Pontos ITRA, UTMB, provas qualificatórias. Tire suas dúvidas.

Você houve falar em sorteios para Ultra Trail Mont Blanc, pontuação ITRA, pontuação UTMB e não entende como ocorre muito bem?

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Então vamos tirar algumas dúvidas. Atualmente provas com grande procura requisitam pontos para participar. No caso da prova UTMB, nesta necessários 9 pontos em 3 provas realizadas nos últimos dois anos correntes, ou seja, a partir de janeiro até dezembro, momento do sorteio. Sim, além dos pontos você também irá a sorteio.
Caso você não possua todos esses pontos poderá então escolher as provas secundárias TDS ou CCC com 3 pontos ou OCC com apenas 1. As próprias provas CCC e TDS lhe darão pontos para o ano seguinte caso queira arriscar a principal UTMB.

Como são as provas? Clique nesse link  http://www.ultratrailmb.com/en/page/104/The%205%20races.html
E dê uma olhada sobre cada uma, quilometragem, perfil e dificuldade.

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Number of points necessary for the 2016 registration

To register for the 2016 UTMB®, it is necessary to acquire a minimum of 9 points by having finished, between 01/01/2014 and 31/12/2015 exclusively (*), some of the races on this list. The 9 points must be acquired from a maximum of 3 races.

To register for the 2016 CCC®, it is necessary to acquire a minimum of 3 points by having finished, between 01/01/2014 and 31/12/2015 exclusively (*), 1 or 2 races from this list.

To register for the 2016 TDS®, it is necessary to acquire a minimum of 3 points by having finished, between 01/01/2014 and 31/12/2015 exclusively (*),1 or 2 races from this list.

To register for the 2016 OCC, it is necessary to acquire a minimum of 1 point by having finished, between 01/01/2014 and 31/12/2015 exclusively (*),1 race from this list.

(*) 2013 finishers of the UTMB®, CCC® and TDS®, may equally use these races as qualifying races.

 

Mas como funcionam esses pontos?

Bom segundo notas deles o controle é feito através de acesso direto nos resultados das provas, antes de dizermos qual prova que participamos deveremos saber se nosso nome aparece com ortografia correta nos resultados finais da mesma. Será de lá que sairá a verificação da execução e finalização da mesma.

Nota disposta nesse link: http://www.ultratrailmb.com/en/page/17/Qualifying_races.html

Controlling qualifying races

All the qualifying races used by runners to finalize their registration are verified, against the official race results.
The Organization takes in to account each individual’s result (relay or team event included).

The runner must be sure that they appear in the official results for the stated race, and that their first and surnames have the correct spelling.

In the case of an inexact declaration of qualifying races, not conforming to the regulations or untrue, the organization reserves the right to cancel the registration without refunding fees paid and to remove their advantage for the following year (co-efficient 2 or priority) in the case of a negative draw.

Our engagement as organizer is to apply this regulation in a rigorous and identical manner for, without exception, ALL runners and therefore we do not accept any requests for exceptions to this rule.

E como eu sei quais provas pontuam e quais os pontos de cada uma?

Bom, através deste site:

http://www.ultratrailmb.com/en/page/87/List%20of%20qualifying%20races.html

La estarão as já validadas dos anos anteriores, às vezes leva um tempo para ser cadastrada no atual ano, mas é possível verificar a pontuação.

Agora como é feita essa pontuação?

Devemos primeiramente nos remeter a alguns termos técnicos.

Em primeiro lugar, na França, eles se baseiam para qualquer prova em termos de desnível positivo acumulado (D+), ou seja, ao ler sobre uma prova nos Alpes você lerá nestes termos. Então, sobre o ganho de elevação, este corresponde ao somatório das diversas subidas. Há subidas e a uma recuperação em decidas, mas estas não são contabilizadas.

Há um cálculo e ele funciona dessa forma.

Digamos que você corra uma prova de 80km e ele possua 4000m de desnível positivo acumulado.

O cálculo será: 80 + 4000/100 = 120

Assim:

1 ponto para soma entre 65 – 89

2 pontos para soma entre 90 – 129

3 pontos para soma entre 130 – 179

4 pontos para maior soma

Portanto tal prova valerá 2 pontos.

A UTMB ainda mantém esse cálculo de pontuação pelo menos até o sorteio do final desse ano. Portanto sem stress por hora.

