Pico Paraná

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Escolhemos a dedo o ataque ao cume do Pico Paraná (PP) no fim de semana mais frio do ano. O receio inicial era pegarmos chuva e tempo fechado, mas por sorte do extremo frio, o tempo estava incrivelmente lindo.

Nosso planejamento iniciou com chegada ao Aeroporto Afonso Pena às 7h onde alugamos um carro e nos dirigimos à Fazenda Pico Paraná. Chegamos em torno de 9h por lá, apenas a tempo de organizarmos nossos equipamentos e iniciarmos o trekking.

A fazenda Pico Paraná é do Dilson e é sempre conversar com ele antes de chegar para esclarecer qualquer dúvida ou problema. Por exemplo, como estávamos indo de avião não tínhamos como comprar gás, então o Dilson providenciou para nós. Chegamos lá e Dilson disse: não comprei a tempo, mas lhe entrego no pico os dois liquinhos (oi!?). Dilson enviou entrega expressa de gás, parece até piada, mas um piá subiu em 1h30 o que já havíamos feito em 3h…

A fazenda tem estacionamento, alimentação, chuveiro. O valor é de R$10/pessoa chegando das 07 às 18 horas e R$15/pessoa chegando das 18 às 07 horas.

O almoço (PF) é servido até as 14h a um custo de R$10 (peça o adicional de ovo R$12), depois desse horário há pasteis que também são excelentes.

O trekking inicia com uma subida em single track passando por dois pontos de visão: Pedra do Grito no km1 e Acampamento Getúlio km3. O acampamento Getúlio é um ponto de divisão na classe de trilha. A partir dali se encontrará a placa de divisão de ataque ao Pico Caratuva ou seguir em frente ao PP. A trilha começa a ficar mais técnica com muitas raízes, cordas e alguns grampos. Seguindo em frente ao PP, no km4, encontra-se uma Bica de Água, abasteça nela, pois os seguintes rios possuem muita matéria orgânica e ferro, o que não são tão indicados a consumo. No km4,5 se encontra outra bifurcação para ataque ao Pico Itapiroca. Para esse pico, em ataque, sem cargueira, a subida demora menos de 30 minutos. Ali fica a primeira opção de acampamento. Dizem que é um belo pôr-do-sol, bem como nascer. Esse ponto é indicado caso não queira fazer o ataque ao PP direto no primeiro dia, o que é realmente desgastante, ainda pode se esconder a mochila por lá e fazer o ataque ao PP cedo no segundo dia sem carga.

Continuando em frente após o km4,5, inicia-se uma descida a um vale, novamente bem técnico o trecho. Quando o vale termina e se inicia novamente a subida, prepare-se, pois começará as subidas em grampos (km6,5). Se você tem medo de altura, leve uma corda de segurança, tanto para você como para alguém rebocar sua mochila, ajuda, pois a cargueira muda nosso centro de gravidade o que dificulta em certos momentos. O segredo é não olhar para baixo, e se eu com 1,50m consegui, você também consegue, acredite eu não alcanço a maioria dos grampos, mas encontro fendas nas pedras e escalo da maneira que posso, algumas vezes com um empurrãozinho de um amigo. Na realidade você pensará que superou a subida, mas não esqueça que você também voltará por ali.

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Superado os grampos, no km7,5 você chegará ao A2. Minha sugestão é deixe as cargueiras, pois o que virá pela frente será bem pesado. Se você treina e tem um bom preparo físico, ok. Mas se você está lendo isso provavelmente é porque não conhece, então como primeira experiência, acampe no A2. Nós acampamos até porque as rajadas de vento eram de me levantar voo, eu não conseguia permanecer parada, o vento realmente me carregava, e se ocorre qualquer problema naquele fim de semana, não imagino um helicóptero conseguindo resgatar alguém tamanha era velocidade dos ventos.

Nos 7,5km (até o A2) realizamos a subida em 5h, com tempo de movimentação em 4h. Éramos um grupo de 10 pessoas, o que nos fez realizar algumas paradas para reagrupar, bem como para nos alimentar. De qualquer maneira esse tempo não foi em ritmo de passeio, então dependendo essa subida pode demorar em até 7h. Após montarmos nossas barracas, o próximo 1km até o pico – em ataque – nos levou 40 minutos. Em tempo bruto, largamos as 10h da fazenda e atingirmos o pico às 16h20.

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Retornamos ao A2 onde passamos a noite. É meus amigos, as rajadas de vento eram incríveis naquela noite, bem como uma sensação térmica negativa. A dica é ficar perto da casa de pedra, onde há mais proteção do vento, e já é caminho para a trilha de água. É importante salientar que a busca pela água não é simples e exige pelo menos duas pessoas, senão você vai perder metade da água pelo caminho… é importante também lembrar que essa fonte é intermitente, ou seja, em certas épocas não há.

Bom, para o retorno, mesmo sendo grande parte descida, não se iluda que irá fazer muito mais rápido que a subida, porque não irá. A trilhas são bem técnicas e difícil de se desenvolver. Minha decida demorou 3h45.

A última dica é, se você tem um bom preparo físico, é possível sim fazer bate e volta com pouca carga. Mas escolha épocas com duração do dia mais longas, e saia antes do nascer. Procure pegar o nascer do sol no acampamento e Getúlio e boa sorte!

