Relato Indomit Pedra do Baú

Pedra do Baú

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Recebi da organização Indomit a oportunidade de conhecer um pedaço da Serra Mantiqueira.  Neste último fim de semana do dia 1/04 estive conhecendo a cidade de São Bento e a Pedra do Baú. Minha segunda visita na Serra, que se assemelha muito com a Gaúcha.

Tenho a dizer que a organização foi excelente, uma vez que conseguem reunir sempre pessoas tops. Fui sozinha do RS e maravilhosamente recebida. Encontrei o amigo Valmir de MG e conheci a embaixadora Cissa, pessoas sensacionais que me acompanharam nessa empreitada. Fora os amigos de SP que me receberam (de coração): Marco Fabio, os fotógrafos Ney e Wladmir, e minha assessoria Upfit, mais a galera da Bronet/Osprey – todos não mediram esforços. Ah tenho uns fãs perdidos também; é tanta gente para admirarem, escolheram a mim, então poupo nomes rsrs.

Foi muito legal encontrar igualmente o grupo Sprint de Belém, imaginem dois extremos do Brasil em uma amizade já de longo prazo; fico muito feliz em contar.

Decidi em função de algumas provas longas, que ainda tenho pela frente, apenas enfrentar os 35K, que para mim seriam como um treino. Eu estava pela curtição, confesso. Acreditem que, mesmo assim, esses 35K me resultaram em um acúmulo positivo de 1900 metros (que treino hein), e arranhei ainda meu primeiro troféu dos 30 anos. Foi trabalhoso. Deu para acompanhar a 5 colocada geral Denize por bastante tempo e descobrir que ela é minha conterrânea. Essa é a parte que mais gosto das provas, as pessoas que a gente conhece e as amizades que nós criamos.

O pessoal da Osprey também me contatou para testar uma mochila Rev6, e tudo – esse acumulado -me proporciou uma experiência incrível! Alias, assistam lá na página do face: Osprey Brasil o nosso vídeo!

A prova iniciou com uma subida em asfalto, logo entramos em uma estrada de chão mais outra subida infinita de uns 7km (dos 900m aos 1600m). O que mais adorei é que aos invés de cabritos montanheses nós temos vacas Zebu escaladoras, sensacional! — Imagina os cogumelos dessas vacas (é uma piada irônica).

Eu me senti em casa, uma vez que ver as araucárias é como ter um pedaço de mim pelo trajeto. Não tem como negar que os staffs são sempre muito legais. E eu me divirto, pois mesmo indo sozinha as pessoas me conhecem! “Bora gaúcha, vamos Raïssa”. Lá pelo km20 o staff me fala: “passaram perguntando de você”, hehehehe que carinho gente! O povo local inclusive é demais!

O link do meu percurso Strava para quem quiser conferir está em https://www.strava.com/activities/923822251#kudos

Quando terminei a prova ainda tinha o pessoal da Bronet/Osprey aguardando para a avaliação da mochila. A verdinha Rev6.

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E o momento chave da minha prova: minha chegada. Eu fiz um vídeo que conta o ocorrido, claro que quem me conhece sabe; eu faço drama, adoro uma encenação. Gente eu brinco tá, e eu falo desse jeito mesmo, as pessoas se divertem com minha forma “bergamasca” de ser.

Enfim, o percurso é muito bonito de verdade. E eu pretendo voltar para fazer os 50k ano que vem (se me quiserem)  — Juannnn me chama! Daí a gente chega junto de novo: eu nos 50k e você nos 21k, que tal?? Desafio proposto!

Adorei tudo! Obrigada Mantiqueira,  São Bento, paulistas, Indomit!

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Relato Half Mision Brasil

O que dizer do Half Mision Brasil? Prova dura, duríssima. Corro há uns 10 anos e nunca tinha me emocionado ao completar uma prova. Nem quando realizei minha primeira maratona ou primeira ultra ou quando voltei da lesão do joelho. Nada fez eu me emocionar como nesse final de semana. Chorei por uma vitória do corpo e da alma, transcendi. Talvez seja exagero, mas vencer a si mesmo é uma das maiores felicidades que conseguimos assumir em vida. Infelizmente a prova pecou em alguns sentidos, mas mesmo assim nada abalou, não a mim.

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Largamos com um percurso em mente e no fim por alguma distração dos staff realizamos outro, o que colocou meu planejamento de água literalmente na catástrofe. Isso ocorre pois é uma prova de semi-suficiência e temos que administrar tudo que necessitamos como a coleta de água nos córregos, alimentos, etc. Tudo deve ser bem planejado para poupar peso. E com a mudança brusca de trajeto, descoberta durante a corrida, não me duraria água a partir da bifurcação modificada. Poupei o máximo possível e por sorte do clima fresco consegui fazer durar o máximo possível.
Enfim, largamos sentindo Refúgio por uma estrada de chão por 12k até entrar no parque, a partir dali subimos o parque do refúgio Serra Fina em meio a um bosque e um digno lamaçal. Havia chovido muito nos dias anteriores então atrito definitivamente não teríamos pela frente. Já no bosque se iniciou as dificuldades, pois as trilhas começaram a trancar e a galera patinava ao subir. Presenciei alguns strikes. Desde ali notamos que os pés ficariam encharcados toda prova. Meus pés terminaram destruídos.

Mais em frente chegávamos ao capim amarelo com algumas cordas para “escalarmos”. Essa coisa de corda definitivamente não é a minha praia. Subir não era tanto o problemas mas mais pela frente eu saberia que teria que descer…
Então no pico do capim amarelo finalmente vimos o famoso capim amarelo, oh praga! Elevava todo lençol freático e transformava o solo num banhado. Era um banho de lama e obviamente depois de alguns tropeços eu virei marrom de sujeira, uma hora não vi um buraco e fui totalmente engolida. A trilha continuava em meio dele como um labirinto, era tão alto que eu ficava totalmente tapada, era uma caça às bruxas, e encontrar o trajeto manuseando o capim era corte das mãos na certa, portanto eu parecia uma cega tateando a trilha com os trekking poles. Baixei o ritmo e comecei a ter atenção na trilha, lama, capim, marcações…muita concentração. A partir da travessia da serra ainda se via gente, juntei-me a uma série de pessoas, conversávamos, trocávamos experiências, fotos, clima extremamente gostoso e que vista! Estou até agora tentando descobrir quem eram aliás. Notei que algumas pessoas retornavam naquele momento, eram do trajeto dos 40K que haviam entrado na nossa rota e errado caminho, que pecado!

Perto das 17h percebi que estava próxima do pico da pedra da mina e iria conseguir realizar o desejo de ver o pôr do sol lá do alto aos 2.800m, 4a montanha mais alta do Brasil!
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Alimentei-me, abasteci-me e segui ao ataque da montanha. Não podia ser mais perfeito, cheguei lá em cima bem no momento onde o sol coloria o céu!

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Assinei o caderno do cume registrei mais alguns momentos.

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Continuei seguindo a descida brusca até o paiolinho, já partir dali sozinha, estava bem e extremamente empolgada, acelerei meu pace e ritmo caindo mais uns bons tombos. Encontrei muitas pedras soltas, grandes, inclinadas, beiral abaixo e imaginava se eu conseguiria subir aquilo no sentido inverso, mal imaginava o que viria pela frente.