O ITRA já está usando uma nova pontuação que no caso é um adicional de 2 pontos ao antigo método. Ou seja, essa prova do nosso exemplo segundo UTMB vale 2 pontos e segundo ITRA já valerá 4.

Até agora só vi pedirem ITRA para um amigo que foi se inscrever nos 160K do Endurance Challenge Chile, e pediram também para ele 9 pontos, porém 9 pontos ITRA.

Os pontos ITRA podem ser vistos nesse link

http://www.i-tra.org/page/308/List_by_continent.html

Nesse link você poderá conferir quando ocorre cada prova é uma agenda internacional de provas validadas pelo ITRA.

http://www.i-tra.org/page/290/Agenda.html

Você ainda pode seguir o ITRA no Facebook e acompanhar as publicações deles. Toda semana eles divulgam as provas que ocorrerão no período.

Ta mas eu não entendi.. qual a diferença de pontuação ITRA e UTMB? Nenhuma, só são sistemas diferentes para a mesma coisa. O ITRA está impondo um sistema novo, porém tudo leva tempo para transformações, a UTMB ainda mantém o protocolo de pontuação antigo, como previamente explicado, apenas isso.

O detalhe é só não se confundir. Portanto, para a UTMB desse ano, ainda se mantém o sistema antigo. E vamos aguardar essa transformação que o ITRA está colocando diante do cenário.

Já tem os pontos? Agora é acompanhar a galera que entra “em campo” nas datas de 24 a 30 de agosto. A UTMB tem transmissão em tempo real online e pode se conferir tudo pelo site oficial.

Aqui do Sul os representantes para a UTMB 2015 serão: Eduardo Arruda, Gilson Oliveira e Sergei Nitzke, para TDS: Alexandre Cunha, Fernando Moleta e Fabio Tavares já para CCC: Edgar Cardozo. Estamos na torcida.

Após isso a inscrição para o próximo ano ocorrerão nas datas 16 de dezembro até 5 de janeiro. Necessário também para o apply um deposito bancário de 50€, que será devolvido caso não ocorra o sorteio para a prova.

Pre-registration dates

A pre-registration period will open from December, 16th 2015 to January, 5th 2016 during which time all candidates will be able complete their application form, including qualifying courses, for the event of their choice. This form will be validated by the payment of 50€ deposit payable by credit-card (secured on-line payment).

Quer conferir quais suas provas já foram validadas?

Entre no performance index do ITRA e verifique sua pontuação, baste escrever seu sobrenome neste link.

http://www.i-tra.org/page/278/Performance_index.html

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Ainda com dúvidas?

Na próxima data de 2 de agosto o anfitrião brasileiro Sidney Togumi irá realizar uma palestra sobre UTMB e suas experiências da prova.

Um rápido dicionário:

Desnível positivo acumulado; em inglês: cumulative/total elevation gain; em francês: dénivelé positif cumulé.

O ganho de elevação acumulada ou o desnível positivo acumulado representa toda a caminhada árdua necessária para chegar ao destino. Muitas trilhas têm altos e baixos, porem um ganho acumulado representa todos os uphills percorridos. Este valor é muitas vezes um valor estimado. Quando disponível, vai ser utilizado para o relatório do trail. Preste atenção neste número ele é bastante importante.

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Qual prova de Montanha mais difícil do Brasil?

Bom, em menos de um mês, realizei duas provas (não, você não leu errado: EM MENOS DE UM MÊS, DUAS PROVAS), ambas consideradas as mais difíceis do país. São duas corridas muito duras, mas de diferentes maneiras. Então qual escolher se você está na dúvida?
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Morro dos Perdidos

Correr as duas foi uma jogada de risco que fiz, mas quem me conhece sabe que quanto pior é a coisa, mais eu quero.

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Pedra da Mina – Serra Fina

A primeira delas foi a Half Mision Serra Fina, que tem aproximadamente 75km de distância e uns 6.000m de desnível positivo acumulado. Essa prova dá 2 pontos para a Ultra Trail Mont Blanc (UTMB) e/ou 4 pontos para a Internacional Trail Running Association (ITRA). Já a Maratona dos Perdidos tem 44k de distância, 3.000m de desnível positivo acumulado, 1 ponto UTMB e/ou 3 pontos ITRA.Para começar, você deve se basear nos pontos UTMB para cálculo, já que ITRA é um sistema novo e ninguém sabe usar direito. A ideia da ITRA é controlar, de alguma maneira, essas medidas de pontuação, evitando que outras provas continuem se baseando na prova chave do Mont Blanc.

