Grand Canyon

Aos que não sabem o Grand Canyon possui diversas entradas, a mais comum e visitada pelos turistas passageiros é a West Rim por ser a mais próxima de Los Angeles e Las Vegas e é a mesma que possui o SkyWalk, aquela passarela de vidro suspensa.

Eu no caso fui ao South Rim, eleito o melhor segundo o Trip Advisor. Já os americanos elegem o North Rim como o melhor, dizendo que proporciona vistas únicas e foge da grande procura pelos turistas. O North Rim é o com maior altitude e se encontra fechado no período do inverno, meu próximo destino do Grand Canyon.

Bom, retornando ao foco deste post, no caso, o South Rim e suas trilhas. Resolvi escrever pois eu fiquei cheia de dúvidas quando comecei a procurar uma trilha para mim. As coisas não são bem específicas e não temos ideia do quanto é longe o Colorado River bem como a diferença altimétrica do Canyon, e sim se desce bastante, algo em torno de 1500m de diferença altimétrica.

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Eu acabei decidindo ir em Março pois queria visitar San Francisco sem fog, e sim obtive muita sorte. E para completar a sorte peguei neve no Grand Canyon! Digo-lhes que foi algo inédito e valeu a pena.

Para iniciar eu cheguei de avião a Flagstaff, o aeroporto mais próximo, voei vindo de SF e a passagem custou em torno de $100, ela não foi muito econômica, e também não permitia despachar bagagem, havia mais um custo de $25 para cada mala.

Meu voo chegou tarde, próximo da meia noite, e não haviam mais táxis ou sinal de vida. A minha sorte que conheci um casal onde a mulher era brasileira casada com um americano, bom ela me ofereceu uma carona o que salvou minha vida. Portanto, tome cuidado caso chegue depois das 21h porque depois do último transfer realmente não há mais nada no aeroporto.

Fiquei num hotel chamado Little America, muito bom e novamente com um preço bastante acessível, atenção apenas pois o breakfast é a parte.

Contratei um guia que me guiaria nas trilhas, a empresa me buscou em Flagstaff e me conduziu até o Grand Canyon, aproximadamente 2 horas de distância. Na realidade, existem transfer e um trem turístico que lhe porta ate lá, mas como a ideia era iniciar cedo a trilha ele me buscou no hotel às 7h, incluso no preço da trilha.

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O trem no caso se chama http://www.thetrain.com/ e parte de Willians uma cidade vizinha, 20 minutos de Flagstaff.

O transfer é o Shuttle Arizona, este que utilizei para o retorno http://arizonashuttle.com/cities/flagstaff/

Lhes digo que Março foi um mês bom, pois os preços não estavam tão onerosos e as trilhas não estavam cheias, contou-me o guia que na semana seguinte iniciaria o Spring Break e a partir daquela data todas trilhas não seriam mais como aquele momento de paz até a entrada do verão, portanto novamente, sorte. Sim no verão a procura baixa, pois as temperaturas chegam a 50 °C. E apesar de eu ter pego temperaturas no topo de 2°C durante o dia e negativas durante a noite, na caminhada, ao descer, as temperaturas chegaram a 12°C, ou seja, foi super bom.

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A trilha que realizamos se chama South Kaibab Trail, também eleita como a preferida pelos turistas pois desce sempre pelo espigão mantenho uma vista incrível a todo o momento. Porém, a trilha histórica e clássica se chama Bright Angel, ambas se unem no Phantom Ranch que é o acampamento junto ao Colorado River, portanto se você pretende passar alguma noite ou fazer trilhas de 2, 3 dias a ideia seria ir por uma e retornar pela outra. Ou então, seguir toda a própria Bright Angel do South ao North Rim e vice-versa sempre caminhando pelo Bright Angel Creek. Reserve o Phantom Ranch (acampamento) pois ele enche, há também cabanas lá.

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Bom eu acabei realizando a South Kaibab e pedi, implorei ao guia me levar o mais próximo possível do Colorado River, na realidade eu queria ir até a ponte, mas é longe acredite, uns 10km desde o início da trilha. Realizamos uns 8km de descida e consegui observar a ponte e o rio, antes de uma última descida brusca e travessia. As pessoas até se impressionavam que estávamos fazendo tudo em um dia só, a dica seria ir até o Phantom Ranch acampar e retornar no dia seguinte, porém os pacotes de guias não te proporcionam apenas 2 dias de trilha, o mínimo é 3. Mas não há nenhuma dificuldade em planejar sozinho essa trilha, é tudo muito bem marcado, há muitas outras pessoas também realizando, o parque te da um mapa com todas as trilhas, ônibus e informações na entrada. A partir daí depende de cada um, como estava sozinha contratei a empresa All-Star Grand Canyon Tours, o meu guia se chamava Nick e foi excelente pessoa do início ao fim. Fomos caminhando até um um pouco além do Tip Off Point, nossa trilha durou aproximadamente 6h com percurso de 15km incluindo ida e volta (observar mapa abaixo).

