Monte Roraima – Versão Português

Monte Roraima

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Tepuy Roraima chamado em espanhol é o mais alto da cadeia Pakaraima de tepuys no planalto na América do Sul.

Tepuys são montanhas de mesa encontradas no planalto do norte da América do Sul, especialmente na Venezuela e Guiana ocidental. Tepuy significa “casa dos deuses” na língua nativa do Pemon, povo indígena que habita a Gran Sabana. A formação geológica é composta de blocos de arenito do pré-cambriano e quartzo arenito que se erguem abruptamente na selva, dando origem a um espetacular cenário natural.

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As montanhas de mesa do parque são consideradas algumas das mais antigas formações geológicas da Terra, que remonta a cerca de dois bilhões de anos atrás. A elevada precipitação promoveu a formação de pseudocarstes e inúmeras grutas, além do processo de lixiviação do solo. Muitas das espécies encontradas em Roraima são exclusivas no planalto. A flora adaptadas às condições climáticas e geológicas, com um alto grau de endemismo, apresentam várias plantas carnívoras, que buscam nos insetos os nutrientes que faltam no solo. A fauna também é marcada por um endemismo afiada, especialmente entre os répteis e anfíbios. Este ambiente é protegido em território venezuelano pelo Parque Nacional de Canaima e no Brasil pelo Parque Nacional do Monte Roraima.

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Seu nome “RORAIMA” consiste nas palavras do idioma Pemon “RORO”, que significa verde-azul e “IMA”, que significa grande, isso se traduziria “Grande verde-azul”, embora a maioria dos Pemones se referem ao Roraima, de nome feminino, como “a mãe de todas as águas” provavelmente devido ao declínio dramático em múltiplas cascatas para baixo das paredes inclusive com maior vazão quando há precipitação pluviométrica. O acesso é praticamente único e parte pelo território venezuelano, que possui 85 % da área superficial do tepuy Roraima. Apesar de você encontrar empresas turísticas nos três territórios, os mais famosos são venezuelanos, que tem como guias os nativos pemon. A diferença entre o tours venezuelano e brasileiro, é principalmente na quantidade de dias. Pois usualmente a venezuela tem 6D, e a brasileira 8D. Uma vez que a área de superfície do monte é enorme, há uma permanência maior em cima tepuy para chegar a lugares como a Proa e a tríplice fronteira.

Fui com uma empresa venezuelana e tive a oportunidade de estar no meio de um maravilhoso grupo de aventureiros. Também fui por território venezuelano. Fiz paradas em Caracas, Puerto Ordaz e de lá a transferência foi de 10 horas por estradas, atravessando toda a Gran Sabana. A travessia foi muito bonita, mas bastante cansativa (incluindo o regresso), mas necessário por este caminho. Se você por acaso for para a Angel Falls, parque canaima e foz do rio Orinoco, este seria o melhor acesso .Mas se você for apenas para o Monte Roraima, talvez o acesso pelo território brasileiro seja menos cansativo, com o aeroporto mais próximo em Boa Vista – 3 horas .

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Iniciando o trekking, no 1º dia saímos de Santa Elena cedo e fizemos uma parada em um duty free por recomendação do nosso guia para a compra de licores e destilados, que nos ajudaria nas noites frias (sim valeu a pena!). Após isso, tomamos a estrada, cerca de uma hora, até que a cidade de Paraitepuy (comunidade indígena) passando por outra comunidade de San Francisco de Yuruani. Chegando em Paraitepuy, ainda tivemos tempo para um pequeno almoço e para fazermos os últimos ajustes antes do início . Neste primeiro dia de caminhada iniciamos descendo de uma altitude de 1200 m para 1000 m no rio Tok, o passeio teve cerca de cinco horas com a travessia de alguns rios. À noite, jantar e pernoite pela primeira vez sob o céu estrelado de La Gran Sabana

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Segundo dia foi perfeito para desfrutar de um passeio pela Gran Savana, que oferece inúmeras oportunidades para apreciar a natureza e para os amantes da fotografia. Subimos até ao acampamento base a 1870 metros, onde tivemos tempo para nós refrescar em um córrego próximo, enquanto os nossos guias preparavam uma refeição quente. Novamente vistas incríveis, inclusive à noite.

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Dia 3: É, provavelmente, o dia mais difícil, mas com certeza o que dá mais satisfação. Começamos a subida passando por inúmeras cachoeiras. Muito importante é ter um bom café da manhã para haver energia para o trekking e então iniciar o ataque ao cume do Roraima. Você passará por debaixo de uma cachoeira chamada “Passo das Lagrimas” principalmente se houve precipitação recente, o cenário é lindíssimo!

