeiras com muita força, não há necessidade em exagerar no torque, elas seguram bem. E os suportes para as rodas se ajustam a diversos tamanhos.

A condução mostra que o suporte é extremamente seguro e muito estável. Ele balança um pouco, devido ao momento da bola de reboque, mas não é excessivo. Não há ruído de vento e, dependendo das bicicletas montadas, há pouco impacto na economia de combustível ou nas características de direção através das curvas. Ele é garantido em velocidade de até 110 km/h. Se o seu carro tiver sensores de estacionamento, eles são acionados pelo suporte, mas o estacionamento em ré com duas bicicletas não é complicado pois as bicicletas fornecem uma indicação visual útil.

Se você precisa acessar o porta-malas do carro sem querer remover as bicicletas, o Thule VeloCompact mostra sua melhor característica: um pedal que permite que o transbike inteiro se incline para a frente o suficiente para que o carro se abra. É uma solução engenhosa e funciona de forma brilhante. É uma característica fundamental sobre os modelos mais baratos, e vale a pena pagar o extra, especialmente para viagens rodoviárias, onde o acesso é necessário.

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Há um limite de peso de bicicleta de 25 kg para cada, limite total de 46kg, que pode impedir algumas bicicletas elétricas, mas as bicicletas regulares de montanha e de estrada estão bem dentro desse limite.

Não é uma maneira barata de transportar bicicletas em comparação com um rack de inicialização ou mesmo rack de teto, mas é o mais seguro, estável e conveniente para viagens regulares e longas. E você também tem que considerar o custo do engate. No entanto, se você estiver carregando seu carro regularmente, o investimento será compensado com a facilidade de uso oferecida pela maioria dos outros racks.

É importante lembrar que alguns computadores de bordo não suportam uma sobrecarga de lâmpadas e então é também necessária a instalação de um módulo de segurança para o sistema elétrico, dependendo do carro (R$ 350). É importante verificar com o instalador do reboque como será realizada a instalação elétrica do mesmo, muitos ligam direto e isso poderá causar algum tipo de problema, então consulte também uma autoelétrica automotiva.

Dado que o rack e as bicicletas estarão cobrindo a sua placa, o VeloCompact inclui seu próprio suporte de placa. Para isso, é necessária uma segunda placa traseira, que deve ser solicitada ao DETRAN. Dependendo da cidade onde você mora, a melhor alternativa é contratar um despachante que realize o serviço, pois eu levei mais de 4h, em filas, vistoria e fabricação de placas. O custo extra foi de vistoria (aproximadamente R$70) e de placa (aproximadamente R$ 60).

Também é um pouco difícil de guardar, eu deixo na minha vaga de garagem. Mas a sua construção durável e bem pensada faz dele uma opção adequada para quem procura um transbike de alta qualidade para transportar suas bicicletas com segurança.

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Últimas observações é sobre esse braço reclinável, que pode ser movido para guardar, e ao ser utilizado deve ser travado em uma espécie de dente para que não se mova durante o uso; e a última é sobre como é importante verificar a capacidade do engate pela certificação INMETRO.

Um transbike deste design é certamente um investimento muito maior do que os de gancho, que necessitam de adaptadores. No entanto, comparado aos de teto o custo é muito semelhante. O VeloCompact é certamente um investimento, mas serve como moeda de troca em caso de venda. E ainda com 10 anos de garantia.

Se interessou? As especificações técnicas do produto estão em:

https://www.thule.com/pt-br/br/bike-rack/towbar-bike-racks/thule-velocompact-2-7-pin-_-925

Mais modelos em:

https://www.thule.com/pt-br/br/bike-rack

E você encontra o produto em lojas credenciadas perto de você, ou na Bike Garden Store:

http://bikegarden.com.br/

Pico Paraná

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Escolhemos a dedo o ataque ao cume do Pico Paraná (PP) no fim de semana mais frio do ano. O receio inicial era pegarmos chuva e tempo fechado, mas por sorte do extremo frio, o tempo estava incrivelmente lindo.

Nosso planejamento iniciou com chegada ao Aeroporto Afonso Pena às 7h onde alugamos um carro e nos dirigimos à Fazenda Pico Paraná. Chegamos em torno de 9h por lá, apenas a tempo de organizarmos nossos equipamentos e iniciarmos o trekking.

A fazenda Pico Paraná é do Dilson e é sempre conversar com ele antes de chegar para esclarecer qualquer dúvida ou problema. Por exemplo, como estávamos indo de avião não tínhamos como comprar gás, então o Dilson providenciou para nós. Chegamos lá e Dilson disse: não comprei a tempo, mas lhe entrego no pico os dois liquinhos (oi!?). Dilson enviou entrega expressa de gás, parece até piada, mas um piá subiu em 1h30 o que já havíamos feito em 3h…

A fazenda tem estacionamento, alimentação, chuveiro. O valor é de R$10/pessoa chegando das 07 às 18 horas e R$15/pessoa chegando das 18 às 07 horas.