Chegando ao paiolinho encontrei muitas pessoas, tomei alguns sustos com as fotos no escuro, socializei com alguns dogs, eram 11h de prova e 32k percorridos, deu para se abastecer, relaxar e seguir adiante.

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No trajeto do paiolinho para o Ibama tínhamos outra estrada de terra agradável para corrermos, e segui forte.

Bom estávamos em Minas Gerais no mês de junho no fim de semana de São João. Adivinha? Avistei de longe uma festança! Cavalos estacionados, povo vestido de caipira, música, bebidas, fogos… Já era 23h e a vontade era de parar e ficar por ali mesmo, calibrando, mas me foquei e segui adiante. Passei pelo Ibama e subi a mata sozinha, já um cenário diferente, mata fechada algo um pouco sombrio. De repente vejo ao longe uma luz piscando forte me chamando. Era um grupo de jovens que acampava pela estrada e me auxiliaram indicando a rota. Aplaudiram, elogiaram e deram mais força para prosseguir! Só que me disseram que em 30 minutos encontraria o próximo PC (casa de pedra), encontraria de carro de certo, porque levei 1h30!

Na casa de pedra esperançosa por uma companhia encontrei um cara passando mal e vomitando, triste ilusão, aguardei um pouco e resolvi continuar sozinha seguindo as orientações do staff.
Então até a subida do tijuco preto eu ainda estava muito bem obrigada. As pessoas começaram a desistir em peso desde o paiolinho e Ibama (metade da prova), já que ali era a última saída, ou vai ou racha, e não se via mais uma viva alma por perto. Sim a desistência foi de 40% no geral, no feminino de 50% bem como no nosso grupo de amigos.
Iniciei minha subida, forever alone, realmente complicada mas até ali palpável. O staff da casa de pedra havia me dito, atenção lá em cima as pessoas estão se perdendo e me indicou o que fazer mas parecia uma prova de orientação. Em vista disso acabei perdendo muito tempo em um ponto pois faltavam indicações, eu não sabia para onde ir e o staff do tijuco não estava na sua barraca, eu urrava para as montanhas “alguemmm” e não recebia nem um assobio do vento de volta. Vi uma corda para descer no meio da lama toda embarrada e minhas pernas e mãos pequenas me indicavam suicídio ali, era umas 2h da manhã e pensei em parar e aguardar alguém, mas por sorte outro perdido apareceu do além, ele também não sabia se estava no local correto, sorte minha que já há horas estava aflita, mas teimosa em aguardar. Queria agradecer muito ao Gabriel que me aguentou por muito tempo inclusive quando comecei a pirar. Eu estava delirando tanto que insistia que não queria ir para São Paulo, que eu iria ficar por ali. Bom não tinha para onde voltar, para o meio da montanha novamente!? E sim o filo da montanha era a divisa entre estados, querendo ou não tinha que ir até SP. Ele insistia, vamos Raissa. Crucial, devo a ele também. Quando chegávamos nas pirambeiras, escarpas lisas de 4 metros no meio da lama lisa eu ficava muito agoniada pois era extremamente complicado de subir e descer, se ele alto esguio sofreu imagina o tanquinho aqui. Meus joelhos estão roxos porque minha alternativa era ínfima, eu acabava me agarrando em galhos arrastando o corpo pedra acima, e na maioria das vezes me apoiando nos joelhos. Ainda inseguros do caminho que estávamos seguindo, madrugada a dentro, eu e Gabriel víamos as luzes ao longe dos outros corredores seguindo nossa trilha. O jeito era continuar, se por acaso estivéssemos errados carregaríamos um povo conosco! Que maravilha hein. Sabíamos que deveríamos ir ao capim amarelo e este estava a 2.400m e nós nos encontrávamos a certa altura em 2.200m continuando a descer se iludindo que estávamos seguindo algum filo. Segundo o mapa deveríamos seguir uma mesma cota, mas não, era pirambeira abaixo e acima em várias sequências. Quando chegamos novamente ao capim amarelo, fechando o giro, e eu vi finalmente o staff dei um grito de felicidade, sabíamos que tínhamos ali concluído a prova, por outra benção divina presenciei o nascer do sol de lá.

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A partir daquele momento eram “somente” mais 15k de decidas, com algumas surpresas, mas tudo superável. Até porque depois da conexão do tijuco preto ao capim amarelo no meio da madrugada depois de ter completado 60k com quase 6mil de desnível positivo, eu topava tudo, ou quase tudo. Vieram as cordas novamente mas estas estavam secas e já amanhecia, alivio! Disse ao Gabriel seguir, pois coitado na madrugada correndo com essa louca é demais para uma pessoa. Descida abaixo iniciei um choro de desabafo.
Que experiência!

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Resumindo, ganhei na categoria mas conseguiram dar minha medalha para a pessoa errada, prometeram que iam me enviar por correio (vamos torcer), a foto fizemos com a medalha do master, encontro-me desmedalhada, fazendo a pregação para o santo dos pés e por fim indo lavar muita mas muita roupa! Acredite, é incrível eu sei, mas vale a pena.

Estou procurando o Gabriel Kruschewsky pois devo um agradecimento mais são. Se alguém o conhece, por favor!

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No link, esta disponível o trajeto 3D criado pelo GPS do relógio. Infelizmente configurei errado os dados e ha apenas 60K salvos. Mas com todas montanhas! Confira.

Bom e se você está estudando os tempos, segundo as análises da engenheira aqui, que plotou e fez um cálculo de médias. De 2013 a 2014 os tempos aumentaram em média 3h. E de 2014 a 2015 eles também tiveram um ligeiro aumento em aproximadamente 1h. Ou seja, acredite sempre em murphy, tudo pode piorar.

La Mision – Relato da Prova

Neste último mês de fevereiro estive presente em uma da mais desafiadoras prova da minha vida, senão a mais (até agora). Foram 27 horas non stop em uma prova de semi-suficiência na montanha.

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A prova se chama La Mision é realizada em Vila la Angostura na Patagônia Argentina e tem como desafio a semi-suficiência, ou seja, carregarmos todos nossos equipamentos necessários e obrigatórios além de nossos alimentos e bebidas nessa ultratrail. Para ter uma noção minha mochila pesava em média de 5 a 6kg, dependendo de quanto eu estava carregando de líquidos. Isso porque eu não acampei pois se encontrava mochilas majestosas! Os líquidos eram reabastecidos nos rios, que de desgelo possuíam água potável.

Eu realizei a Half Mision de 80k, mas a prova principal era de 160k. Esta seria minha primeira ultramaratona após uma lesão que tive, portanto comecei com parcimônia!

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O clima estava bastante quente, diferente dos anos anteriores, o ar estava bastante seco e as cinzas vulcânicas estavam bastante dispersas. Ao longo do percurso vi muita gente passando mal, vomitando e desistindo em razão de respirar as cinzas. Uma menina me disse sentir ardência nos olhos já na metade do percurso e logo parou. Não vou negar que isso também tenha me feito um pouco mal, mas meu corpo talvez tenha reagido de uma maneira menos agressiva.
Ao iniciarem a chamada para o check in, na largada, conseguimos entrar rapidamente e nos posicionamos bem em frente! O legal é que aparecemos bastante nas fotos e no vídeo da contagem regressiva.

