Divulgação de percurso prévio? Qual sua opinião?

Eu recomendo sempre analisar e estudar todas suas provas.

Mas e quando uma prova não disponibiliza seu trajeto? Ou protege seus dados? Que opinião podemos ter a respeito de tal atitude? Julgar que um atleta chegue “cego” em uma prova? Julgar que é mais “justo”?

Eu sempre trabalhei com estratégia, eu não posso confiar fielmente na minha capacidade física e prefiro sempre estudar trecho a trecho. Na minha opinião é necessário, principalmente para se ter noção do espaço de cada PC, o quanto de alimento e líquido devo carregar, a necessidade de trekking poles, do solado mais adequado para terreno, peso para se carregar, entre outros fatores. Toda economia é ganho! Não acredito que seja mais justo não apresentar dados primordiais. Principalmente por desconhecermos a região devemos estudá-la! Não ter acesso a dados é sim favorecer quem é da região!

Corrida de montanha, não é apenas colocar um tênis e correr, exige muito mais que isso. Exige conhecimento de mapas, de leitura de informações, de análise de equipamentos. Pode parecer balaca, mas não é.

Então vem outro questionamento.

Você sabia que toda corrida com validação ITRA tem seu percurso publicado dentro do mesmo site?

Sem exceção toda prova validada pelo ITRA tem o seu percurso publicado no Trace de Trail. Às vezes eu encontro pessoas encucadas com determinadas provas sem elas mesmo saber que antes da organização divulgar o percurso no seu site oficial o tal percurso já se encontra no ITRA/Trace de Trail (caso a mesma apresente o símbolo da validação). Sim, eles precisam carregar os dados para ter a validação, portanto se você procura aqueles pontos e ainda tem dúvidas na rota que a prova apresentará, a resposta é simples.

Entre no calendário do ITRA

http://www.itra.run/page/290/Calendrier.html

Realize sua busca. Por exemplo:

Clique no país Brasil e selecione o período da sua busca.

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Fazendo isso, procure a prova de seu interesse. Encontrei logo a prova do amigo Kleber Naventura Ouro Fino e cliquei para averiguar dados relevantes da prova.

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Aparecerá o Trace de trail com a rota, bem como a pontuação basal da prova (340 para os 50km), o nível de montanha (4), website e uma breve descrição.

A pontuação basal é aquela que determina seu índice ITRA após os resultados. Verificar uma boa pontuação basal ajuda a elevar seu ranking quando você almeja estar entre os melhores.

Portanto, não basta colocar os tênis e correr. É também importante saber como se alimentar, como se hidratar, o quanto carregar, qual tênis e equipamentos utilizar e o porquê de utilizá-los… se você sofre com bolhas, saber áreas úmidas, ter meias extras, ou ter bandagens para proteger, tudo influencia! E poderá favorecê-lo em determinado momento! Acredite, tudo se aprende com tempo e experiência. Sendo assim, para mim, estratégia depende do estudo da prova, portanto quanto antes: MELHOR. E para você?

 

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Situações de Treinos

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É incrível como eu gosto de inventar moda, e é incrível como as pessoas ainda não perceberam isso. Elas continuam insistindo em querer vir treinar comigo mesmo sabendo que pode dar uma zica enorme. Afinal de contas eu sou a Raissa.

Vara mato é fato. Não obstante eu sou toda alérgica, saio parecendo um boneco Michelin e acho divertidíssimo. O que eu mais gosto é água! Travessias de rios é o ponto alto da trilha. E encontrar aninais peçonhentos então, acho uma benção da natureza poder encontrar qualquer tipo de animal pelo caminho. Mas tem algumas pessoas que não concordam muito. E mesmo sabendo isso, elas insistem.

Perguntas frequentes: a gente faz em uma manhã? NÃO! Porque existe a probabilidade da gente se perder, mas eu não preciso salientar esta hipótese. Ou aquele que chega no meio da trilha e diz. Cansei, tem atalho? (Oi?)

Até meu irmão que costumava ser uma versão piorada minha me disse: você só me coloca em encrencas. Acho que o espírito explorador suicida está aflorando apenas em mim…

“Raissa você já fez essa trilha?” Definitivamente a resposta é uma só… e claramente estou usando vocês de cobaia.

Uma das situações mais bonitas que presenciei foi ter visto um Macuco, um pássaro em extinção, e seus ovos cor verde piscina. Sim, às vezes a natureza nos recompensa.

JP é testemunha na trilha da vovó quando Melina estacionou para comer umas bergamotas e a velhinha quase nos tirou a tiro! Ou quando paramos no meio do rio das Antas, um rio de enorme vazão, com hidroelétricas para geração de energia, e o Wobeto resolveu atravessar duas vezes a nado (matou uns do coração).

Na última trilha longa com Xandão encontramos uns tropeiros no meio do caminho e eles claramente expressaram esta frase: vocês não terminam isso hoje, e vocês vão morrer desse jeito lá em cima. É terminamos realmente a noite, mas graças a Deus não morremos.

A gente sofre mas se diverte.

E o melhor é a cara de pavor das pessoas que passamos pelo caminho com expressões de “da onde vocês surgiram? ”, “como chegaram aqui? ”, “cadê o meio de transporte de vocês? ”, “mas para que vir de tão longe? ”, “cadê a barraca de vocês? ”, “vocês são loucos? ”, “vocês pretendem voltar ainda hoje!? ”. Confesso que acho super prazeroso trocar ideias com os colonos de fora, eles geralmente são muito receptivos e a troca de experiências para quem vive em um apartamento é maravilhosa.

Definitivamente o que me move não são as marcas de famosas de equipamentos e sim as marcas das cicatrizes das trilhas. Eu consigo distinguir perfeitamente a origem de cada uma e tenho orgulho em carregar comigo, porque através de cada uma consigo identificar as histórias dos meus treinos. E que as parcerias não morram depois dessa confissão.