Relato Perdidos – Transformação em 3 anos

ACC18UMP0744

Estive pensando bastante para escrever este relato. Mas achei importante expressar montando uma linha do tempo em minha vida. Em 2015, eu enchia a boca para dizer que tinha virado ultramaratonista, como a maioria dos corredores fazem após completarem felizes algumas poucas provas. Eu tinha concluído então, na época, duas provas de 80km com um bom resultado em ambas, o que me fez perder a noção em muitos fatores. Ocorre que quando vamos com muita sede ao pote, o tombo é grande. Recém tinha concluído uma prova de 80km na Serra Fina para que em 3 semanas fosse realizar Perdidos. Qual era, ou qual é minha experiência em repetir provas desgastantes em um curto espaço de tempo? Na época nenhuma, ainda digo que fazer isso é desnecessário. Mas sim irei repetir um feito parecido em breve…de qualquer forma é algo que exige muito, além do corpo, cabeça e maturidade.

Retornando a Perdidos. Em 2015 a prova tinha um molde diferente do que presenciei este ano, naquela época a prova parecia duvidar de você, hoje em dia ela te convida. Claro que a experiência modifica os fatores. A começar com a primeira subida, entre outros pequenos detalhes, bem como o tempo de largada e o amanhecer!!!! Só no momento que eu estava correndo conseguia notar, que aquele ou outro trecho específico tinha sido ajustado. Que haveriam mais PCs pelo caminho, mais staffs, mais auxílio. As marcações estavam realmente excelentes este ano, diga-se de passagem. E o maior fator determinante foi sim um tempo firme, sem chuvas, principalmente na subida do Araçatuba, o solo estava colaborativo, sem charco ou lama-chiclete, o que na época foi decisivo para eliminar muitas pessoas da prova.

Comparando… cheguei no topo do Araçatuba este ano com 7h cravado, duas horas a menos que 2015. Sendo que naquela época o tempo de corte era ainda mais apertado, 10h para concluir toda a prova, hoje 11h.

O que pude avaliar foi que fiz uma prova bem confortável ao que me propus, não terminei desgastada, estabeleci meu pace médio proposto, ao final analisei todos os meus gráficos de pace, altimetria, batimento cardíaco, consegui ter bons frutos dos resultados, como por exemplo pude manter meu pace médio a cada nova subida baixando meu batimento cardíaco. Perdidos encaixou como um pequeno simulado, mas a prova que já era um estigma para mim, veio para agregar. Não vou mentir dizendo que fui para me divertir, pois entrei muito nervosa na arena. Wania Sierra – psicóloga do esporte, ensinou-me que é importante voltarmos a desafios mal concluídos e ultrapassarmos aquela barreira. Se você não conclui provas com um determinado perfil, não fuja delas, aprenda a superá-las. Nunca imaginei que a prova seria tão benéfica para mim. Levei um tempo para decidir retornar, era algo mal digerido, mas precisava do tempo certo. Novamente existem provas que te exigem maturidade e através de alguns convites resolvi enfrentar de maneira mais adulta unindo o útil ao agradável. Parece até ironia. Você irá treinar muito, mas nada irá substituir o clima de uma prova. Para você saber chegar com os elementos certos para aquela alvo é importante enfrentar o problema real, dentro do seu tempo proposto, novamente saber se gerir, controlar: maturidade.

O maior presente de tudo isso foram as imagens lindíssimas que presenciei. Cada um se satisfaz com o troféu que lhe convém.

EKG18UMP0717-2.jpg

Anúncios

Dois desafios: Tot Dret e Half Marathon des Sables, provas de semi suficiência.

VALENTINCAMPAGNIE-HALFMDSFUERTEVENTURA2017-HD-362_0.jpg

Meus dois próximos grandes desafios serão respectivamente 11-13 de setembro e 24-27 de setembro: Tot Dret 130 km (meia volta do Tor des Geants) e Half MDS Fuerteventura 120 km.

Qual a diferença dessas provas para as restantes? Ambas são classificadas como semi suficientes. E o que isso significa? Significa portar praticamente tudo o que se necessita durante seu tempo de execução, ser autônomo.

Cada corredor deve levar todo o equipamento necessário para toda a duração da corrida. Este deve ser transportado na mochila já previamente conferida e marcada e não pode ser trocada ou modificada em nenhuma circunstância na rota. Em todos os momentos, os staffs poderão verificar o conteúdo das mochilas.  A organização fornece apenas água natural para encher garrafas de água. Em ambas provas utilizarei mochilas de 20L que deverá conter saco de dormir, kit primeiros socorros além de roupas auxiliares. Na MDS é obrigatório transporte de fogareiro militar para cozinharmos nossos próprios alimentos (fogareiros a gás são proibidos), e é recomendado o porte de 2.000 kcal/dia de alimentos, além disso é proibida a compra de alimentos pelo caminho. Cada corredor deve se certificar em ter, no início de cada ponto de reabastecimento, a quantidade de água necessária e os alimentos necessários para chegar ao próximo ponto de reabastecimento.

