Montanha vs. Serviço de celular

Você está prestes a sair em uma viagem ao ar livre por três dias ou mais: um acampamento, uma prova de aventura, uma corrida de 100 quilômetros ou mais, isolado do mundo e do espaço. Você juntou todas as suas coisas e tem certeza de que tem tudo o que precisa. Se não, você terá que viver sem isso. Você programou seu e-mail do escritório, trancou a porta de sua casa e fez uma última parada para comprar um pouco de comida extra. Você está pronto. Será?

Você verifica seu telefone sabendo que irá perder o serviço de celular. Só para ver se há alguma última coisa importante. Apenas no caso de não poder esperar mais 72 horas. Em seguida, você verifica alguns aplicativos de mídia social para ver o que está acontecendo antes de entrar na escuridão dos dados. Quer dizer, vai ser bom ficar longe do seu telefone, e-mail, mensagens de texto, a notícia de que o mundo está se tornando um lugar terrível, as opiniões das pessoas, que não tem sido boas, notificação que seus amigos ou familiares estão mandando sobre algo que poderia ser muito importante, mas definitivamente não é. Vai ser bom voltar para a natureza e ficar longe de tudo isso por alguns dias. Mas talvez você deva verificar tudo (mais uma vez), só para ser neurótico.

Em algum momento, você perde o serviço de celular e coloca seu telefone no modo avião, e ele se transforma em nada além de uma câmera, (ou tocador de música). Você se sente estranho por algumas horas, sentindo que falta algo, mas sabe que terá que aprender a conviver com isso.

E depois de um dia, caminhando, correndo ou boiando em um rio, você para de pensar no seu telefone. Você aprende que o que está na sua frente é muito melhor. Você não se importa com as dezenas de fotos e centenas de palavras que você normalmente mal processa. O mundo pode descobrir porque você não está disponível. Incluindo seu chefe. Especialmente seu chefe. Impossível resolver um problema de engenharia no meio de civilizações remotas, admita. Lembro-me até hoje de um antigo chefe me telefonando no dia 31/12, enquanto eu tinha recém chego à Machu Picchu, após 4 dias a esmo, sem nem sequer ter tomado um banho durante a trilha, querendo que eu resolvesse um problema de obra…sem noção.

Você pode se indagar sobre a necessidade de todos esses aplicativos de mídia social. Dane-se, talvez você possa apenas viver aqui, no meio do nada! Você vai mudar sua vida. Talvez você escreva um livro sobre sua experiência, ou se torne um fotógrafo de vida selvagem. Seria maravilhoso, ou não. E simplesmente olha para as montanhas e reflete sobre o fato de que as mídias sociais não precisam te privar de viver em sociedade, é apenas saber sair da tela com mais frequência, e viver a vida na medida correta, dosando dados com convivência social e curtindo seu fim de semana na trilha com os amigos. Devemos aprender a viver mais em equilíbrio, sabendo dar importância aos valores que valem, desintoxicar do vício e da dependência da vida alheia. Viva mais.

Baseado no semi-rad e na vida real.

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