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Larguei junto com uma amiga que estava fazendo a prova de 160k, e que por sinal era mais forte que eu, mas consegui acompanhá-la nos primeiros quilômetros… quando chegamos ao topo da primeira montanha o Cerro Colorado eu ainda a avistava, mas decidi segurar um pouco o ritmo. Dali comecei a ajustar os equipamentos fazer minha primeira refeição além de  administrar melhor meu tempo, ao fundo se avistava o vulcão Tronador e uma paisagem lindíssima para se curtir uns minutinhos ao menos! Mais uns quilômetros chegavamos ao topo do Cerro Bayo, dali em diante eram só descidas. Quando entramos no bosque, já na base do Bayo, eu encontro um outro amigo meu que me acompanhou por mais alguns quilômetros até o topo do 3 nascientes. Já tinham se passado umas 5h e aproximadamente uns 25km, logo mais ao km 35 separariam os corredores dos 80km e dos 160km, mas até ali aquelas companhias já tinham me ajudado muito e me colocado em um ritmo muito bom.

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Quando separamos entrei no bosque novamente e percebi que de repente a quantidade de pessoas havia diminuído drasticamente, questiono minha posição no posto de controle (PC) e ele me indica que eu estava entre as primeiras posições. De repente eu tiro um gás e aumento meu ritmo até encontrar uma menina que seria a 4 colocada, era uma brasileira! Ela me disse já estar fatigada e que iria parar, insisti um pouco, mas ela já estava decidida, estávamos próximo do 1o posto de abastecimento (Camp), metade do nosso caminho, km43.

Ao chegar logo me disseram que eu estava em 4o e que as 3a e 2a colocadas não estavam longe. Acabei sendo bem rápida para o abastecimento, e enquanto as pessoas chegavam e resolviam deitar, descansar, trocar de roupa…eu segui a diante, “bom vou achá-las”! Era caminho para o monte (segundo eles) mais desafiador: o O’connors, este com maior altimetria acabei sendo avisava que passaria umas 5h sozinha nele, portanto era para me reabastecer bem. Já estava noite e notei dois meninos saindo um pouco à frente de mim, bom não me amedrontei e fui! Sozinha mas fui! Um dos equipamentos obrigatórios era a headlamp que iluminava as marcações como os olhos de gato que te iluminavam a trilha pela noite. Lembro de quando eu subia eu sempre avistava a luz dos meninos um pouco ao longe mas sabia que eles estavam ali… logo quando sai do bosque e olhei para trás vi toda a cidade iluminada, mas a subida mal tinha começado.

Neuquén

Ao subir toda vez que eu erguia a cabeça para procurar a trilha eu via aquela linha de pontos que se confundia com as estrelas, sim eram subidas íngremes que pareciam infinitas…e quando eu achava que tinha superado um pico lá vinha outro escondido atrás. Foram umas 5 vezes que acreditei ter chegado ao topo! Dai eu encontro uma placa! “Jesus te ama” obrigada Jesus então eu já cheguei!? Que nada! Lá vinha outra! Realmente eu demorei umas 3h só para chegar ao topo! Segundo os cálculos então seriam mais umas duas horas para descer. Nisso eu escuto um barulho de rádio, e já era 1h da manhã! Eu sortuda encontrei um controlador no meio da montanha, alguém havia informado que eu estava sozinha e ele então foi patrulhar, desceu comigo por aproximadamente 1h! Foi mais uma das minhas salvações! Conversar com aquela pessoa aquela hora foi maravilhoso! Ele disse que preferiu patrulhar para se manter acordado, além do que as marcações dentro do bosque eram bem mais complicadas de se ver a noite e no fim fiz uma amizade muito boa!
Ele logo me informou ao chegarmos no PC, você é a 3a colocada e a segunda está há uns 30min ela não está bem e você com esse ritmo alcança ela! Quando dizem isso até parece provocação, algo do tipo, corra mais, apesar de já estar 13h correndo, está fácil! Bom passei o resto da madrugada sozinha correndo dentro do bosque, eu só avistava de vez em quando aquela baita lua, minguante, mas enorme, e amarelona! Quando eu achava que estava perdida eu olhava para ela e sabia a direção certa novamente!

A partir daí começou a esfriar, tirei todos os casacos de dentro da mochila, além das luvas e me mantive aquecida até amanhecer! Todo PC que eu passava eu encontrava uma série de pessoas paradas em volta da fogueira, mas parar não era uma opção. Comecei a subir novamente o 3 nascientes e avistei o nascer do dia. As pernas já doíam e eu só pensava em chegar na última montanha para terminar. Quando atingi o Km 70 perguntei ao PC, quantos quilômetros faltam? E ele bem tranquilo me disse “só 12”, ai eu achei que era reta final, e que podia dispender todas minhas energias. Só que não. Quando eu olho eu vejo a última montanha, o famoso Buol. Pra que!? Pensava que só podia ser ignorância dos organizadores aquilo (no bom sentido). Como assim!? Isso não é corrida é escalada! Juro, era uma parede vertical, cheia de pedras soltas, eu nem queria olhar para baixo, minhas pernas estavam travadas, eu tinha quebrado um trekking pole e só tinha me restado o outro. Acabei achando um pau para substituir o segundo e a escalada começou, novamente a cada vez que eu achava que estava chegando, aparecia outra parte escondida dizendo “suba mais”, quando encontrei o PC lá em cima eu pensei, cheguei, mas a inocente sabe nada. Ele me responde “mas un ratito”. Questiono sobre a segunda colocada e ele responde que a segunda era eu! “Quanto mais falta!?” A resposta era foi mais uns 10km. Que!???? Faz mais de uma hora que estou escalando isso!!! Não era possível!!! E enfim continuei escalando! A água tinha terminado, era já meio dia e o calor totalmente escaldante! Pensei naquele momento, por que nenhuma viva alma me contou dessa montanha!? Eu estava já exausta, morrendo de sede e o O’connors parecia carrossel perto daquilo! As pedras continuavam soltas e quando você olhava para as beiradas você via precipícios! Dai pensei: “ah claro agora entendi a função do capacete!”. Claro que isso é uma ironia porque com aquela queda nem se brinca!

Superado o Buol eu via de longe Vila La Angostura, e pessoas!!! Claro estávamos saindo já das montanhas e entrando nos parques, eu continuava a questionar a distância e parecia que ela nunca mudava! Dai a inteligente resolve se perder, nos 5km finais. Pois eu vi alguém se aproximando e não entendia quem era, logo, sem essa pessoa passar por mim eu escuto a sirene tocando… era o vencedor da prova dos 160k, ele chegava junto comigo. Mas espera ai, por onde ele passou? Como ele chegou? Onde eu estava? Perdida claro! Acabei dando um nó nas trilhas e cai na rota do outro lado da montanha, devo ter ganho uns 5km na conta. Se 80k era pouco…bom mas contam as más línguas (outro que se perdeu também) que fomos os únicos a ver uma cachoeira maravilhosa!