Por exemplo na MDS: A água será distribuída no bivouac dos competidores todas as manhãs antes do início da corrida. Cada participante deve gerenciar sua ingestão diária de água quando a água é distribuída e não pode obter suprimentos adicionais em qualquer outro momento. A organização cuida do suprimento de água para cada concorrente. Em cada PC, os competidores podem recarregar suas bolsas de água nos tanques fornecidos. No final do estágio, cada competidor recebe 5 litros de água. O próximo suprimento de água estará no primeiro PC da etapa do dia seguinte. Nunca saia sem água. Se você se perder no deserto, as reservas de água podem ser vitais.

Outra nota da MDS: O equipamento obrigatório total e os pertences pessoais de cada competidor (comida, equipamento de sobrevivência e kit de maratona, etc.) devem pesar entre 5 kg e 12 kg. Este peso mínimo / máximo não inclui o abastecimento diário de água. Todos os participantes devem apresentar seus equipamentos obrigatórios nas verificações administrativas e técnicas. Qualquer alimento fora da embalagem original deve apresentar claramente o rótulo nutricional relativo ao produto em questão.

Já na Tot Dret existirá uma dropbag no km81 onde poderá ter acesso a itens ali deixados, como comidas, roupas para troca (não eliminando os itens obrigatórios). Fora isso os únicos outros pontos de abastecimento com comidas e assistência serão nos km 33 e no próprio km 81.

Caso você tenha algum problema entre os pontos de controle é de pura responsabilidade sua. Autonomia, é assim que funciona nessas provas, e cada vez estou gostando mais assim. São experiências incríveis. Em setembro volto para contar como foi!

tor-des-geants

Pico Paraná

image2 (1)

Escolhemos a dedo o ataque ao cume do Pico Paraná (PP) no fim de semana mais frio do ano. O receio inicial era pegarmos chuva e tempo fechado, mas por sorte do extremo frio, o tempo estava incrivelmente lindo.

Nosso planejamento iniciou com chegada ao Aeroporto Afonso Pena às 7h onde alugamos um carro e nos dirigimos à Fazenda Pico Paraná. Chegamos em torno de 9h por lá, apenas a tempo de organizarmos nossos equipamentos e iniciarmos o trekking.

A fazenda Pico Paraná é do Dilson e é sempre conversar com ele antes de chegar para esclarecer qualquer dúvida ou problema. Por exemplo, como estávamos indo de avião não tínhamos como comprar gás, então o Dilson providenciou para nós. Chegamos lá e Dilson disse: não comprei a tempo, mas lhe entrego no pico os dois liquinhos (oi!?). Dilson enviou entrega expressa de gás, parece até piada, mas um piá subiu em 1h30 o que já havíamos feito em 3h…

A fazenda tem estacionamento, alimentação, chuveiro. O valor é de R$10/pessoa chegando das 07 às 18 horas e R$15/pessoa chegando das 18 às 07 horas.

O almoço (PF) é servido até as 14h a um custo de R$10 (peça o adicional de ovo R$12), depois desse horário há pasteis que também são excelentes.

O trekking inicia com uma subida em single track passando por dois pontos de visão: Pedra do Grito no km1 e Acampamento Getúlio km3. O acampamento Getúlio é um ponto de divisão na classe de trilha. A partir dali se encontrará a placa de divisão de ataque ao Pico Caratuva ou seguir em frente ao PP. A trilha começa a ficar mais técnica com muitas raízes, cordas e alguns grampos. Seguindo em frente ao PP, no km4, encontra-se uma Bica de Água, abasteça nela, pois os seguintes rios possuem muita matéria orgânica e ferro, o que não são tão indicados a consumo. No km4,5 se encontra outra bifurcação para ataque ao Pico Itapiroca. Para esse pico, em ataque, sem cargueira, a subida demora menos de 30 minutos. Ali fica a primeira opção de acampamento. Dizem que é um belo pôr-do-sol, bem como nascer. Esse ponto é indicado caso não queira fazer o ataque ao PP direto no primeiro dia, o que é realmente desgastante, ainda pode se esconder a mochila por lá e fazer o ataque ao PP cedo no segundo dia sem carga.