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Em anexo um vídeo gerado pelo meu GPS do nosso trajeto .

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Acabei dormindo em um lodge do South Rim chamado Maswik, mais econômico e próximo de tudo. Já o Lodge mais famoso e com o melhor restaurante se chama El Tovar, na realidade você poderá dormir em um e ir ao restaurante do outro, pois não há nenhuma refeição incluída. Todos podem ser encontrados nesse link inclusive o Phantom Ranch:

http://www.grandcanyonlodges.com/

No dia seguinte reservei a manhã para realizar o Rim Trail com a rota do ônibus vermelho, é um ônibus free que passa dentro do parque e te leva em todos pontos da borda do Canyon, reserve umas 3h para parar em todos pontos. Os ônibus passam de 10 em 10min então se você não quiser caminhar entre os trechos não há necessidade.

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Outra curiosidade da região são ou Mule Deer, que é uma mistura de mulas com veados, você os vê solto pelo parque.

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E falando em mulas, você vai os encontrar nas trilhas, cuidado pois eles se assustam! Às vezes estão carregando pessoas, outras vezes apenas equipamentos. Existem histórias de que alguns se atiram das trilhas apenas pelo susto mesmo, então quando os ver, de espaço e não faça movimentos bruscos.

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Respeite a fauna e a flora, e entre em harmonia com a natureza! Até vestígios pre-históricos você verá por lá.

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Grand Canyon é uma maravilhosa aula de Geologia, aproveite!!!

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If you’re going to San Francisco

Olá galera medonha! Acredito que eu aguardei uns dez anos para poder usar essa frase! E então, agora eu fui! E posso te dizer tudo de bom dessa cidade dos sonhos!

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Eu cheguei de carro pela Pacific Coast Highway, a famosa e linda estrada via Carmel e Monterey. Eu fiz ela completa mas quem tem menos tempo eu recomendo o trecho Obispo-Carmel que com certeza é o mais intrigante. Se você quer a melhor vista, faça descendo de SF a LA.

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Aluguei um carro Cabrio, bom você está na California então entre no clima. Cheguei a SF dirigindo e fui direto para a Golden Gate. Parei em todos pontos de visitação, esse é o sensacional da ponte, você pode, vê-la, revê-la e quando enjoar vai continuar a vendo! Há um antes de atravessá-la, outro depois (primeira saída a direita), e a vista do morro de Sausalito (segunda saída a direita), você deve pegar a saída da Alexander Ave e fazer o retorno pelo túnel por baixo da freeway. Suba a Conzelman Rd e a partir dali curta a vista!

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Deste mesmo lado se você continuar um pouco mais para dentro do Parque você também encontrará as Sequoias Gigantes no Muir Woods.

Visite o Golden Gate Park também. Lá perto existe a Moraga Steps na própria Moraga St com a 16th Ave.

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Subindo você chega ao Grand View Park que te da um panorama da cidade voltada para o Pacífico.

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Se você estiver dirigindo procure o mapa da 49 Mile Scenic Drive. Você pode acessar o mapa através desse link:

http://www.sftodo.com/scenic-49-mile-drive.html

O panorama free da cidade é o Twin Peaks, mas para chegar lá provavelmente você terá que ir de carro. Aproveitando ainda a deixa do carro, fui também a Treasure Island para uma visão da Bay Bridge. Lá se você for a Forest Rd você consegue se por acima da Ponte e ter uma visão bastante diferenciada.

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Entrando na cidade a primeira coisa que você deve fazer é andar de bondinho! Eu comprei o bilhete de três dias livre – US$28, pois o passe único é US$6, então eu girava o tempo inteiro pelas linhas. O transporte público em SF funciona então não há necessidade de haver um carro pela cidade, até porque estacionar por lá é um grande problema.