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Mas tudo bem quando cheguei meu segundo lugar estava lá me aguardando!!! O intervalo para a terceira era de mais 2h.
Outra vez não nego que me decepcionei na chegada pois achava que por ter me perdido nos quilômetros finais eu seria desclassificada… mas segundo a organização eu tinha passado por todos PC importantes então aquilo não importava.
Há quem questione porque os tempos aumentaram dos outros anos?
Bom eles inverteram a rota e todos tempos sofreram um acréscimo, há quem concorde que o Buol como surpresa final foi o ápice do exaustivo trabalho psicológico ao qual nos submetemos. E uma benção aos tombos na sua descida! Eu não nego que uma hora cai de bunda, sentei olhei para o céu e fiquei viajando…algo do tipo me busquem que daqui não levanto mais!
Mas tudo absolutamente tudo valeu muito a pena, e claro que eu voltarei para os 160k, É CLARO!
Quando eu falo que isso não é só experiência, é vida, é ter histórias para contar, continuam dizendo que não sou muito normal! Mas ao ver essas fotos você também tem vontade de estar lá, você tem!

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Correndo Ultramaratonas

“Não é preciso ser louco para correr uma ultramaratona… só precisa estar preparado…”

Dizem que, para quem treina regularmente, completar uma ultramaratona não é tarefa das mais complicadas: exige apenas muita disciplina e treinamento forte. Segundo os especialistas, é mais difícil completar os 100m rasos em tempo inferior a 11 segundos, por exemplo. O segredo para quem já corre maratonas e deseja se aventurar na ultramaratona é aumentar gradualmente a quilometragem, para que a diferença não seja tão brusca.

Mas o que é uma Ultramaratona?

No Brasil, essa nomenclatura é empregada para qualquer prova superior a uma maratona. Esta tem 42 quilômetros e 195 metros e tipicamente uma ultramaratona possui distâncias como 50, 80 ou 160 km. Também há provas de tempo (os timed events): 12, 24, 48 horas, e ainda corridas por etapas em dias consecutivos (multi day-races). Umas são corridas de estrada e outras em trilhas de montanha (Ultra-Trails).

Por que fazer uma Ultramaratona?

Para uns é o desafio de ir cada vez mais longe. Para outros é o desafio de descobrir os seus próprios limites, e ultrapassá-los. E, ainda para quem já é veterano em maratonas, é a necessidade de provas maiores e mais desafiantes.
Mas seja qual for a sua razão em embarcar neste duro desafio…. vai ter a necessidade em aprender duas coisas sobre si mesmo:

  • o seu empenho nesta corrida, e
  • os seus próprios limites: tanto físicos como mentais.

Porém se você possui interesse precisa ser coerente com as suas escolhas. Primeiramente, o corredor deve refletir. Qual distância quero enfrentar? Precisa haver racionalidade. Não adianta se inscrever em uma prova de 100 quilômetros e o máximo de distância percorrida ter sido igual a de uma maratona de asfalto. Não tem lógica, não tem didática e muitas vezes não tem saúde.

Em segundo lugar, entenda qual a sua familiaridade com as trilhas: com o que você é acostumado? Com provas trail mais planas ou com mais subidas? A partir daí, analise as corridas que lhe interessam, estude a altimetria e perceba se onde você irá treinar, haverá a possibilidade de simular tais características.

Como treinar para uma Ultramaratona

Qualquer um consegue terminar uma maratona. Mas para terminar uma ultramaratona o buraco é mais fundo. Além de necessitar de um bom plano, dos treinos e do seu próprio empenho, é necessário estar tanto físico como mentalmente bem preparado. Também precisará se adaptar ao conceito de ingerir alimentos e nutrientes durante o treino, assim como durante a prova. Utilizar somente gel energéticos ou bebidas isotônicas não basta, quando o percurso é de 6hrs acima.

É bom escolher uma prova e estabelecer o seu próprio objetivo. Como apenas o de completar a distância, completá-la num determinado tempo, ou apenas o de terminar a prova. Dê a si mesmo cerca de um ano para preparação. Se já corre maratonas regularmente, pode preparar-se em menos tempo – digamos 6 meses.

Uma regra é clara, não se arrisque sozinho. Procure um treinador e quando se trata de fazer treinos longos, os amigos tornam tudo mais divertido. Encontre parceiros de treino que tenham o mesmo objetivo, pois assim existe incentivo mútuo além de se aprender com as experiências de cada um durante a progressão do seu treino. E se tiver alguém que já tenha experimentado a tal distância e esteja disposto a treinar junto, melhor ainda.

Atualmente estamos nos preparando para a prova chamada La Mision, que além de ultramaratona também é uma corrida de montanha, a mesma ocorre na Patagônia Argentina, com base em Villa La Angostura. É definitivamente uma das provas mais incríveis da América do Sul, única no mundo pelo seu formato de trekking expedição com 160 km e mais de 8000 metros de desnível acumulado, é realizada em quatro dias e três noites non stop, e a escolha por dormir vai de cada corredor. Esta prova se classifica em uma prova de semi-autossuficiência, do qual cada corredor carrega seus equipamentos essenciais, incluindo bebidas e alimentos entre os pontos de controle. O lema do La Mision se traduz em “chegar é ganhar”, ou seja não importa os ganhadores e sim a capacidade de conclusão.

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São cinco montanhas, sete vales, diversos arroios e lagos. Fotos, vídeos e mais informações podem ser encontradas no link da prova:

http://lamisionrace.com.ar/lm/

Quem é locado em Porto Alegre e tem desejo de partilhar esse desejo em comum conosco é bem-vindo aos nossos treinos.

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No link http://youtu.be/bzsTl140BIw há um aperitivo das nossas trilhas.

Além disso tudo não esqueça de obedecer as regras básicas!

Respeite a montanha, aprendi isso trilhando o Monte Roraima, os nativos Pemons me ensinaram a respeita-la. Pois nada é maior e seu poder é inigualável. Serão muitas subidas e não faz sentido você tentar vencer a qualquer preço. Sendo assim, caminhe. Leva certo tempo e é necessária experiência para identificar em que ponto você deve deixar de correr e passar a caminhar, mas quanto mais você treinar mais fácil será identificar o momento.

Aproveite todas as oportunidades possíveis para diversificar seu treino. Fuja do asfalto, vá para parques, praças, canteiros centrais, areia fofa, não se esqueça de utilizar mais as escadas e subir lombas também. Nos finais de semana, procure locais mais retirados, que se assemelhem ao terreno que irá enfrentar na prova.

Utensílios e acessórios. No inicio as aquisições são caras, concordo, mas com o tempo tornam-se essenciais. É tênis, mochilas de hidratação, relógios multifuncionais, entre muitos outros (no fim se torna vício)… Calçados para corridas de montanha são bem diferentes dos desenhados para asfalto. Possuem solado com cravos, tecido de secagem muito rápida, pisadas neutras e com biqueiras. Mochilas de hidratação com pequenos bolsos são ideais para carregar o necessário de suplementação além dos materiais obrigatórios nas provas. Ao contrário do que muita gente imagina correr com esses artefatos não é nada incômodo, basta um pequeno período de adaptação. Com o tempo você praticamente esquece que leva um pequeno peso junto às costas, mas garante sua segurança, tendo líquidos, alimentos à disposição e equipamentos de sobrevivência. E a medida que mais se compra, mais tralhas se quer…com melhores tecidos, melhores baterias, menos peso, maior aerodinâmica.