Continuando em frente após o km4,5, inicia-se uma descida a um vale, novamente bem técnico o trecho. Quando o vale termina e se inicia novamente a subida, prepare-se, pois começará as subidas em grampos (km6,5). Se você tem medo de altura, leve uma corda de segurança, tanto para você como para alguém rebocar sua mochila, ajuda, pois a cargueira muda nosso centro de gravidade o que dificulta em certos momentos. O segredo é não olhar para baixo, e se eu com 1,50m consegui, você também consegue, acredite eu não alcanço a maioria dos grampos, mas encontro fendas nas pedras e escalo da maneira que posso, algumas vezes com um empurrãozinho de um amigo. Na realidade você pensará que superou a subida, mas não esqueça que você também voltará por ali.

IMG_1452.jpg

Superado os grampos, no km7,5 você chegará ao A2. Minha sugestão é deixe as cargueiras, pois o que virá pela frente será bem pesado. Se você treina e tem um bom preparo físico, ok. Mas se você está lendo isso provavelmente é porque não conhece, então como primeira experiência, acampe no A2. Nós acampamos até porque as rajadas de vento eram de me levantar voo, eu não conseguia permanecer parada, o vento realmente me carregava, e se ocorre qualquer problema naquele fim de semana, não imagino um helicóptero conseguindo resgatar alguém tamanha era velocidade dos ventos.

Nos 7,5km (até o A2) realizamos a subida em 5h, com tempo de movimentação em 4h. Éramos um grupo de 10 pessoas, o que nos fez realizar algumas paradas para reagrupar, bem como para nos alimentar. De qualquer maneira esse tempo não foi em ritmo de passeio, então dependendo essa subida pode demorar em até 7h. Após montarmos nossas barracas, o próximo 1km até o pico – em ataque – nos levou 40 minutos. Em tempo bruto, largamos as 10h da fazenda e atingirmos o pico às 16h20.

IMG_1458.JPG

Retornamos ao A2 onde passamos a noite. É meus amigos, as rajadas de vento eram incríveis naquela noite, bem como uma sensação térmica negativa. A dica é ficar perto da casa de pedra, onde há mais proteção do vento, e já é caminho para a trilha de água. É importante salientar que a busca pela água não é simples e exige pelo menos duas pessoas, senão você vai perder metade da água pelo caminho… é importante também lembrar que essa fonte é intermitente, ou seja, em certas épocas não há.

Bom, para o retorno, mesmo sendo grande parte descida, não se iluda que irá fazer muito mais rápido que a subida, porque não irá. A trilhas são bem técnicas e difícil de se desenvolver. Minha decida demorou 3h45.

A última dica é, se você tem um bom preparo físico, é possível sim fazer bate e volta com pouca carga. Mas escolha épocas com duração do dia mais longas, e saia antes do nascer. Procure pegar o nascer do sol no acampamento e Getúlio e boa sorte!

Nunca esqueça de ter equipamentos de primeiros socorros consigo, e sinal de telefone é ruim, mas é possível encontrar nas áreas abertas. Acima de tudo, seja responsável.

O último comentário do fim de semana foi: essas montanhas do Paraná não são para qualquer um… que experiência!

IMG_1450.jpg

Nesses links estão meus tracklog:

Fazenda > A2 https://www.wikiloc.com/hiking-trails/fazenda-gt-a2-25087041

A2 > Pico > A2 https://www.wikiloc.com/hiking-trails/a2-gt-pp-25087130

A2 > Fazenda https://www.wikiloc.com/hiking-trails/a2-gt-fazenda-25087160

O que é o Zwift Cycling e Zwift Run

Zwift é um aplicativo que alia tecnologia ao nosso treinamento. Não há como negar que o “jogo” se torna viciante. O aplicativo, que pode ser usado no seu celular, iPad ou computador, é pareado ao seu rolo (no caso do ciclismo), tanto via bluetooth ou por antena ANT+ (dependendo do rolo adquirido). Os rolos chamados de Smart se conectam com a realidade virtual fazendo seu treino ser interativo com o mundo todo. Meu rolo é o Elite Qubo Smart+ e mede potência. Esta que trabalhará no jogo, onde a relação potência/peso montará seu fator de liderança.

1.png

Ontem mesmo éramos 1.200 ciclistas pedalando pelas rotas de Londres (às 20h em São Paulo). E o mais incrível é pedalar com pessoas de todas as nacionalidades, indiferente fuso horário.

O próprio programa lhe dá alternativas de treinos, bem como rotas planas ou com altimetria significativa, basta escolher. Caso você tenha um workout já previsto, você pode montar seu treino nele, ou até exportar de planilhas como Training Peaks. O Zwift se conecta com Training Peaks, Garmin, Strava e muitos outros aplicativos. Acredite, um rolo nunca foi tão viciante. Você monta um network de amigos virtuais e pode se unir ao treino deles, montando pelotões e ainda pode rolar chat interativo junto!