Veja o video da cachoeira no link:

LA RUTA HACIA EL RORAIMA

Entramos em uma selva densa, com uma beleza esmagadora e habitat de várias espécies de aves que podem ser fotografadas no local. Ao chegar ao topo, podemos ver formações rochosas extraordinárias como “The Flying Turtle” entre outras. Finalmente, o guia nos  leva  até o nosso “hotel “, como é comumente chamada as cavernas usadas para estabelecer os acampamentos. O Roraima é uma compilação de opiniões surpreendentes e inesperadas (difícil de descrever), muitos se referem a ele como sendo de “outro planeta”, eu cito como um “cenário alienígena”. Além disso há muitos locais extraordinários e singulares, os melhores para se visitar são “The Maverick ” ou ” Chariot ” o ponto mais alto de Roraima, “Vale do Cristal”, a Jacuzzi, “La Cueva Guácharo”, a Janela (La Ventana), “La Catedral” ou ainda mais longe, quanto a tríplice fronteira “Triplo ponto ” entre a Guiana , Brasil e Venezuela e a Proa. No 5º dia, descemos por cerca de sete horas até os rios Tok ou Küken .

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Se pode sempre olhar para trás para apreciar a vista do majestoso Roraima e Kukenan. Esta caminhada está dividida em duas partes, a descida da escarpa até o acampamento base, onde se faz uma pausa com um rápido almoço, e a segunda até o acampamento e travessia dos rios. Um nativo me disse que rio Küken (não Kukenan, transcrição errada) significa sujo devido ao forte fluxo que mistura os sedimentos, na foz do rio, e o monte Kukenan que inspirou o filme de animação Up , é referido o lugar como o monte Matawi-Kukenán (que significa “quer morrer” ou “ponto de suicídio”), um lugar sagrado, pois o monte guarda os espíritos dos guerreiros Pemón, que eram jogados do alto após a derrota para os índios Macuxis nas seculares batalhas pela posse das terras. Esses espíritos, ao serem molestados, desencadeiam sua ira e são os responsáveis pelo desaparecimento dos turistas que ousam enfrentá-lo.

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Sim, a caminhada é possível com disciplina, e capaz para qualquer um que quiser e tentar. Vi senhoras japonesas de 60 anos subindo também, elas me surpreenderam! Os guias aguardam os que chegam mais tarde e sempre possível umas paradinhas para descansar. Melhor cenário impossível! Parei duas vezes nas cachoeiras pelo caminho para um banhinho gostoso. Fora quando descobrimos uma acampamento com cerveja, daí literalmente estacionamos! Havia um menino com lesão e quando ele chegou foi um momento comemorado por todos (afinal de contas o resgate custa U$3000)! Sucesso, se você quiser, você pode!

Chegando ao final, finalmente se encontram bares e bodegas com cerveja bem gelada para se brindar e comemorar mais uma página escrita em nossa história!

Mais imagens podem ser encontradas no link:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.333201356866517.1073741831.328355864017733&type=1

E também a versão em inglês:

https://rxplorer.wordpress.com/2014/12/03/mount-roraima-tepuy-roraima/

P.S.1 Não, eu não encontrei o comendador, só japas em helicópteros. Não, a novela não foi gravada lá, e sim na chapada diamantina. A topografia e a geologia do monte é totalmente diferente de qualquer coisa que você tenha visto ou imaginado, parece que estamos entrando na lua ou marte enfim. Não há diamantes rosas, mas há muitos cristais brancos e transparentes, eles brotam da terra, formam rios, além do jacuzzi! A coisa mais linda! Confira nas fotos!

P.S.2 Para os que desejam, fui com a operadora Araguato Expeditions http://www.araguato.org/ indicada pelo Lonely Planet e Rough Guides eles utilizam os serviços de tour dos Backpackers.

P.S.3 Minha tia me questionou sobre os mini sapinhos… sim eles existem! E são muito pequenos e ficam camuflados na rocha preta, em razão de serem pretos também, todo o cuidado é pouco para não pisar neles, e não são venenosos rsrsrs

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P.S.4 O hostel que fiquei em Santa Elena é Los Pinos, o dono é um alemão, então da para imaginar o capricho!

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Um pensamento sobre “Monte Roraima – Versão Português

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