A Half Mision tem, praticamente, o dobro de desgaste da de Perdidos, isso é real. Além de ter o dobro de altimetria acumulada e quase o dobro de distância, também tem um terreno muito mais técnico. São muitas pedras e escarpas numa verdadeira escalada. A quantidade de cordas também é maior e algumas inclinações  quase impossíveis, em pontos singulares, ou seja, travada. Na média geral, talvez a inclinação da prova de Perdidos seja maior, mas é constante e ergonomicamente realizável para a minha estatura de 1,50m, diferente da de Serra Fina, que me pregava peças absurdas.

Ao fim de ambas fiquei completamente enlameada. O solo era o mesmo, de uma consistência péssima, e diante das chuvas que ocorreram previamente pioraram as condições das trilhas. Em Serra Fina, essas trilhas já eram demarcadas e o solo estava mais trabalhado (há muito trekking na região). Já em Perdidos, principalmente na subida do cume de Araçatuba a consistência do solo estava um pouco pior pois se formavam piscinas de lama em extensas dimensões. Muitas das trilhas de Perdidos foram criadas apenas para a prova, eram novas e o solo se comportava como um chiclete, grudava e não queria soltar. Tropecei algumas vezes, em ambas as provas, e minha imagem era deplorável. Em Perdidos cheguei a comer lama, mas um amigo me ajudou a limpar os olhos, pelo menos.

A maior desvantagem de Perdidos é que a prova não tem infraestrutura para funcionar à noite e o tempo total é bastante reduzido. Fiquei com um grupo em que todos tinham chegado no ponto de corte do km 23 com 4h30min (que era de 5h), saímos e fomos cortados todos juntos a 2km do final. Os que passaram após as 4h10min do km23 estouraram o tempo de prova das 10h. E é aí que está a dificuldade deles (Perdidos): o tempo. Pelo que notei, apenas 9 das 22 mulheres concluíram. Na minha categoria haviam 3 e nenhuma completou. Aí você faz toda uma prova e é desclassificado por estourar o tempo limite. Parece que a prova não te incentiva a querer terminá-la, só te desafia para tal.

Então, por que o corte no km 42? Segundo eles, por uma medida de segurança. Inscreveram quatrocentas pessoas para correr a prova de 13k, que patrolaram esses quilômetros finais e a piscina de lama virou spa. Tive amigos que realizaram esse trecho em 25 minutos outros em 1h20. Bom, o último teve 50 câimbras, o que foi um caso extremo. A questão é que me prenderam ali e demoraram quarenta minutos para me buscar. Já anoitecia, esfriava bruscamente, comecei a ter hipotermia e pressão baixa aguardando o tal resgate que não vinha nunca (em 2 quilômetros de distância). Não era tempo suficiente para completar a prova nesses minutos aguardando resgate? Não sei se era receio deles porque anoitecia, mas um amigo que estava 5 minutos na minha frente e conseguiu ir adiante, confessou que se arrependeu por ter seguido. Ele completou a prova com 11h20 e disse que se machucou muito no trecho, pois começou a anoitecer e a dificuldade aumentou muito. Todos os tempos finais aumentaram em relação à prova de 2014 e não sei se esperavam que ocorressem retardatários, mas esse corte final não constava no regulamento e foi uma surpresa para nós. Independente de classificação, às vezes só cruzar a linha de chegada satisfaz o esforço da pessoa, o que é o meu caso. Existem provas que querem que você faça isso, lhe auxilia, principalmente quando o clima causa adversidades. Bem, eu fiquei decepcionada por chegar tão perto e ali, na reta final, e ser surpreendida com um novo planejamento. O pior foi ver um menino que estava passando mal e vomitando, aguardando pelo resgate há 2 horas, uma vez que realizariam um resgate econômico, em que buscariam todo mundo junto. E quando finalmente o levaram, a ambulância estava indo embora.

Tudo bem, estourei o tempo prova, culpa minha, talvez eu tenha tido a audácia de no meu primeiro ano de provas de montanha tentar realizar as duas mais difíceis no período de um mês. E Perdidos é uma prova direcionada a pessoas com um preparo extremamente alto por esses tempos muito curtos. Terminar é possível, acredite, mas com um limite de tempo extremo. Conclusão: preparo direcionado.