Então, um bom treino a todos! E nos vemos em breve!

Para organizar esse post, juntei algumas publicações distintas mas sugiro a página de www.atletismo.carlos-fonseca.com que possui ótimas dicas de treinamento e planilhas para ultramaratonas.

Foz do Iguaçu para todas as idades

Foz do Iguaçu para todas as idades e diferentes aventuras – inclusive com salto de paraquedas.

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Fazia tempo que eu estava procurando ir para Foz, até que após consultar repetitivamente o site da Azul (www.voeazul.com.br) consegui um voo promocional direto. Nem eu estava acreditando no preço, então eu entendi vendo a aeronave! Rsrsrs era de hélices. A viagem que duraria 1h, levou 1h40, mas pergunte, eu gostei da experiência!

Ao chegar no aeroporto notamos ônibus de linha que vão até o centro, linha 120, custa aproximadamente R$3, e é só perguntar se vai ao terminal central, do contrário você pode pegar um táxi que custa R$50.

É bom localizar um hotel/hostel próximo ao terminal transporte urbano (TTU), em razão de poder ir aos lugares turísticos com ônibus e evitar gastos com transfers e taxi.

Para o parque do Iguaçu utilize a linha 120 (a mesma do aeroporto), e para Itaipu 101/102. Caso você queira ir ao Paraguai contrate uma operadora, pois até lá é bom ir com alguém que conheça, mas caso você queira comprar produtos originais vale mais a pena ir para o Duty Free Argentina, em razão de ser bem mais organizado, limpo e seguro. Consulte seu hotel, pois a maioria leva até lá e os preços são os mesmos (dos originais). Senão também há ônibus argentinos que lhe deixam na fronteira.

Para consultar as linhas:

http://www.pmfi.pr.gov.br/conteudo/?idMenu=570

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O parque é a experiência do contato com a natureza. Os bichinhos se exibem para as fotos, principalmente os quatis. Encontramos um lagarto saindo da hibernação e quando começamos a tirar fotos com ele, o quati ficou com ciúmes acredita?

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Se você gosta mais de trilha e passeios (não tradicionais), existe a trilha do poço preto. Eu realizei, e a mesma possui 9km de caminhadas (também modalidade de bicicleta ou 4×4), em meio a floresta com contato a animais exóticos como cobras (vimos uma coral), tamanduás-bandeira e (com sorte) onças pintadas, além de muitos pássaros (uma só cantoria)! no fim se passa pelo recanto das borboletas, centenas delas voando!

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Ahhh e minha tia realizou a trilha comigo! Ela não pagou praticamente nada pela entrada no parque, em função do bilhete para a 3a idade. Espero chegar ate la!

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Após a caminhada se realiza um passeio no Alto Iguaçu e o barco nos leva até o poço preto: formações de falhas rochosas dentro do rio. No Alto Iguaçu conseguimos ver jacarés. Também passamos pelo salto, que são umas rochas que provocam uma mudança no regime fluvial gerando ondas e forte turbulência.

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Mais a jusante também se pode realizar canoagem (ducking).

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Eu como uma singular engenheira (sim sou engenheira), não pude deixar de visitar a barragem de Itaipu.

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Mas o ponto chave de Foz foi o salto de paraquedas! As operadoras tem informações caso você possua interesse, eles lhe levam até o local, chama-se SkyDiveFoz e a partir do voo consegue-se ver tanto as cataratas, quanto Itaipu e a tríplice fronteira, sensacional. O pulo todo você é praticamente sobre a barragem de Itaipu com visual imperdível, eu acabei marcando no ultimo horário do dia e consegui pegar o por do sol do salto. Em razão de tráfego aéreo acabamos abortando o primeiro voo, então acabei ganhando um voo aéreo de graça rsrsrs, confira o vídeo no link:

http://youtu.be/UkdotdAlj58

Passe para o minuto 4, onde a visão se torna mais interessante e você pula o bla bla bla, e para o salto a partir do minuto 6.

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Realizei todos esses passeios em dois dias, claro que se você desejar ir a outros lugares como recanto dos pássaros, ou lado argentino necessitará de um pouco mais de tempo.

Gostou? Confira mais fotos em

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.337958073057512.1073741833.328355864017733&type=3&uploaded=1

Monte Roraima – Versão Português

Monte Roraima

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Tepuy Roraima chamado em espanhol é o mais alto da cadeia Pakaraima de tepuys no planalto na América do Sul.

Tepuys são montanhas de mesa encontradas no planalto do norte da América do Sul, especialmente na Venezuela e Guiana ocidental. Tepuy significa “casa dos deuses” na língua nativa do Pemon, povo indígena que habita a Gran Sabana. A formação geológica é composta de blocos de arenito do pré-cambriano e quartzo arenito que se erguem abruptamente na selva, dando origem a um espetacular cenário natural.

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As montanhas de mesa do parque são consideradas algumas das mais antigas formações geológicas da Terra, que remonta a cerca de dois bilhões de anos atrás. A elevada precipitação promoveu a formação de pseudocarstes e inúmeras grutas, além do processo de lixiviação do solo. Muitas das espécies encontradas em Roraima são exclusivas no planalto. A flora adaptadas às condições climáticas e geológicas, com um alto grau de endemismo, apresentam várias plantas carnívoras, que buscam nos insetos os nutrientes que faltam no solo. A fauna também é marcada por um endemismo afiada, especialmente entre os répteis e anfíbios. Este ambiente é protegido em território venezuelano pelo Parque Nacional de Canaima e no Brasil pelo Parque Nacional do Monte Roraima.

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Seu nome “RORAIMA” consiste nas palavras do idioma Pemon “RORO”, que significa verde-azul e “IMA”, que significa grande, isso se traduziria “Grande verde-azul”, embora a maioria dos Pemones se referem ao Roraima, de nome feminino, como “a mãe de todas as águas” provavelmente devido ao declínio dramático em múltiplas cascatas para baixo das paredes inclusive com maior vazão quando há precipitação pluviométrica. O acesso é praticamente único e parte pelo território venezuelano, que possui 85 % da área superficial do tepuy Roraima. Apesar de você encontrar empresas turísticas nos três territórios, os mais famosos são venezuelanos, que tem como guias os nativos pemon. A diferença entre o tours venezuelano e brasileiro, é principalmente na quantidade de dias. Pois usualmente a venezuela tem 6D, e a brasileira 8D. Uma vez que a área de superfície do monte é enorme, há uma permanência maior em cima tepuy para chegar a lugares como a Proa e a tríplice fronteira.