Zwift já foi incorporado ao meu treino semanal indoor. Recomendo e super aprovo!

Já existe também o Zwift Run, que combina as mesmas rotas com corredores. Ainda são poucos que utilizam, pois o sistema Run foi incorporado neste ano de 2018, mas já se cruza por alguns durante a rota. Este necessita de uma esteira e o Stryd Live, um outro equipamento de potência para corrida. O Stryd se incorpora também a alguns relógios como Garmin, Suunto e Smartphones a treinos outdoor. É importante salientar a diferença dos equipamentos Stryd normal para outdoor e o Stryd Live para conexão indoor. Conheci o Stryd pelo ultratrail brasileiro renomado Fernando Nazário e pretendo testar em breve.

 

Confira o zwift em:

https://zwift.com/

Stryd em:

https://www.stryd.com/

Reclamar aumenta performance?

40550916.jpg

Nas últimas provas fiquei pensando, talvez reclamar aumente a performance, não sei. Isso porque nós sempre procuramos algo para reclamar. Ou está quente demais, ou frio demais, ou está chovendo, ou tem muita neblina, ou nos molhamos no rio. Se encontrar um dia de treino perfeito nos 365 do ano, será o máximo, e não ver ninguém dizer um porém, o ápice.

E por causa disso, se aprende a total inutilidade de reclamar sobre coisas que não se pode mudar, como o fato de que durante o verão, é quente lá fora. No inverno, é frio. Às vezes, quando queremos fazer coisas ao ar livre, é ventoso. Ou chove. Ou as coisas que gostamos de fazer machucam nosso corpo. Ou temos que carregar mochilas pesadas para chegar a algum lugar para fazer alguma coisa. E lamentar sobre isso não faz exatamente nada para ajudar, principalmente ‘durante’ uma prova. Ela já está ali pré-programada, sendo realizada e não irá se ajustar para você. Todos estão nas mesmas condições, acredite.

E o pior é que você está fazendo isso porque quer. Praticar esportes de endurance, o próprio nome diz: “resistência”. Aprenda a lidar com isso, e desfrute das adversidades a seu favor.

Frio? Deveria ter trazido mais camadas. Cansado? Deveria ter ido dormir antes de começar as 3 da manhã. Com medo de um movimento duro em uma subida? Deveria ter treinado mais e ficado mais forte. Molhou? Traga uma muda extra de roupas. Normalmente, um de nós reconhece o ridículo do nosso passatempo: “Você sabe, poderíamos estar em casa bebendo e assando um churrasco”. É importante perceber, caso você se queixe, de que há um propósito diferente de apenas desabafar, e novamente não durante o processo.

Se estiver quente, reconheça e reveja as coisas que se precisa fazer para lidar com isso: hidratar, desacelerar, encontrar um ritmo que não resulte em insolação. Se estiver frio, certifique de que minha roupa esteja em camadas, para que não esteja suando e as extremidades não fiquem dormentes. Saber gerir seus equipamentos é fundamental, e essencial. Até porque praticamos esportes outdoor. Utilize da experiência obtida para os próximos treinos e provas. Até porque repetir o erro…

Aprenda que o prazer da ultramaratona está em sofrer. E isso é fatídico, irá ocorrer.

 

Inspirado na vida e no semi-rad

Relato Ultra Videiras

SEG18APT59671

Cheguei em um momento da vida, que ando tão desgastada com certas coisas que aguardo às vezes um convite para participar das provas, se não for algo que estou planejando há anos, um desejo, um sonho… eu vou na onda dos amigos ou dos convites. Foi o que ocorreu com Videiras, recebi convite da organização e notei que encaixava bem na minha fase de treinos. Estudei a prova e notei que o desnível acumulado seria perfeito para treinar subidas e descidas para minha prova alvo, e realmente foi. Na minha prova alvo o pace será algo em torno de 20´/km exatamente pelo grande desnível a ser enfrentado. Em razão disso meu atual objetivo é sofrer desgaste para subir e descer constantemente para então prever um ritmo médio suportável a longo tempo. Estudei rapidamente Videiras sendo 65km em 14h, isso me daria um ritmo médio de 12’55’’/km, pronto ali me bastava, foi o que me propus a realizar. O que eu não sabia, é que haveria um corte esgoelado no meio da prova. Inicialmente víamos no site da prova sinalizando corte de 6h em 28,5km. O que manteria esse pace médio em torno de 12’/km, coerente. O que não esperávamos é que esse corte fosse substituído para o km 38 nas mesmas 6h. Eu iniciei a corrida imaginando que o corte seria no km 28,5, já no meio da corrida descobri que seria no km 32, quando cheguei no km 27 me disseram que ainda teriam 7km, ou seja, seria no km 34, e quando cheguei no km 34 descobri que seria no km 38. Bom, eu não sou nem um pouco a rainha da paciência, aos que me conhecem. Já tinha isolado o balde no km 28 (que cheguei dentro do tempo previsto), ainda tinha esperanças na regra de três, mas me foi dito que sim o corte seria mantido nas 6h. Amigos calculemos: 38km em 6h pace médio de 9´30”/km. Realmente reduzido ao inicialmente proposto.