Para Serra Fina, o povo tinha o mesmo objetivo: completar o desafio, indiferente a pódio, resultados, tempo…a alegria era contagiante, os staffs estavam um pouco perdidos, mas foram sempre queridos, atentos, verdadeiros parceiros. Aqueles que não concluíram Serra Fina foram, basicamente, por escolha pessoal. Já o clima de Perdidos era de algo “elite”; as pessoas que concluíram eram todas reconhecidas no cenário nacional, mas a rapa do corte foi um grupo excelente com os quais dividi 5h de bela companhia! Obrigado, galera. Sei que ali muitos irão a Mont Blanc esse ano, portanto são pessoas também muito capacitadas.

O mais engraçado foi escutar de um corredor que eu deveria ter treinado mais, enquanto que ele nem vestiu os tênis e entrou na prova já estando lá com inscrição feita.

Para terminar o desfecho, Perdidos anunciou uma promoção chamada: “Superando limites” e eu me inscrevi. Em uma semana estamparam minha foto no Facebook escrito: Parabéns Raissa, iremos te entrevistar durante a prova, e você irá aparecer no Globo Esporte! Nossa, minha emoção foi imensa! Todos os meus amigos viram e comentaram! Alguns dias se passaram e ninguém entrou em contato comigo, pois então eu fui procurar… Recebi uma desculpa esfarrapada do repórter, que me passou uma bela conversa. Ok, deixei por isso mesmo. Agora, me pergunte se no dia da prova alguém veio conversar? Justificar, dar alguma explicação ‘olha não vai rolar’, etc.., que nada, nem meu contato eles se importaram em pegar. Então, porque veicular minha foto para todo o Brasil ver e fazer isso? Realmente, o conjunto de fatores da TRC me deixou decepcionada e ofendida. Planeje um bom corte, algo viável para escape ao km23, dê valor também a nós, que colaboramos para que a prova ocorra. Não somos elite, mas ajudamos o esporte a crescer e ter reconhecimento.

O objetivo dos “loucos” é, simplesmente, completar uma prova e nada a mais. Cortar esse objetivo a 2km do final foi um choque, um banho de água fria. A filosofia foi diferente de todas provas das quais eu havia participado até então. Concluí que, sim, são provas com objetivos diferentes. Serra Fina é organizada por argentinos, e o lema deles é ter a “Misión Cumplida”, há tempo para isso. O tempo limite esse ano de Serra Fina era de 28h e eles abriram 2h a mais e receberam pessoas com até 30h, visto as intempéries do clima. Em Perdidos tivemos mais oportunidades para desenvolver a corrida, porém com o tempo bastante apertado, a prova se torna quase exclusiva para pessoas de superpreparo. Eu sei que ainda sou uma mulher normal, vim com uma carga da prova prévia, mas me senti de objetivo cumprido apesar do corte a 2km da chegada. Provavelmente eu fecharia a prova com 11h e o tempo limite era 10h. Também houve tempos maiores em 2015 do que nos anos prévios, novamente gerados pelo clima, mas não houve folga, nem uma gordurinha. Um amigo tinha fechado 2014 com 9h e esse ano fechou a 40 segundos das 10h limite. Já uma menina fez 8h40 em 2014, e esse ano completou com quase 10h.

Em compensação tive oportunidade de estar em todos os picos e ter vistas incríveis.

Sobre o visual, ambas são lindas. Araçatuba, com 1650m (Perdidos), te dá um visual pleno daqueles cumes que não chegam nunca. É um pico atrás do outro e, quando você pensa que chegou, ainda falta altimetria a ser atingida. Um sentimento parecido com do O’Connor da Argentina. Quando finalmente vimos um pico exuberante que chamava bastante atenção, os cálculos não negavam, era lá, e os meninos há horas já expressavam um “não acredito”.

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Morro Araçatuba

Já Pedra da Mina com 2800m (Serra Fina), é considerada a 4ª maior montanha do Brasil, também com 360º de visão. De lá você vê, inclusive, a Serra do Mar e o estonteante Pico dos Marins. Há também um livro de cume que você pode assinar, como se fosse um livro de presença. Tive a sorte de presenciar o pôr-do-sol de lá, imagem que vou guardar para a vida.