Fui com uma empresa venezuelana e tive a oportunidade de estar no meio de um maravilhoso grupo de aventureiros. Também fui por território venezuelano. Fiz paradas em Caracas, Puerto Ordaz e de lá a transferência foi de 10 horas por estradas, atravessando toda a Gran Sabana. A travessia foi muito bonita, mas bastante cansativa (incluindo o regresso), mas necessário por este caminho. Se você por acaso for para a Angel Falls, parque canaima e foz do rio Orinoco, este seria o melhor acesso .Mas se você for apenas para o Monte Roraima, talvez o acesso pelo território brasileiro seja menos cansativo, com o aeroporto mais próximo em Boa Vista – 3 horas .

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Iniciando o trekking, no 1º dia saímos de Santa Elena cedo e fizemos uma parada em um duty free por recomendação do nosso guia para a compra de licores e destilados, que nos ajudaria nas noites frias (sim valeu a pena!). Após isso, tomamos a estrada, cerca de uma hora, até que a cidade de Paraitepuy (comunidade indígena) passando por outra comunidade de San Francisco de Yuruani. Chegando em Paraitepuy, ainda tivemos tempo para um pequeno almoço e para fazermos os últimos ajustes antes do início . Neste primeiro dia de caminhada iniciamos descendo de uma altitude de 1200 m para 1000 m no rio Tok, o passeio teve cerca de cinco horas com a travessia de alguns rios. À noite, jantar e pernoite pela primeira vez sob o céu estrelado de La Gran Sabana

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Segundo dia foi perfeito para desfrutar de um passeio pela Gran Savana, que oferece inúmeras oportunidades para apreciar a natureza e para os amantes da fotografia. Subimos até ao acampamento base a 1870 metros, onde tivemos tempo para nós refrescar em um córrego próximo, enquanto os nossos guias preparavam uma refeição quente. Novamente vistas incríveis, inclusive à noite.

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Dia 3: É, provavelmente, o dia mais difícil, mas com certeza o que dá mais satisfação. Começamos a subida passando por inúmeras cachoeiras. Muito importante é ter um bom café da manhã para haver energia para o trekking e então iniciar o ataque ao cume do Roraima. Você passará por debaixo de uma cachoeira chamada “Passo das Lagrimas” principalmente se houve precipitação recente, o cenário é lindíssimo!

Veja o video da cachoeira no link:

LA RUTA HACIA EL RORAIMA

Entramos em uma selva densa, com uma beleza esmagadora e habitat de várias espécies de aves que podem ser fotografadas no local. Ao chegar ao topo, podemos ver formações rochosas extraordinárias como “The Flying Turtle” entre outras. Finalmente, o guia nos  leva  até o nosso “hotel “, como é comumente chamada as cavernas usadas para estabelecer os acampamentos. O Roraima é uma compilação de opiniões surpreendentes e inesperadas (difícil de descrever), muitos se referem a ele como sendo de “outro planeta”, eu cito como um “cenário alienígena”. Além disso há muitos locais extraordinários e singulares, os melhores para se visitar são “The Maverick ” ou ” Chariot ” o ponto mais alto de Roraima, “Vale do Cristal”, a Jacuzzi, “La Cueva Guácharo”, a Janela (La Ventana), “La Catedral” ou ainda mais longe, quanto a tríplice fronteira “Triplo ponto ” entre a Guiana , Brasil e Venezuela e a Proa. No 5º dia, descemos por cerca de sete horas até os rios Tok ou Küken .

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Se pode sempre olhar para trás para apreciar a vista do majestoso Roraima e Kukenan. Esta caminhada está dividida em duas partes, a descida da escarpa até o acampamento base, onde se faz uma pausa com um rápido almoço, e a segunda até o acampamento e travessia dos rios. Um nativo me disse que rio Küken (não Kukenan, transcrição errada) significa sujo devido ao forte fluxo que mistura os sedimentos, na foz do rio, e o monte Kukenan que inspirou o filme de animação Up , é referido o lugar como o monte Matawi-Kukenán (que significa “quer morrer” ou “ponto de suicídio”), um lugar sagrado, pois o monte guarda os espíritos dos guerreiros Pemón, que eram jogados do alto após a derrota para os índios Macuxis nas seculares batalhas pela posse das terras. Esses espíritos, ao serem molestados, desencadeiam sua ira e são os responsáveis pelo desaparecimento dos turistas que ousam enfrentá-lo.

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Sim, a caminhada é possível com disciplina, e capaz para qualquer um que quiser e tentar. Vi senhoras japonesas de 60 anos subindo também, elas me surpreenderam! Os guias aguardam os que chegam mais tarde e sempre possível umas paradinhas para descansar. Melhor cenário impossível! Parei duas vezes nas cachoeiras pelo caminho para um banhinho gostoso. Fora quando descobrimos uma acampamento com cerveja, daí literalmente estacionamos! Havia um menino com lesão e quando ele chegou foi um momento comemorado por todos (afinal de contas o resgate custa U$3000)! Sucesso, se você quiser, você pode!

Chegando ao final, finalmente se encontram bares e bodegas com cerveja bem gelada para se brindar e comemorar mais uma página escrita em nossa história!

Mais imagens podem ser encontradas no link:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.333201356866517.1073741831.328355864017733&type=1

E também a versão em inglês:

https://rxplorer.wordpress.com/2014/12/03/mount-roraima-tepuy-roraima/

P.S.1 Não, eu não encontrei o comendador, só japas em helicópteros. Não, a novela não foi gravada lá, e sim na chapada diamantina. A topografia e a geologia do monte é totalmente diferente de qualquer coisa que você tenha visto ou imaginado, parece que estamos entrando na lua ou marte enfim. Não há diamantes rosas, mas há muitos cristais brancos e transparentes, eles brotam da terra, formam rios, além do jacuzzi! A coisa mais linda! Confira nas fotos!

P.S.2 Para os que desejam, fui com a operadora Araguato Expeditions http://www.araguato.org/ indicada pelo Lonely Planet e Rough Guides eles utilizam os serviços de tour dos Backpackers.

P.S.3 Minha tia me questionou sobre os mini sapinhos… sim eles existem! E são muito pequenos e ficam camuflados na rocha preta, em razão de serem pretos também, todo o cuidado é pouco para não pisar neles, e não são venenosos rsrsrs

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P.S.4 O hostel que fiquei em Santa Elena é Los Pinos, o dono é um alemão, então da para imaginar o capricho!

Você é Dirtbag? Um crescente movimento social

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Um termo que vem assumindo espaço ultimamente, mas que ainda não é bem traduzido para o português: o Dirtbag. O que vem a ser isso?

Bom em 2014 realizei minha segunda trilha em menos de um ano, totalmente autossuficiente e completamente no meio da natureza, com infraestrutura zero. Isso significa sem toilettes, banhos apenas em córregos ou cascatas, o pouso sob a luz do luar e no caso de eletricidade, rede de telefonia ou wifi, nem sonhe.

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Então, antes de eu entrar em detalhes sobre Dirtbags , quero explicar um fenômeno que vejo crescer. Como qualquer grande movimento social, que sempre esteve lá à beira da sociedade. O movimento falo que vou chamar Dirtbaggery, ou como indivíduos, Dirtbags. Definidos no Urban Dictionary como:

Uma pessoa que está empenhada em um determinado (geralmente extremo) estilo de vida, a ponto de abandonar o emprego e outras normas sociais, a fim de perseguir esse estilo de vida. Dirtbags podem ser distinguidos dos hippies pelo fato de que dirtbags tem uma razão específica para a sua vida; dirtbags buscam gastar todos os seus momentos perseguindo seu estilo de vida.