Notou-se, então, que o último corredor a ultrapassar este corte de 6h fechou a prova com 11h. Sejamos explícitos, 11h é bem abaixo das 14h propostas. Eu sou engenheira e calcular para mim é muito simples, eu corro fazendo cálculos acredite. Realmente é algo que eu gosto e o que me move, quando eu estava no km 13 com 3h e me disseram você deve chegar no km 32 com 6h, eu até imaginei possível, mas meu esforço deveria aumentar singularmente ao que eu estava planejando. Até cheguei com 6h no km 28,5 do site, o que gerou um planejamento preciso da minha parte. Na realidade eu até tive que me esforçar um pouco a mais devido a um ocorrido nos primeiros 2 km de prova. A prova iniciou e após poucos metros entramos em um leito de rio, para andar com água pela cintura nos primeiros 2km de prova. Gente sério, andar num leito 500m ok, mas 2km?

SEG18APT59421

Não por mim, eu não vejo problema, faço tranquilamente, o problema era o meio mundo que estava na minha frente. Meus primeiros 2km de prova duraram 1h. Então você já reduz drasticamente sua média. A minha sucinta dica é, em trechos que irão gerar tráfico de corredores, como single tracks ou nesse caso: rios, você deixa para quando as pessoas se dispersarem. Não tem como ultrapassar um colega que não sabe como caminhar dentro de um rio contracorrente (que em trechos chegaram ao meu pescoço) eu até acho falta de respeito não respeitar a fila. Então às 6h da manhã eu já estava completamente encharcada, dos pés à cabeça, e não satisfeito São Pedro iniciou uma chuva. Também nada contra a chuva, porque eu já parecia contar com isso. Virou rotina eu correr na chuva. Mas devemos entender que o comportamento do solo muda. E as descidas íngremes técnicas exigem mais cautela. Descidas que poderíamos fazer a pace de 5´/km se transformaram em caminhada da 3ª idade, dançávamos literalmente lambada.  E mesmo com todos esses percalços, no km 28,5 eu estava com minhas 6h. Infelizmente o corte foi subitamente deslocado a dez quilômetros a mais, onde não consegui atingir dentro do tempo estipulado. Fechei 38km com 2200 de deslocamento positivo na lama e dentro de leito de rio em 8h. Posso dizer que fiquei satisfeita dentro da minha proposta pessoal. Fiquei muito feliz em encontrar os amigos e conhecer a região serrana do Rio de Janeiro. Porém, sugiro cortes serem bem calculados e explícitos. Outra sugestão é serem abertos com os trajetos. Existe organizador que se nega a deixar corredor saber onde vai correr, escondem gpx, pelo amor de Deus!

Enfim, tanto organizador como corredor devem ser abertos um com o outro, e deixar claro o que se passa e o que se vê durante “n” provas que participamos, sem benefício próprio. E não digo isso por Videiras, pois foram claros, ocorreu só uns erros de cálculos digamos. E já expuseram seus erros no instagram, bela atitude. Então bora!

 

3 Meses Aliando o Triátlon ao Ultra

Quando procurei meu atual treinador Frank Silvestrin, atleta de ponta e reconhecido no triátlon internacional, disse que estava propondo um desafio (em poder aliar treinos conjuntos de bike e natação à minha performance no ultratrail). Ele imediatamente disse que essa era a filosofia dele. Que trabalhos conjuntos melhorariam meu trabalho logo. E após 3 meses posso citar que me sinto uma pessoa mais forte e menos cansada.

Impressionante como exercícios paralelos ofereceram melhor resistência e ganho de força. E não digo praticar tais exercícios em função de lesão, ou de descanso ativo entre temporadas. É o uso continuo durante o treinamento.