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Pedra da Mina

Sobre as marcações, as duas foram boas, mas a gente sempre acha uma falha e sabe de histórias de pessoas que se perderam. Senti-me confusa em alguns trechos de ambas as provas, mas consegui tomar a decisão certa, tudo devido ao estudo prévio. Acredite, é importante estudar os trechos antes da corrida.Ainda sobre a TRC em maio desse ano: eles promoveram o Endurance Challenge por aqui. Bem, as inscrições estavam encerradas e nem havia percurso/altimetria publicado. Um mês antes, a prova que se chamaria Agulhas Negras e que estava sendo vendida desde dezembro como tal, não seria realizada  em Agulhas Negras. E com uma mudança de trajeto, conseguiram cortar 200 pessoas em 20km de prova. Não realizei a prova, apenas fiquei sabendo dos ocorridos.

O La Mision Argentina, que já participei, é promovido pela mesma organização de Serra Fina. De modo geral, é uma prova bastante simples e te propõe uma autossuficiência, o que gera uma base incrível para corridas de montanha.

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Cerro Colorado – Vila la Angostura – La Mision Argentina

Chile e Argentina têm essa cultura há tempos, nas provas de lá não há espaço para erros. Nós ainda estamos caminhando e desenvolvendo, isso leva tempo. Sem críticas, pois cada um tem seu estilo, que nem sempre agrada a todos. Importante é se sentir bem.E sobre realizar as duas juntamente, não sei se é uma boa ideia, só se as datas mudarem. Tive um “fartão” depois dessas provas que nem sei quando vai ser meu próximo desafio.

De modo geral, o que mais gosto nessas provas são as amizades que faço. Às vezes, você fica horas correndo com as mesmas pessoas e, no fim, parece que você os conhece há anos. Em Perdidos, passei horas com um mesmo grupo, todos muito guerreiros lutando pelo corte. Posso dizer que fomos campeões também, porque ninguém se deu por vencido e lutou até o último segundo. Parabéns para nós!

Por fim, algumas provas sabem mexer muito bem com o marketing diferente de outras, não se deixe levar, busque e converse com pessoas que já realizaram tais provas. Há algumas que não são tão divulgadas mas te dão prazer muito maior do que outras que tem por trás grandes marcas.

Aos que não sabem, comecei com as ultras esse ano, e a lição aprendida foi: dê tempo ao tempo, sem ansiedade. O tempo ideal entre essas provas é de no mínimo, 3 meses. Ainda não sei como meus joelhos estão bem. Mas eles estão ótimos, acredite!

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Maratona dos Perdidos

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Pedra da Mina – Serra Fina

Visitando Bonito/MS

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Bonito é um destino que agrada gregos e troianos, sua beleza da mais selvagem, aventureira e familiar tem doses para todas as idades. Tem passeio para todo mundo. Outra coisa que impressiona é a quantidade de estrangeiro, aliás mais estrangeiro do que brasileiro. Conversando com um local este me citou que muitos vêm por Corumbá após visita pelo Peru e Bolívia. Também me explicaram que o mapeamento da área foi feito por um francês e por isso a fama difundida na Europa e a quantidade absurda de franceses pelas ruas.

Bom eu voei até Campo Grande pela Gol, no retorno utilizei o único voo sem mudança de aeronave até Porto Alegre, “apenas” com duas escalas, uma em Maringá e outra em Curitiba, o que evitou transtorno com conexões, mas confesso que foi talvez mais cansativo que da ida onde fui com conexão por SP.
Se você tiver mais sorte há também voos pela Azul até Bonito quartas e domingos. O que evita um transfer de 4 horas entre as mesmas cidades. Digo sorte pois os preços não são tão camaradas então é bom ficar de olho para encontrar algo viável. O transfer via Campo Grande também tem um custo de R$ 100,00 por trecho, portanto compute esse valor. Ainda mais econômico que o transfer é um ônibus semi-direto de apenas 6h!

Chegando em bonito eu fiquei no Bonito HI Hostel, muito bom mas com um porém, a distância. Fica uns 25 min a pé do centro – 15 quadras, sendo que há ainda outros dois hostels e diversas pousadas bem mais centrais. Mas honestamente conheci muitas pessoas por lá, e não tive do que reclamar. Uma francesa que conhecemos ficou no Papaya, 4 quadras do centro, o elogiou também. Há ainda o Ecological hostel umas 7 quadras do centro. Importante isso pois tudo é a pé dentro da cidade.