Um empreendimento puramente egoísta, você pode pensar. Não é assim, e eu vou te dizer o porquê. Estes amantes da interminável trilhas de pista simples, de picos de grande altitude, e de sentir o sol em sua pele suada está apenas escolhendo uma vida diferente, não um egoísta, mas candidatos de novos filósofos do nosso tempo.

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Criatividade nasce de um espírito livre e ironicamente estes indivíduos são altamente criativos. Seu tipo de criatividade não pode se conformar com um trabalho moderno ou uma vida monótona. Na sua essência, a vida de um dirtbag é como uma jornada espiritual. Ela busca uma conexão, uma fusão com o exterior e com as mais profundas partes mais poderosas da natureza. A idéia da morte não abranda a busca de um dirtbag, e sim o alimenta. A vida sem viver a sua paixão é na realidade a verdadeira morte.

O que faz de alguém um Dirtbag?

Os principais pontos são:

-A falta de emprego “normal”, ou completa falta de trabalho

-Habitação alternativa

-Mudança de hábitos de mobilidade

-Escolha desse estilo de vida, a fim de gastar mais, ou todo o seu tempo perseguindo sua atividade ao ar livre

-Um extremo (de acordo com as normas sociais) compromisso com a sua perseguição ao ar livre de escolha

Não é necessário, mas comuns traços :

-Extraordinariamente talentoso em seu esporte

-Propensão espiritual para se conectar com outros dirtbags

-Atlético

-Adota visões sociais únicas

-Se eles são empregados são trabalhadores por conta própria ou trabalham em empregos que lhes permitem tempo para o seu estilo de vida escolhido.

-Muitas vezes se tornam mestres em seu esporte / estilo de vida.

-Muitos dos melhores montanhistas, corredores de trail e esquiadores foram ou são dirtbags.

-Não costumam tomar banhos regulares ou seguir outros procedimentos higiênicos normais, enquanto pelo menos estão nas montanhas.

Dirtbags, são os indivíduos que optam por gastar seu tempo em explorar o exterior. Dirtbags vivem o momento presente e encontram formas de passar a maioria dos dias fazendo o que ama. Dirtbags podem ter empregos, e se eles o fazem, o projetam para maximizar o seu tempo ao ar livre.

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Você se identifica?

Eu talvez esteja apenas em um modo de transição, que venho aderindo aos poucos. Acredito que depois de mais e mais aventuras vou aprender sobre essa essência. Mas não sou suspeita em falar que abrir mão de certos benefícios, às vezes, vale muito a pena. Porém, nem todo mundo vai entender este estilo de vida, e isso é OK.

Fonte: Candice Burt

Ferrovia do Trigo EF-491 Rio Grande do Sul

Bom dia aventureiros!

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A Ferrovia do Trigo foi inaugurada em 1978 pelo presidente Ernesto Geisel, e tinha uma linha regular de trem de passageiros entre Passo Fundo e Porto Alegre. A viagem era uma atração turística, pois o trem furava montanhas e saltava vales e canhadas da estrada de ferro, que possui 26 pontes e viadutos e 34 túneis. Desses, 21 estão entre Guaporé e Muçum – sendo que, neste trecho, está o Número 13, também conhecido como Viaduto do Exército. Com 509 metros de comprimento e 143 metros de altura, sendo o maior viaduto ferroviário da América Latina, e um dos mais altos do mundo.

Em janeiro desse ano (2014), realizei na companhia de uma amiga a travessia da ferrovia entre Guaporé (km61) e Muçum (km13), 48 km de distância de caminhada pelos trilhos, uma vez que o trem de passageiros foi desativado nos anos 80. Hoje em dia apenas circula trens de carga, a responsável pela via é a concessionária ALL. Legalmente é proibido circular pelos trilhos, mesmo assim pelo trajeto encontramos outros trilheiros em sentido contrário, bem como banhistas pelas cachoeiras e rapeleiros nas pontes. Talvez tenha se tornado um santuário para os apaixonados por aventura. E sim, encontramos um trem pelo caminho (ou ele nos encontrou)!

Nós partimos cedo de Porto Alegre em direção à Muçum e lá estacionamos o carro em frente à rodoviária localizada na praça central ao lado da igreja matriz. Compramos o bilhete na hora e pegamos o ônibus Expresso Azul às 8h30 em direção a Guaporé com duração de aproximadamente 30min. Pedimos ao motorista para descer próximo à BR, pois a mesma é paralela a via férrea e de lá já avistávamos os trilhos.

Quando você se insere na faixa de domínio percebe o descaso pela manutenção, as antigas estações estão depredadas ou invadidas. O único sinal de sobrevivência que encontramos pelo caminho foi no km 22, aproximadamente metade do caminho, o camping Recanto da Ferrovia, comandada pelo Clair. Uma ótima pessoa que te recebe super bem! Ele vive no local e graças a ele a ferrovia ainda tem vida. Foi lá que dormimos, na época ele tinha apenas duas camas, ele possui espaço para quem acampa e atualmente ele vem construindo e ampliando o camping. Sob o domínio das terras dele foi construído o viaduto pesseguinho. Achei super engraçado (ou desgraçado), ele contar que o viaduto é dele, uma vez que a desapropriação nunca foi feita! Pelo menos hoje em dia ele consegue ter um retorno, ao menos turístico, com a existência dos trilhos. No camping também tem uma cachoeira (mini praia) em meio à floresta que dá para curtir e relaxar no fim do primeiro dia de trilha. Aproveite que o Clair tem água para vender e se reabasteça BEM, pois depois disso vai ser complicado encontrar água inclusive não potável.

Existem outras duas cachoeiras para aproveitar para um banho entre os trilhos, a primeira: véu da noiva, e a segunda: garganta do diabo, que é uma passagem de drenagem por baixo do aterro (observar os mapas). Ambas cachoeiras são facilmente localizadas pelo barulho da água, mas estão localizadas no primeiro trecho da trilha, antes do pesseguinho. O primeiro trecho é mais denotado por túneis, era o que salvava a gente do calor, pois o frescor nos aliviava dos 40ºC do verão da serra. E um dos pontos ápices o viaduto Mula-Preta, o primeiro viaduto sem fundo (sem assentamento dos dormentes), com aproximadamente 100m de altura te dá arrepios, pois se vê totalmente o fundo quando o atravessa. Dica, olhe apenas para onde pisa, pois dá uma bela de uma tonteada quando começa a se observar o fundo!  É respirar fundo e curtir o vale. Já pelo segundo trecho se passa por outros dois viadutos sem fundo. Portanto, o mula-preta será apenas o aperitivo.

No segundo dia, encontramos o ápice da trilha. As janelas e o viaduto 13, do qual realizei o rapel negativo de 143m de altura. O restante da trilha se torna um pouco desgastante e é importante estar bem hidratado, esteja munido até o fim.