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Eu iniciei andando pela linha Powell – Mrk St. A saída da Market St. é a mais famosa e dependendo do horário as filas são quilométricas, portanto vá cedo, algo entre 8-9h você não espera nem 10min. A partir dessa linha há dois destinos, um é o Fishermans Wharf o ponto final é próximo ao Pier 39. E a outra linha Powell-Hyde vai até Ghirardelli Sq. Na realidade tanto faz, pois chegando ao Porto você caminhará toda orla. Coma um sorvete na Ghirardelli, vá até a Boudin na Jefferson St e experimente a sopa de crab no pão, e não deixe de visitar o Pier 39 também. A partir dali com o tram F você poderá ir também até o Ferry MarketPlace. Na frente há um relógio que toca de hora em hora. Dali você conseguirá ver também a noite as animações na Bay Bridge que se ilumina fazendo desenhos e imagens.

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Também do Pier 39 sai o ônibus 39 que te leva para a Coit Tower, o famoso panorama , porém a entrada é paga.

Da Ferry Plaza passa o bondinho California que te leva até a Catedral Grace, linda pelos seus vitrais.

Não deixe de ir ao Cable Car Museum, a entrada é franca e é aonde ainda funcionam os maquinários que movem os bondinhos da cidade. É também o estacionamento e a casa de maquinas.

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Claro que não pode faltar as visitar clássicas como da Lombard St., do qual o bondinho Powell-Hyde passa no topo.

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Além do passeio a alcatraz (compre com antecedência).

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O Palácio das Finas Artes também é uma ótima pedida ao lado do presídio pode ser visitado de bicicleta, entre pelo Gate Presidio,  e quem quiser pode ainda dar uma puxada dali até a Golden Gate pedalando pelas ciclovias. Sim a Golden Gate possui uma via pedonal e uma via ciclística, caso você pedestre também queira atravessa-la. Por isso, a possibilidade da passagem de pedestres a tornou também famosa pelo alto índice de suicídios. A ponte possui até um sistema de segurança para evitar novos pulos.

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Reserve um dia para fazer um walk tour pelo centro, existem vários free tour. Parta da Union Sq., vá a China Town, Little Italy e Financial District.

O atual Bank of America foi criado por um Italiano chamado Amadeo Giannni, foi ele quem financiou as obras da Golden Gate e em frente ao Transamerica Pyramid está a primeira sede do banco, construído em 1908 possui a fachada em granito e o seu interior imita o design de uma caixa de joias com piso em mármore branco e folhas de ouro. Endereço: Bank of Italy Building, 552 Montgomery Street, San Francisco.

A última sede, Bank of America Center, também conhecido como 555 California Street, uma vez que o  banco foi transferido de SF, foi construído todo em mármore importado da Itália. Contam que haviam encomendado mármore rosa e quando chegou haviam enviado tudo na cor marrom. É um dos arranha-céus mais altos do mundo.

E a ultima curiosidade conta que a Transamerica Pyramid possui este formato para nunca incidir sombra dela mesma sobre sua estrutura.

Para encerrar outro ponto lindo para se conhecer e observar o por-do- sol é no Sutro Baths.

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La Mision – Relato da Prova

Neste último mês de fevereiro estive presente em uma da mais desafiadoras prova da minha vida, senão a mais (até agora). Foram 27 horas non stop em uma prova de semi-suficiência na montanha.

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A prova se chama La Mision é realizada em Vila la Angostura na Patagônia Argentina e tem como desafio a semi-suficiência, ou seja, carregarmos todos nossos equipamentos necessários e obrigatórios além de nossos alimentos e bebidas nessa ultratrail. Para ter uma noção minha mochila pesava em média de 5 a 6kg, dependendo de quanto eu estava carregando de líquidos. Isso porque eu não acampei pois se encontrava mochilas majestosas! Os líquidos eram reabastecidos nos rios, que de desgelo possuíam água potável.

Eu realizei a Half Mision de 80k, mas a prova principal era de 160k. Esta seria minha primeira ultramaratona após uma lesão que tive, portanto comecei com parcimônia!

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O clima estava bastante quente, diferente dos anos anteriores, o ar estava bastante seco e as cinzas vulcânicas estavam bastante dispersas. Ao longo do percurso vi muita gente passando mal, vomitando e desistindo em razão de respirar as cinzas. Uma menina me disse sentir ardência nos olhos já na metade do percurso e logo parou. Não vou negar que isso também tenha me feito um pouco mal, mas meu corpo talvez tenha reagido de uma maneira menos agressiva.
Ao iniciarem a chamada para o check in, na largada, conseguimos entrar rapidamente e nos posicionamos bem em frente! O legal é que aparecemos bastante nas fotos e no vídeo da contagem regressiva.