O almoço (PF) é servido até as 14h a um custo de R$10 (peça o adicional de ovo R$12), depois desse horário há pasteis que também são excelentes.

O trekking inicia com uma subida em single track passando por dois pontos de visão: Pedra do Grito no km1 e Acampamento Getúlio km3. O acampamento Getúlio é um ponto de divisão na classe de trilha. A partir dali se encontrará a placa de divisão de ataque ao Pico Caratuva ou seguir em frente ao PP. A trilha começa a ficar mais técnica com muitas raízes, cordas e alguns grampos. Seguindo em frente ao PP, no km4, encontra-se uma Bica de Água, abasteça nela, pois os seguintes rios possuem muita matéria orgânica e ferro, o que não são tão indicados a consumo. No km4,5 se encontra outra bifurcação para ataque ao Pico Itapiroca. Para esse pico, em ataque, sem cargueira, a subida demora menos de 30 minutos. Ali fica a primeira opção de acampamento. Dizem que é um belo pôr-do-sol, bem como nascer. Esse ponto é indicado caso não queira fazer o ataque ao PP direto no primeiro dia, o que é realmente desgastante, ainda pode se esconder a mochila por lá e fazer o ataque ao PP cedo no segundo dia sem carga.

Continuando em frente após o km4,5, inicia-se uma descida a um vale, novamente bem técnico o trecho. Quando o vale termina e se inicia novamente a subida, prepare-se, pois começará as subidas em grampos (km6,5). Se você tem medo de altura, leve uma corda de segurança, tanto para você como para alguém rebocar sua mochila, ajuda, pois a cargueira muda nosso centro de gravidade o que dificulta em certos momentos. O segredo é não olhar para baixo, e se eu com 1,50m consegui, você também consegue, acredite eu não alcanço a maioria dos grampos, mas encontro fendas nas pedras e escalo da maneira que posso, algumas vezes com um empurrãozinho de um amigo. Na realidade você pensará que superou a subida, mas não esqueça que você também voltará por ali.

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Superado os grampos, no km7,5 você chegará ao A2. Minha sugestão é deixe as cargueiras, pois o que virá pela frente será bem pesado. Se você treina e tem um bom preparo físico, ok. Mas se você está lendo isso provavelmente é porque não conhece, então como primeira experiência, acampe no A2. Nós acampamos até porque as rajadas de vento eram de me levantar voo, eu não conseguia permanecer parada, o vento realmente me carregava, e se ocorre qualquer problema naquele fim de semana, não imagino um helicóptero conseguindo resgatar alguém tamanha era velocidade dos ventos.

Nos 7,5km (até o A2) realizamos a subida em 5h, com tempo de movimentação em 4h. Éramos um grupo de 10 pessoas, o que nos fez realizar algumas paradas para reagrupar, bem como para nos alimentar. De qualquer maneira esse tempo não foi em ritmo de passeio, então dependendo essa subida pode demorar em até 7h. Após montarmos nossas barracas, o próximo 1km até o pico – em ataque – nos levou 40 minutos. Em tempo bruto, largamos as 10h da fazenda e atingirmos o pico às 16h20.

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Retornamos ao A2 onde passamos a noite. É meus amigos, as rajadas de vento eram incríveis naquela noite, bem como uma sensação térmica negativa. A dica é ficar perto da casa de pedra, onde há mais proteção do vento, e já é caminho para a trilha de água. É importante salientar que a busca pela água não é simples e exige pelo menos duas pessoas, senão você vai perder metade da água pelo caminho… é importante também lembrar que essa fonte é intermitente, ou seja, em certas épocas não há.

Bom, para o retorno, mesmo sendo grande parte descida, não se iluda que irá fazer muito mais rápido que a subida, porque não irá. A trilhas são bem técnicas e difícil de se desenvolver. Minha decida demorou 3h45.

A última dica é, se você tem um bom preparo físico, é possível sim fazer bate e volta com pouca carga. Mas escolha épocas com duração do dia mais longas, e saia antes do nascer. Procure pegar o nascer do sol no acampamento e Getúlio e boa sorte!

Nunca esqueça de ter equipamentos de primeiros socorros consigo, e sinal de telefone é ruim, mas é possível encontrar nas áreas abertas. Acima de tudo, seja responsável.

O último comentário do fim de semana foi: essas montanhas do Paraná não são para qualquer um… que experiência!

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Nesses links estão meus tracklog:

Fazenda > A2 https://www.wikiloc.com/hiking-trails/fazenda-gt-a2-25087041

A2 > Pico > A2 https://www.wikiloc.com/hiking-trails/a2-gt-pp-25087130

A2 > Fazenda https://www.wikiloc.com/hiking-trails/a2-gt-fazenda-25087160