As reservas eu fechei com a Bonitour, excelente empresa aparentemente a mais forte da cidade, super organizada e totalmente pontual, até demais! Nosso motorista Junior era uma pessoa excelente, brincalhão e dizíamos que estávamos no Safari ecológico pois qualquer animal que ele avistava nos mostrava da van: tatu, tamanduá, seriema, etc. Inclusive como eles, os locais, já até sabem onde os animais estarão, comentava que já tinha até respondido o WhatsApp para o tamanduá nos encontrar. Acostume-se os locais são muito brincalhões, tudo é piada, crie o filtro e não saia acreditando a toa, porém se divirta.
A escolha da empresa é talvez gosto, pois os preços dos passeios são todos tabelados, não haverá mudanças, o máximo para se negociar é no transporte. Através desse link você pode consultar os preços da baixa temporada que está terminando agora dia 9 de julho.

https://bonitour.com.br/

Vou dizer que não errei em ir em junho, talvez tenha sido sorte, mas apesar dos preços mais baixos, os hotéis mais acessíveis, peguei ótimos dias e qualquer problema que eu havia, para trocar de passeios era tranquilo em encontrar vagas em outros horários. Sim a Bonitour cansou de modificar a minha agenda, todo dia a Raissa tinha alguma ideia genial! Todos já me conheciam: Duracell.
Ocorreu pois eu desconhecia alguns passeios por exemplo da Lagoa Misteriosa, esta que é aberta para visitação somente no inverno, uma vez que algas crescem no período do verão. Uma colega de tour me comentou e disse: vá sem falta! E lá fui eu.

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O interessante é escolher um tour de cada tipo. Um de trilhas e cachoeiras, um de flutuação, um de boia ou arvorismo, etc. Caso goste repita, mas as opções são milhares!

A minha lista foi:

– Boca da onça trilhas e cachoeiras com rapel.
– Abismo anhumas, rapel e flutuação
– Rio da prata com flutuação
– Mergulho na lagoa misteriosa
– Pantanal – Fazenda San Francisco
– Observação da lagoa da gruta azul
– Passeio de bote

Consegui fazer um pouco de cada, e ver as diversas fazendas. Ainda muito elogiado é a flutuação no rio sucuri, trilha e cachoeiras da lagoa mimosa e o buraco das araras.
A maioria dos passeios são em propriedade privada, e algumas pertencem ao mesmo dono como rio da prata, lagoa misteriosa, buraco das araras e estância mimosa.
Alguns têm grau de dificuldade alto, como o abismo anhumas mas se você acha que consegue e por algum acaso algo lhe ocorra, não se preocupe, eles te rebocam rapel acima.
Então iniciei com a observação da gruta lago azul, uma das únicas áreas pertencentes ao município, lá você terá uma verdadeira aula de geologia, mas bastante interessante. A tarde fui no passeio de bote, bastante tranquilo, o interessante que como era inverno as sucuris estavam penduradas nos galhos das árvores, vimos 3. Uma filmei e está no vídeo a seguir.

No segundo dia fui até a boca da onça, tem esse nome pois na cachoeira, maior do estado do MS, está desenhada a face de uma onça, de boca aberta. Você pode fazer o rapel em conjunto, caso queira decidir na hora, pode se comprar lá mesmo. Senão, sem rapel, o custo do passeio se reduz consideravelmente.
Eu fiz, é legal, mas a desvantagem é que você precisa fazer em conjunto com alguém, se estas sozinho irá com um desconhecido, que talvez atrapalhe um pouco sua visão. O rapel pode ser observado no video a seguir.


Há diversas paradas para banho durante a trilha, primeiro na própria cachoeira da boca da onça, ponto de água mais gelada, depois em uma mini praia de cascalhos, seguindo outras diversas cascatas. Ponto alto para o buraco do macaco e poço da lontra. Ambas com passagens subterrâneas para cavernas. É uma surpresa, mergulhe.