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Larguei junto com uma amiga que estava fazendo a prova de 160k, e que por sinal era mais forte que eu, mas consegui acompanhá-la nos primeiros quilômetros… quando chegamos ao topo da primeira montanha o Cerro Colorado eu ainda a avistava, mas decidi segurar um pouco o ritmo. Dali comecei a ajustar os equipamentos fazer minha primeira refeição além de  administrar melhor meu tempo, ao fundo se avistava o vulcão Tronador e uma paisagem lindíssima para se curtir uns minutinhos ao menos! Mais uns quilômetros chegavamos ao topo do Cerro Bayo, dali em diante eram só descidas. Quando entramos no bosque, já na base do Bayo, eu encontro um outro amigo meu que me acompanhou por mais alguns quilômetros até o topo do 3 nascientes. Já tinham se passado umas 5h e aproximadamente uns 25km, logo mais ao km 35 separariam os corredores dos 80km e dos 160km, mas até ali aquelas companhias já tinham me ajudado muito e me colocado em um ritmo muito bom.

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Quando separamos entrei no bosque novamente e percebi que de repente a quantidade de pessoas havia diminuído drasticamente, questiono minha posição no posto de controle (PC) e ele me indica que eu estava entre as primeiras posições. De repente eu tiro um gás e aumento meu ritmo até encontrar uma menina que seria a 4 colocada, era uma brasileira! Ela me disse já estar fatigada e que iria parar, insisti um pouco, mas ela já estava decidida, estávamos próximo do 1o posto de abastecimento (Camp), metade do nosso caminho, km43.

Ao chegar logo me disseram que eu estava em 4o e que as 3a e 2a colocadas não estavam longe. Acabei sendo bem rápida para o abastecimento, e enquanto as pessoas chegavam e resolviam deitar, descansar, trocar de roupa…eu segui a diante, “bom vou achá-las”! Era caminho para o monte (segundo eles) mais desafiador: o O’connors, este com maior altimetria acabei sendo avisava que passaria umas 5h sozinha nele, portanto era para me reabastecer bem. Já estava noite e notei dois meninos saindo um pouco à frente de mim, bom não me amedrontei e fui! Sozinha mas fui! Um dos equipamentos obrigatórios era a headlamp que iluminava as marcações como os olhos de gato que te iluminavam a trilha pela noite. Lembro de quando eu subia eu sempre avistava a luz dos meninos um pouco ao longe mas sabia que eles estavam ali… logo quando sai do bosque e olhei para trás vi toda a cidade iluminada, mas a subida mal tinha começado.

Neuquén

Ao subir toda vez que eu erguia a cabeça para procurar a trilha eu via aquela linha de pontos que se confundia com as estrelas, sim eram subidas íngremes que pareciam infinitas…e quando eu achava que tinha superado um pico lá vinha outro escondido atrás. Foram umas 5 vezes que acreditei ter chegado ao topo! Dai eu encontro uma placa! “Jesus te ama” obrigada Jesus então eu já cheguei!? Que nada! Lá vinha outra! Realmente eu demorei umas 3h só para chegar ao topo! Segundo os cálculos então seriam mais umas duas horas para descer. Nisso eu escuto um barulho de rádio, e já era 1h da manhã! Eu sortuda encontrei um controlador no meio da montanha, alguém havia informado que eu estava sozinha e ele então foi patrulhar, desceu comigo por aproximadamente 1h! Foi mais uma das minhas salvações! Conversar com aquela pessoa aquela hora foi maravilhoso! Ele disse que preferiu patrulhar para se manter acordado, além do que as marcações dentro do bosque eram bem mais complicadas de se ver a noite e no fim fiz uma amizade muito boa!
Ele logo me informou ao chegarmos no PC, você é a 3a colocada e a segunda está há uns 30min ela não está bem e você com esse ritmo alcança ela! Quando dizem isso até parece provocação, algo do tipo, corra mais, apesar de já estar 13h correndo, está fácil! Bom passei o resto da madrugada sozinha correndo dentro do bosque, eu só avistava de vez em quando aquela baita lua, minguante, mas enorme, e amarelona! Quando eu achava que estava perdida eu olhava para ela e sabia a direção certa novamente!