Primeira coisa que notei com a natação foi o reforço nos membros superiores que para nós “trekkers” após horas de uso de bastões de caminhada (trekking poles) sentimos desgaste nesses grupos musculares. A natação auxiliou a me deixar perfeitamente bem após minha última prova de endurance. Pelo contrário. Quem nunca após uma longa prova permaneceu dias com dores nos membros superiores? Exatamente por não costumarmos treinar tanto membros superiores, acreditando que apenas um reforço muscular possa se equiparar com horas de treino na trilha, a natação agrega perfeitamente isso. Além do trabalho cardiorrespiratório que aumenta consideravelmente.

Já a bike fortalece músculos que não são usados na corrida como todos exercícios tem padrões de movimento diferenciados, diferentes músculos são acionados e trabalhados. Correndo há tantos anos cheguei ao platô. Agora eu sinto novos prazeres e sensações. Na bike trabalhamos em intensidades maiores de força e esforço pela ausência de impacto. Até meu cansaço está mais prazeroso.

Aliás, muitas pessoas vieram me questionar se troquei de esporte. Não, não troquei, apenas aliei um ao outro. Outras vieram questionar como aliar tanta coisa junto. Planejamento, fases de treino. A questão não é correr mais, ou pedalar e nadar como o volume anterior de corrido, mas melhor distribuir as tarefas. E, dentro de fases de treino, equilibrar a importância de cada um. No fim, aumentar as parcerias!

ANS18SVENT3915

Estou inscrita na meia volta da Tor des Gèants (Tot Dret), e agora?

O que é o Tot Dret

Trilha “curta”

O Tot Dret é uma corrida “curta”, uma corrida ideal, de acordo com especialistas, como uma abordagem aos desafios de maior empenho no Monte Rosa, Cervino e Monte Bianco. Para inventar o “todo direto” (tradução de Tot Dret) fez-se os mesmos caminhos, mesmo período do Tor des Géants, mas com rota e tempo reduzido.

Caminho comum

O Tot Dret vai ao longo de uma linha reta imaginária que leva de Monte Rosa ao Bianco. Os atletas das duas corridas compartilharão os caminhos até a linha de chegada. Os participantes do Tor des Gèants (330 km e d+24 mil metros) têm um limite de 150 horas para cruzar a linha de chegada; as de Tot, em vez disso terão no máximo 40 horas para realizar 130km e d+12 mil metros.

Em meio a palavras do primeiro vencedor do Tot Dret – Cerare Clap, realizado no ano de 2017, com 130 km e 12 mil metros de desnível positivo acumulado: “É mais difícil que a Tor de Géants”. Talvez essa declaração tenha sido dada aos cortes duros que a primeira edição propôs, bem como a nevasca que os corredores enfrentaram, aumentando em 7h o prognóstico do tempo do ganhador. “É uma corrida real, onde você tem que correr o máximo que puder. Comparada com a irmã maior, em termos de nível da fadiga, não há tanto problema, mas no nível muscular é muito mais exigente do que o Tor. Pois, em declive, você deve se jogar para baixo, para permanecer nos tempos, deverá ser um verdadeiro corredor”.

Tot Dret foi definida como uma corrida muito difícil, muito exigente. “Não é um apenas um meio Tor e sim uma verdadeira corrida, onde você tem que ser rápido. E todas as retiradas de 2017? Talvez não estivesse claro qual tipo de corrida fosse”. Dos 298 corredores, apenas 78 concluíram, apesar da extensão em uma hora e meia a mais. A organizadora Alessandra Nicoletti declarou: “Os tempos de cortes já eram conhecidos há algum tempo. A corrida foi mal interpretada”.

No ano de 2018 serão mantidas as 40h estendidas para o tempo final de conclusão, porque Tot Dret não precisa se transformar em uma excursão desafiadora, mas continua sendo uma corrida competitiva nas montanhas altas para atletas.

Agora é treinar muito.

 

Fonte: http://www.lastampa.it/2017/09/16/edizioni/aosta/tot-dret-ritiri-e-polemiche-pi-duro-del-tor-des-gants-5Aj5HlxEiPNWABr1RvJE7O/pagina.html

http://www.corriere.it/sport/running-nuoto-bici/notizie/tot-dret-l-ultra-trail-che-sfida-fratello-maggiore-tor-geants-0d501b6a-96d4-11e7-8f2d-841610cb6f6e.shtml?refresh_ce-cp

 