Nunca esqueça de ter equipamentos de primeiros socorros consigo, e sinal de telefone é ruim, mas é possível encontrar nas áreas abertas. Acima de tudo, seja responsável.

O último comentário do fim de semana foi: essas montanhas do Paraná não são para qualquer um… que experiência!

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Nesses links estão meus tracklog:

Fazenda > A2 https://www.wikiloc.com/hiking-trails/fazenda-gt-a2-25087041

A2 > Pico > A2 https://www.wikiloc.com/hiking-trails/a2-gt-pp-25087130

A2 > Fazenda https://www.wikiloc.com/hiking-trails/a2-gt-fazenda-25087160

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O que é o Zwift Cycling e Zwift Run

Zwift é um aplicativo que alia tecnologia ao nosso treinamento. Não há como negar que o “jogo” se torna viciante. O aplicativo, que pode ser usado no seu celular, iPad ou computador, é pareado ao seu rolo (no caso do ciclismo), tanto via bluetooth ou por antena ANT+ (dependendo do rolo adquirido). Os rolos chamados de Smart se conectam com a realidade virtual fazendo seu treino ser interativo com o mundo todo. Meu rolo é o Elite Qubo Smart+ e mede potência. Esta que trabalhará no jogo, onde a relação potência/peso montará seu fator de liderança.

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Ontem mesmo éramos 1.200 ciclistas pedalando pelas rotas de Londres (às 20h em São Paulo). E o mais incrível é pedalar com pessoas de todas as nacionalidades, indiferente fuso horário.

O próprio programa lhe dá alternativas de treinos, bem como rotas planas ou com altimetria significativa, basta escolher. Caso você tenha um workout já previsto, você pode montar seu treino nele, ou até exportar de planilhas como Training Peaks. O Zwift se conecta com Training Peaks, Garmin, Strava e muitos outros aplicativos. Acredite, um rolo nunca foi tão viciante. Você monta um network de amigos virtuais e pode se unir ao treino deles, montando pelotões e ainda pode rolar chat interativo junto!

Zwift já foi incorporado ao meu treino semanal indoor. Recomendo e super aprovo!

Já existe também o Zwift Run, que combina as mesmas rotas com corredores. Ainda são poucos que utilizam, pois o sistema Run foi incorporado neste ano de 2018, mas já se cruza por alguns durante a rota. Este necessita de uma esteira e o Stryd Live, um outro equipamento de potência para corrida. O Stryd se incorpora também a alguns relógios como Garmin, Suunto e Smartphones a treinos outdoor. É importante salientar a diferença dos equipamentos Stryd normal para outdoor e o Stryd Live para conexão indoor. Conheci o Stryd pelo ultratrail brasileiro renomado Fernando Nazário e pretendo testar em breve.

 

Confira o zwift em:

https://zwift.com/

Stryd em:

https://www.stryd.com/

Reclamar aumenta performance?

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Nas últimas provas fiquei pensando, talvez reclamar aumente a performance, não sei. Isso porque nós sempre procuramos algo para reclamar. Ou está quente demais, ou frio demais, ou está chovendo, ou tem muita neblina, ou nos molhamos no rio. Se encontrar um dia de treino perfeito nos 365 do ano, será o máximo, e não ver ninguém dizer um porém, o ápice.

E por causa disso, se aprende a total inutilidade de reclamar sobre coisas que não se pode mudar, como o fato de que durante o verão, é quente lá fora. No inverno, é frio. Às vezes, quando queremos fazer coisas ao ar livre, é ventoso. Ou chove. Ou as coisas que gostamos de fazer machucam nosso corpo. Ou temos que carregar mochilas pesadas para chegar a algum lugar para fazer alguma coisa. E lamentar sobre isso não faz exatamente nada para ajudar, principalmente ‘durante’ uma prova. Ela já está ali pré-programada, sendo realizada e não irá se ajustar para você. Todos estão nas mesmas condições, acredite.

E o pior é que você está fazendo isso porque quer. Praticar esportes de endurance, o próprio nome diz: “resistência”. Aprenda a lidar com isso, e desfrute das adversidades a seu favor.

Frio? Deveria ter trazido mais camadas. Cansado? Deveria ter ido dormir antes de começar as 3 da manhã. Com medo de um movimento duro em uma subida? Deveria ter treinado mais e ficado mais forte. Molhou? Traga uma muda extra de roupas. Normalmente, um de nós reconhece o ridículo do nosso passatempo: “Você sabe, poderíamos estar em casa bebendo e assando um churrasco”. É importante perceber, caso você se queixe, de que há um propósito diferente de apenas desabafar, e novamente não durante o processo.

Se estiver quente, reconheça e reveja as coisas que se precisa fazer para lidar com isso: hidratar, desacelerar, encontrar um ritmo que não resulte em insolação. Se estiver frio, certifique de que minha roupa esteja em camadas, para que não esteja suando e as extremidades não fiquem dormentes. Saber gerir seus equipamentos é fundamental, e essencial. Até porque praticamos esportes outdoor. Utilize da experiência obtida para os próximos treinos e provas. Até porque repetir o erro…

Aprenda que o prazer da ultramaratona está em sofrer. E isso é fatídico, irá ocorrer.

 

Inspirado na vida e no semi-rad