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Para o terceiro dia eu tive abismo anhumas, esse é um dos carros chefes de bonito, meu irmão que visitou há mais dez anos atrás já havia feito esse passeio, quando bonito ainda não era essa Bonito. Você desce inicialmente um rapel de 73m, em uns 5 minutos você estará lá embaixo. Uma caverna com muitas formações geológicas, novamente estalactites e estalagmites, as pirâmides, cortinas entre outras formações que serão explicadas em um breve passeio de bote. Não há vida animal lá embaixo, porém encontram-se ossadas de animais que caíram. Após o bote, prepara-se para o mergulho. Se você possui curso de mergulho pode fazer o cilindro, mas não vejo vantagem, é bastante caro, um ambiente escuro e novamente sem vida animal. Eu fiz a flutuação que já lhe dá visão completa da gruta. Bom após toda visita devemos subir o rapel de volta, na realidade para mim esse foi o ponto alto do passeio. Sim, o esforço físico será o maior que irá realizar em todos os passeios. A subida dos 73m dura em média de 20 a 30 minutos. É uma sequência de legpress continua o que exige bastante da força abdominal. Cansa. Mas parece que por ser mais lento você curte mais o visual, presta mais atenção em detalhes e inclusive no reflexo da coloração do lago.

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Para o quarto dia tivemos flutuação do Rio da Prata e mergulho com cilindro na Lagoa Misteriosa, ambos ficam dentro da mesma fazenda, bem como o Buraco das Araras, portanto é fácil combinar esses passeios no mesmo dia.
Sobre o Rio da Prata, bom: espetacular. Flutuação naquela água cristalina com temperatura de 25 graus. Vi dois cardumes sendo um de pacu e outro de curimba. Fora isso você verá muitas piraputangas, dourados, piau das três pintas, lambaris, etc.

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Pela tarde mergulhei na Lagoa Misteriosa, misteriosa pois até hoje se desconhece a profundidade dela. Um mergulhador entrou na gruta e chegou ao máximo de 220m de profundidade.
Bom e lá vamos nós naquele azul profundo, de novo sob o mesmo efeito do magnésio e cálcio que precipitam a matéria orgânica e mantém a água cristalina. Além o espectro azul ser a onda curta primeira a ser refletiva pelas moléculas de água. No fim, a sensação é que ao flutuar você esteja voado se observares de dentro da lagoa.
Por lá verás também o peixe muçum que parece ser uma cobra.

Confira no video.


Ao fim encerrei com um último passeio pelo pantanal sul-mato-grossense. Apesar de ser 2 horas longe de Bonito, as atividades fogem do padrão e são bastante divertidas. Pela manhã há um passeio para registro fotográfico dos animais. Gaviões (belo, fumaça, carijó), garças, tuiuiús, soco-boi, curicaca, tucanos, araras, sucuri, cervo do pantanal, capivaras, jacarés e ainda tivemos a sorte de ver uma ave rara a garça azul, coitada sendo perseguida por um gavião. Resumindo, um currículo enorme de animais. E sem cansar a tarde ainda vimos uma família de ariranhas. Pois bem, à tarde o passeio foi em uma chalana no rio Miranda. Lá realizamos a pesca de piranhas, acredite eu consegui pesca, com uma vara artesanal, e após perder uns vários peixes consegui fisgar a piranha. Essa com outras pescadas por nós, realizamos uma atividade para atrair outros animais, como o Gavião belo que comeu duas, uma garça é um jacaré. Realmente bastante interessante, uma vez que a garça nos circulava há horas já sabendo do seu prêmio.

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No video a seguir, a brincadeira do jacaré com a piranha.

Fora isso fomos também na fábrica de cachaça Taboa experimentar os 20 tipos de cachaça da marca. Mas, sem dúvida a melhor é o tradicional que pode ser encontrada também no bar na avenida principal, onde ao som de uma musica ao vivo ha janta e petiscos. O interessante da fábrica foi ver o artesanato por eles produzidos, mas a um custo de visita de R$ 35,00.

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Eles te darão um pedaço de argila para fazer sua própria arte e então pendurá-la na parede como marca da sua visita, no bar as pessoas assinam por tudo ao invés, na parede,  nas cadeiras inclusive, no chão.

Nossa marca:

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Outro restaurante recomendável é a Casa do João, eleito o melhor do centro-oeste, com comidas típicas também oferece cerveja artesanal de mandioca.
O que dizer, sai de Bonito totalmente satisfeita.

O que faltou fazer? Bom, faltou eu tomar a tal de Tubaína que me prometeram no Abismo rsrs, fica para próxima visita ao Mato Grosso do Sul ou por onde existir…

Bom não poupe energia por lá, é compensador. Se abra para conhecer as pessoas, a oportunidade é fácil e fiz amizades maravilhosas.

Bonito é beleza, é Brasil.

Cascata Boca da Onça

Cascata Boca da Onça

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