Relato La Mision Argentina 110km

La Misión 2018 foi novamente épica, como todo ano. Dessa vez, diferente dos anos anteriores, realizados no mês de fevereiro, choveu e muito para a época. Além da chuva, frio. Foi como um replay da CCC, executado com uma melhor estratégia. Largamos às 10h da manhã e rumamos destino Colorado, chegando ao pico se iniciou uma onda de frio e logo veio a chuva. Pelo menos acima do Colorado ainda pude ter o prazer de ter a visão incrível da região, que nos dá de retorno todo sofrimento enfrentado. A subida foi respirando muita poeira das cinzas vulcânicas, mas executei bem, no alto encontrei os amigos Gilson e Gustavo vindo forte, iniciei uma corrida no filo e para a descida com brincadeiras dos argentinos me chamando de “endiabrada”, eu me sentia bem, escutei as vozes da experiência em largar atrás então o prazer era só em ultrapassar e não ser ultrapassada, parece que isso te dá mais gás. Após a descida do Colorado iniciou a subida para o Rocoso, então a chuva veio com vontade. Parei, vesti a primeira térmica e o goretex, toda vez que sentia frio, lembrava em comer algo, e não deixava o corpo esfriar, devido a isso impus um ritmo mais sério. Na subida encontrei o outro amigo: MP, que com seu excelente humor tornou a peregrinação mais alegre. MP tem umas piadas boas na hora certa, e mesmo quando você está morrendo, você tem a última oportunidade de dar uma risada, obrigada MP! Fomos juntos até o km40 onde havia a divisão de rotas, dos meus 110km com os 200km executados pelo MP. A partir daí iniciou a descida e passagem em bosques até o PC do Boquete, e o frio cada vez era mais duro. No Boquete busquei minha bolsa e novamente troquei toda minha roupa, essa foi a lição que tive da CCC…voltar quente e seca (por algumas horas). No boquete notei uma menina que não parou e seguiu adiante, esta seria a primeira colocada que não alcancei mais, de qualquer maneira não me arrependo de ter parado 30min e realizado tudo o que necessitava. Alimentar-se, trocar de roupa, trocar pilhas, pois a noite vinha e vinha cruel. A madrugada inteira fiz contornos em nascentes de rios que desaguavam no lago, e pensa no vento gelado que soprava! Atravessamos muitos rios e córregos alguns que atingiam os joelhos. Uma das trilhas de 11km demorei 4h30 para realizar! Uma trilha muito chata, técnica, com muita lama escorregando, e tudo no meio da madrugada fria. Eu já estava em alerta, pois os meninos haviam contado da dificuldade. Logo me passaria outro menino que finalizaria os 160km, Tiago de Caxias, mais além contarei sua situação vivida. Chegando no Auquinco era continuar seguindo as trilhas, no meio da madrugada. Quando corremos sozinha, a vida transcorre inteira e você pensa em tudo, essa é uma das melhores sensações da ultramaratona, a introspecção que vivemos. Eu estava com tanto frio que liguei o automático e só segui… até Porto Arturo último PC onde conferiram meus equipamentos, km75. Minha mochila por sorte, bem elaborada e mais leve que todos meus amigos, pesava 4,5kg. Tínhamos que carregar muitos equipamentos obrigatórios e ali pediram para ver meu saco de dormir e bivak. Fora isso, muitas roupas, kit de primeiros socorros, tudo fechado em sacos estanques e alguns a vácuo, tudo para conseguir caber em uma mochila de 20L. Devo um agradecimento especial ao Benoit da Raidlight que me ajudou com essa mochila Responsiv20.

Vinha tudo perfeito para mim, mas o tempo não estava colaborando com ninguém e a galera dos 160 e 200 que o diga, eles teriam que passar por um pico que os 110 não ia (sorte minha). Chamado de Asseret, estava com visibilidade zero! Os amigos Gilson e Gustavo com sua experiência preferiram não continuar, e antes que dessem o aviso de fechamento/retorno eles deixaram a prova estando nas primeiras colocações, diferente do Tiago que continuou pelo Asseret com mais 16 pessoas (“os loucos”). Tiago disse que largou a mochila numa pedra e não conseguia mais encontrá-la devido a neblina, que seu saco de dormir voou e ele ficou a esmo por um tempo tentando dormir. Passou a madrugada lá em cima, com mais outros perdidos tentando localizar a rota, sem sucesso. Aos que vieram mais atrás como MP e outros amigos, a rota foi modificada. De qualquer maneira Tiago foi um grande guerreiro enfrentando temperaturas negativas na madrugada. 

O que mais me surpreende no organizador é a criatividade em criar “senderos”. Passamos por rastos de bois, mato pisoteado, meio de rosetas e cactos…é definitivamente uma originalidade incrível o La Mision (rsrs), certeza que as palavras mais utilizadas pelos corredores são xingamentos ao organizador, e por isso é a prova que é! A prova te ensina a gerir tudo que você deve carregar, água só de córregos, comida só a que você portar. Esqueça cintas de marcação, elas só serão vistas nas bifurcações, o lema é “siga o caminho”, essa onda de provas bonitinhas é nota zero no La Mision Argentina. E pessoas como eu, sem frescura, gostam disso. Então se você estiver afim de um desafio notavelmente sem noção, La Mision é a prova. Ela vem de organizadores de corridas de aventura que não perdem os vícios de antigamente. 