A partir daí começou a esfriar, tirei todos os casacos de dentro da mochila, além das luvas e me mantive aquecida até amanhecer! Todo PC que eu passava eu encontrava uma série de pessoas paradas em volta da fogueira, mas parar não era uma opção. Comecei a subir novamente o 3 nascientes e avistei o nascer do dia. As pernas já doíam e eu só pensava em chegar na última montanha para terminar. Quando atingi o Km 70 perguntei ao PC, quantos quilômetros faltam? E ele bem tranquilo me disse “só 12”, ai eu achei que era reta final, e que podia dispender todas minhas energias. Só que não. Quando eu olho eu vejo a última montanha, o famoso Buol. Pra que!? Pensava que só podia ser ignorância dos organizadores aquilo (no bom sentido). Como assim!? Isso não é corrida é escalada! Juro, era uma parede vertical, cheia de pedras soltas, eu nem queria olhar para baixo, minhas pernas estavam travadas, eu tinha quebrado um trekking pole e só tinha me restado o outro. Acabei achando um pau para substituir o segundo e a escalada começou, novamente a cada vez que eu achava que estava chegando, aparecia outra parte escondida dizendo “suba mais”, quando encontrei o PC lá em cima eu pensei, cheguei, mas a inocente sabe nada. Ele me responde “mas un ratito”. Questiono sobre a segunda colocada e ele responde que a segunda era eu! “Quanto mais falta!?” A resposta era foi mais uns 10km. Que!???? Faz mais de uma hora que estou escalando isso!!! Não era possível!!! E enfim continuei escalando! A água tinha terminado, era já meio dia e o calor totalmente escaldante! Pensei naquele momento, por que nenhuma viva alma me contou dessa montanha!? Eu estava já exausta, morrendo de sede e o O’connors parecia carrossel perto daquilo! As pedras continuavam soltas e quando você olhava para as beiradas você via precipícios! Dai pensei: “ah claro agora entendi a função do capacete!”. Claro que isso é uma ironia porque com aquela queda nem se brinca!

Superado o Buol eu via de longe Vila La Angostura, e pessoas!!! Claro estávamos saindo já das montanhas e entrando nos parques, eu continuava a questionar a distância e parecia que ela nunca mudava! Dai a inteligente resolve se perder, nos 5km finais. Pois eu vi alguém se aproximando e não entendia quem era, logo, sem essa pessoa passar por mim eu escuto a sirene tocando… era o vencedor da prova dos 160k, ele chegava junto comigo. Mas espera ai, por onde ele passou? Como ele chegou? Onde eu estava? Perdida claro! Acabei dando um nó nas trilhas e cai na rota do outro lado da montanha, devo ter ganho uns 5km na conta. Se 80k era pouco…bom mas contam as más línguas (outro que se perdeu também) que fomos os únicos a ver uma cachoeira maravilhosa!

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Mas tudo bem quando cheguei meu segundo lugar estava lá me aguardando!!! O intervalo para a terceira era de mais 2h.
Outra vez não nego que me decepcionei na chegada pois achava que por ter me perdido nos quilômetros finais eu seria desclassificada… mas segundo a organização eu tinha passado por todos PC importantes então aquilo não importava.
Há quem questione porque os tempos aumentaram dos outros anos?
Bom eles inverteram a rota e todos tempos sofreram um acréscimo, há quem concorde que o Buol como surpresa final foi o ápice do exaustivo trabalho psicológico ao qual nos submetemos. E uma benção aos tombos na sua descida! Eu não nego que uma hora cai de bunda, sentei olhei para o céu e fiquei viajando…algo do tipo me busquem que daqui não levanto mais!
Mas tudo absolutamente tudo valeu muito a pena, e claro que eu voltarei para os 160k, É CLARO!
Quando eu falo que isso não é só experiência, é vida, é ter histórias para contar, continuam dizendo que não sou muito normal! Mas ao ver essas fotos você também tem vontade de estar lá, você tem!

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Dicas para mochileiros de plantão!

Olá aventureiros! Dicas para viajar bem?
Bom as vezes precisamos errar para aprender não é? Mas não se tiver alguém para lhe contar antes! Então para ajudar selecionei algumas dicas básicas que aprendi depois de algumas tropeçadas.

Dica 1: carregue o necessário!
Conte os dias que permanecerá fora, verifique a previsão do tempo e calcule as roupas necessárias. Geralmente é bom carregar um casaco extra ou um corta vento caso ocorra alguma intempérie pelo caminho. Conte o número suficiente de meias e roupas íntimas. Aliás para roupas íntimas use sempre carefree (meninas), ajuda bastante! Se for tempo quente uma calça jeans basta. Frio, uma capri. Malhas ajudam a ocupar menos espaço nas malas portanto leggings são sempre bem-vindas. Assim como shortinhos de crepe e seda. E blusas básicas, eu apenas trocava a primeira camada e repetia as seguintes.

