Situações de Treinos

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É incrível como eu gosto de inventar moda, e é incrível como as pessoas ainda não perceberam isso. Elas continuam insistindo em querer vir treinar comigo mesmo sabendo que pode dar uma zica enorme. Afinal de contas eu sou a Raissa.

Vara mato é fato. Não obstante eu sou toda alérgica, saio parecendo um boneco Michelin e acho divertidíssimo. O que eu mais gosto é água! Travessias de rios é o ponto alto da trilha. E encontrar aninais peçonhentos então, acho uma benção da natureza poder encontrar qualquer tipo de animal pelo caminho. Mas tem algumas pessoas que não concordam muito. E mesmo sabendo isso, elas insistem.

Perguntas frequentes: a gente faz em uma manhã? NÃO! Porque existe a probabilidade da gente se perder, mas eu não preciso salientar esta hipótese. Ou aquele que chega no meio da trilha e diz. Cansei, tem atalho? (Oi?)

Até meu irmão que costumava ser uma versão piorada minha me disse: você só me coloca em encrencas. Acho que o espírito explorador suicida está aflorando apenas em mim…

“Raissa você já fez essa trilha?” Definitivamente a resposta é uma só… e claramente estou usando vocês de cobaia.

Uma das situações mais bonitas que presenciei foi ter visto um Macuco, um pássaro em extinção, e seus ovos cor verde piscina. Sim, às vezes a natureza nos recompensa.

JP é testemunha na trilha da vovó quando Melina estacionou para comer umas bergamotas e a velhinha quase nos tirou a tiro! Ou quando paramos no meio do rio das Antas, um rio de enorme vazão, com hidroelétricas para geração de energia, e o Wobeto resolveu atravessar duas vezes a nado (matou uns do coração).

Na última trilha longa com Xandão encontramos uns tropeiros no meio do caminho e eles claramente expressaram esta frase: vocês não terminam isso hoje, e vocês vão morrer desse jeito lá em cima. É terminamos realmente a noite, mas graças a Deus não morremos.

A gente sofre mas se diverte.

E o melhor é a cara de pavor das pessoas que passamos pelo caminho com expressões de “da onde vocês surgiram? ”, “como chegaram aqui? ”, “cadê o meio de transporte de vocês? ”, “mas para que vir de tão longe? ”, “cadê a barraca de vocês? ”, “vocês são loucos? ”, “vocês pretendem voltar ainda hoje!? ”. Confesso que acho super prazeroso trocar ideias com os colonos de fora, eles geralmente são muito receptivos e a troca de experiências para quem vive em um apartamento é maravilhosa.

Definitivamente o que me move não são as marcas de famosas de equipamentos e sim as marcas das cicatrizes das trilhas. Eu consigo distinguir perfeitamente a origem de cada uma e tenho orgulho em carregar comigo, porque através de cada uma consigo identificar as histórias dos meus treinos. E que as parcerias não morram depois dessa confissão.

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