Bom foi o que traduziu o último morro a subir antes da chegada, pulando algumas cercas, andando em alguns matos, e quando vi que era possível executar o tempo que os amigos brincaram desafiando, continuei a correr… fechei com 24h09 sendo a 7 pessoa geral a chegar e a 2a mulher, 15minutos atrás da primeira. Se eu estou feliz? Estou vibrante, nunca imaginei um resultado desse porte, essa prova era um teste para um desafio de setembro, que saber como eu reagiria, e foi melhor que a encomenda. 


Pontos que venho observando da preparação. Eu modifiquei alguns esforços, invés de correr 5x por semana, agora corro um pouco menos e faço alguns treinos duplos de natação pela manhã e reforço à noite. E venho inserindo a bike também. A natação me auxiliou muito com uso de trekking poles, bem como o cardiorrespiratório, a bike vem de polimento e regenerativo. E o conjunto deles nos monta como melhor atletas. 

São trabalhos graduais, que vamos inserindo e nos adaptando com o tempo, e venho sentindo resultado! 

Agora é continuar até setembro!

E para aqueles que dizem que não existe gaúcha que representa, sim nós somos muitas!!!!!


E em abril: APTR Videiras, vejo vocês lá!

Divulgação de percurso prévio? Qual sua opinião?

Eu recomendo sempre analisar e estudar todas suas provas.

Mas e quando uma prova não disponibiliza seu trajeto? Ou protege seus dados? Que opinião podemos ter a respeito de tal atitude? Julgar que um atleta chegue “cego” em uma prova? Julgar que é mais “justo”?

Eu sempre trabalhei com estratégia, eu não posso confiar fielmente na minha capacidade física e prefiro sempre estudar trecho a trecho. Na minha opinião é necessário, principalmente para se ter noção do espaço de cada PC, o quanto de alimento e líquido devo carregar, a necessidade de trekking poles, do solado mais adequado para terreno, peso para se carregar, entre outros fatores. Toda economia é ganho! Não acredito que seja mais justo não apresentar dados primordiais. Principalmente por desconhecermos a região devemos estudá-la! Não ter acesso a dados é sim favorecer quem é da região!

Corrida de montanha, não é apenas colocar um tênis e correr, exige muito mais que isso. Exige conhecimento de mapas, de leitura de informações, de análise de equipamentos. Pode parecer balaca, mas não é.

Então vem outro questionamento.

Você sabia que toda corrida com validação ITRA tem seu percurso publicado dentro do mesmo site?

Sem exceção toda prova validada pelo ITRA tem o seu percurso publicado no Trace de Trail. Às vezes eu encontro pessoas encucadas com determinadas provas sem elas mesmo saber que antes da organização divulgar o percurso no seu site oficial o tal percurso já se encontra no ITRA/Trace de Trail (caso a mesma apresente o símbolo da validação). Sim, eles precisam carregar os dados para ter a validação, portanto se você procura aqueles pontos e ainda tem dúvidas na rota que a prova apresentará, a resposta é simples.

Entre no calendário do ITRA

http://www.itra.run/page/290/Calendrier.html

Realize sua busca. Por exemplo:

Clique no país Brasil e selecione o período da sua busca.

Sem título.png

Fazendo isso, procure a prova de seu interesse. Encontrei logo a prova do amigo Kleber Naventura Ouro Fino e cliquei para averiguar dados relevantes da prova.

Sem título1.png

Aparecerá o Trace de trail com a rota, bem como a pontuação basal da prova (340 para os 50km), o nível de montanha (4), website e uma breve descrição.

A pontuação basal é aquela que determina seu índice ITRA após os resultados. Verificar uma boa pontuação basal ajuda a elevar seu ranking quando você almeja estar entre os melhores.

Portanto, não basta colocar os tênis e correr. É também importante saber como se alimentar, como se hidratar, o quanto carregar, qual tênis e equipamentos utilizar e o porquê de utilizá-los… se você sofre com bolhas, saber áreas úmidas, ter meias extras, ou ter bandagens para proteger, tudo influencia! E poderá favorecê-lo em determinado momento! Acredite, tudo se aprende com tempo e experiência. Sendo assim, para mim, estratégia depende do estudo da prova, portanto quanto antes: MELHOR. E para você?