Dica 2: líquidos e cremes.
Você não precisa carregar um salão de beleza junto. Vá a alguma farmácia e procure pelos potinhos de 100ml. Coloque todos seus cremes, perfumes, líquidos em potes menores que 100ml! Você nunca sabe se precisará pagar por algum despache de malas, assim você não se obriga a despachar pelos líquidos.
Eu também tenho uma valise com um gancho tipo cabide assim apenas abro e penduro. Não necessito ficar tirando e catando nada pela mala.

Dica 3: separe tipos de roupas em diferentes sub-secções. Coloco minhas meias em um saquinho, diferente de outro saquinho com roupas íntimas, diferente de outro com calçados e ainda um saquinho extra para as roupas sujas. Assim em cada canto eu sei onde estará o que procuro.

Dica 4: mala troller. Se você puder compre uma troller ela é a mala com rodinhas indicada para não se despachar. Dentro do Brasil o permitido são 5kg e no exterior 10kg. Lá fora eles regulam bastante mas no Brasil nem tanto. A viagem fica muito mais fácil quando você não despacha uma mala. Fora a troller uma mochila de 40 a 60 litros (comprimida) também dá!

Dica 5: raio x. Evite viajar com cintos, botas, joias ou qualquer acessório metálico, você deverá tirar tudo isso no raio x. É realmente chato ficar segurando uma fila ou se perdendo todo com um monte de tralhas. Sim eu já perdi joias nesse “bota e tira”, hoje em dia viajo com roupas esportivas e sem nenhum penduricalho.

Dica 6: faça rolinhos com as roupas.
Eu não dobro nada, apenas enrolo, ocupa menos espaço e não amassa. Assim tudo se encaixa dentro da mala.

Dica 7: vá atrás de toalhas esportivas, elas tem menos volume e secam mais rápido. Comprei a minha na decathlon, essa loja também vende online.

Dica 8: leve uma garrafa vazia de água. Você sempre encontrará um bebedouro pelo caminho. A Europa é um lugar cheio de fontes e você pode enche-la a cada esquina, além de economizar.

Dica 9: seja aberto e converse com as pessoas elas sempre te darão dicas legais! Além de as vezes conhecer alguém de outro local que te convidará para conhecê-lo! Visitar um local é uma experiência única. Ah mas nos eua quando começarem a lhe oferecer cremes e produtos em frente às lojas, evite, tentarão depois lhe vender o produto a todo custo!

Dica 10: seja educado. Como mochileiro você estará entrando em outra cultura, é bom observar e seguir os costumes locais. Por exemplo o primeiro mundo respeita demais faixas de segurança e sinais vermelhos.

Dica 11: experimente. Experimentar produtos locais abre muito nosso conhecimento de mundo. Nem sempre você irá gostar mas em muitas outros casos você descobrirá novos temperos além de ter história para contar os seus filhos! Ou para seus amigos! “Filho eu já comi um porquinho da Índia sabia!? É comum no Peru” ou “amigo europeu sabe o que é mais gostoso em um churrasco brasileiro!? Coraçãozinho de galinha!” A expressão das pessoas é sensacional!!!!

Dica 12: utensílios. Carregue protetor solar sempre e manteiga de cacau para os lábios! Você estará sempre exposto a sol e ventos! Em ambientes mais tropicais não esqueça do repelente. Caminhou bastante e criou bolhas? Existe um produto maravilhoso no primeiro mundo que se chama compeed ou hidrocoloide, resolverá qualquer problema de bolhas.

Dica 13: free tour/walking tour. Aproveite os walking tour, eles lhe contaram melhor sobre a cidade do que qualquer livro, e em troca só lhe pediram alguns trocados (conforme seu desejo) para colaborar com o trabalho deles! Procure em neweurope.com as cidades disponíveis e os pontos de encontro.

Dica 14: tabelas de conversão. Caso queira comprar algo como sapatos ou roupas é legal saber seu número em outro país. Tudo é diferente. Caso você vá aos EUA, saiba a conversão ainda de km para milhas, litros para galão, metros para feet, entre outros.

Não esqueça do adaptador para tomadas também!

Se você tiver mais dicas para compartilhar conosco, sinta-se a vontade! O importante é compartilhar mais e mais experiências.

E uma boa viagem!!!