Nas figuras eu anexei os mapas que eu mesma criei, espero que ajude!

E recomendo a todos esse trajeto incrível que te surpreende a cada obra de arte, principalmente aos engenheiros como eu! Ahhh head-lamp é muito importante para os túneis que são longos, e procure entrar em contato com o Clair antes de ir!

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Uma singela homenagem ao meu pai que é original dessa região e torcedor dos Fortes Livres de Muçum.

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Trilha Inca – Inka Trail

Bom dia aventureiros!

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Para inaugurar este Blog começaremos com uma das minhas maiores aventuras! Senão a maior uma das mais bonitas com certeza!!

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A trilha inca é uma parte dos caminhos incas, que indicam todos os que se direcionavam a Cusco durante o Império Inca. O mais famoso e cobiçado pelos trilheiros, percorrido por mim e então relatado aqui, foi aquele que se encaminhava a Cidade Perdida: Machu Picchu ou então Montanha Velha. Ele inicia no km 82 (margem esquerda do rio Urubamba) e percorre 42km até chegar a porta do sol.

Resolvi encarar esse desafio mais por um prazer visual que qualquer outro. Aconselha-se chegar pelo menos com 2 dias de antecedência à Cusco e permanecer ali até se acostumar com a altitude. Sim, isso é normal, e a ele é dado o nome de “Soroche” ou Mal da Montanha. A trilha não pode ser realizada individualmente e é necessária a contratação de um guia local. Também se aconselha fazer esta reserva com certa antecedência, pois como a procura é alta e os postos são limitados, as vagas se esgotam rapidamente. Confira os guias autorizados e se sua reserva foi realizada com sucesso no site oficial de turismo.

Acabei realizando a trilha de 4 dias, a tradicional. E no 5º dia subi o monte Huayna Picchu (aquele que sempre vemos ao fundo das fotos tradicionais). Durante a trilha existem banheiros e duchas, mas a água é fria (praticamente um desgelo das montanhas), e como a noite esfria muito, aconselho tomar o banho antes que escureça, ou faça como os irlandeses que passaram os 5 dias sem nenhum banho. Se sentires frio, recorra ao chá de coca, eu viciei nele, pois tirava meus enjoos da montanha e ajudava muito a esquentar. Era servido a todo o momento. Como levantávamos muito cedo, e chegávamos bastante cansados, mal anoitecia e o sono dominava no acampamento. Numa das noites resolvi ir ao banheiro de madrugada, e quando olhei para o céu completamente estrelado tive uma das imagens mais lindas da minha vida. Curta cada instante, pois há tempo suficiente para isso. Haverão paradas, momentos para fotos, integração social. Fui sozinha e sai de lá repleta de amigos, o Peru ao meu ver foi super seguro.

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A trilha é muito gostosa, existem os porters que carregam praticamente tudo para você, menos seu equipamento pessoal (saco de dormir, isolante e roupas), de resto: barracas, comidas… tudo com eles. É importante reconhecer o esforço dessa gente e saber que a gorjeta que deixamos ao final é de extrema relevância ao seu trabalho, portanto: guarde uma quantia digna para o grupo de trabalho. Se lhe faltar algo pelo caminho, na primeira metade ainda você encontrará algumas vendas com água e petiscos (pelo dobro do preço). Portanto, planeje-se bem. De qualquer maneira seu guia irá lhe avisar de tudo.

No último dia de trilha, acordamos 3h da manhã para ficar a posto na entrada do parque. Todos querem ser os primeiros a entrar, pois as portas abrem somente as 5h (para os caminhantes), e por volta das 6h é o momento do nascer do sol. Sim somente quem realiza a trilha é abençoado por esse momento. Em razão disso há gente que sai em largada, correndo desesperadamente para terminar cedo a trilha e chegar ao pico para avistar (de uma santa vez) Machu Picchu – sim eu fui uma. Quando você chegar na porta do sol, é então aguardado o amanhecer, um silencio toma conta de todos, o momento tão aguardado quando o sol iluminará perfeitamente a cidade perdida (dependendo do solstício). A luminosidade passa perfeitamente entre as colunas de rocha, famosa porta do sol, e ilumina com perfeição as curvas de Machu Picchu. Incrível e perfeito. Após aquele momento você se sentirá abençoado e entenderá a religiosidade cultivada pelos deuses Incas.

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Aconselho permanecer uma noite no pueblo após a trilha e curtir as águas calientes (entrada custa 10 dolares). Lá encontrei todo mundo que chegava da trilha, foi onde fiz mais amizades, bebendo cerveja nas aguas termais e jogando papo fora! Por isso, deixei Huayna Picchu para o 5º dia antes de retornar a Cusco. Se você é bem treinado consegue fazer a subida em menos de 30 min, apesar de ser calculado 1h. Então curta e faça a volta completa!

A subida e descida de van em Macchu Pichu (pueblo-cidade histórica) custa entre 20-30 doláres, mas também há a possibilidade de se fazer a pé (2hrs). Portanto, se quiseres poupar um pouco.. desça ao menos a pé.

Você pode fazer a ida e volta em trechos fracionados de Cusco a Macchu Pichu, metade ônibus e metade trem (mais rápido), sendo trem até a hidrelétrica ou até Ollanta e o restante em ônibus, consulte guias locais. Mas eu adoro trem e fiz todo trecho no mesmo, por mais demorado, comprei diretamente no PeruRail.

Na volta então voltei com o trem VISTADOME, ele tem janelas panorâmicas e refeições a bordo, a diferença de preço é pequena, mas ele lhe deixará mais próximo de Cusco, e é mais confortável, uma vez que a viagem é cansativa (os trens vão a 40 km/h), mas não dá para negar que o visual do vale e do rio são incríveis! Sim vale a pena!!
E não se preocupe, se você não fala espanhol muito bem, os peruanos são tão agradecidos por sua presença, e tão felizes por sua visita que tratam de entender seu portunhol e ainda lhe elogiam por ele. E ainda querem aulas de português!

Todo mundo respeita o tempo do outro, portanto não se preocupe, é turismo não competição. Aproveite para conhecer também Cusco e Lima! Em Cusco há o city tour histórico, faça, ele te leva até as comunidades protegidas vizinhas. E quando estive em Lima, fui inclusive a Paracas (ida e volta no mesmo dia), sensacional!

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O aeroporto de Lima possui muitos vôos inclusive diretos pela Avianca para o Brasil. Consulte tanto pelo site da Taca quanto pelo da Avianca que às vezes possuem preços diferenciados e é o mesmo serviço. Existem passagem multicidades que te permite permanecer na conexão por certo tempo. Parei em Lima e fiquei lá 4 dias, pelo mesmo preço da passagem. Vale muito a pena, procure um hostel no bairro Miraflores. Eu fiquei no Dragonfly, eles possuem até a cerveja artesanal deles! Os BRTs funcionam muito bem lá, e eles chamam de metro e te levam até o centro com segurança, fora isso existe umas mini-kombi estranhissimas mas que funcionam bem dentro do bairro.

Experimente Inca Kola, eu adoro! E Pisco Sour também. Cuy são os porquinhos da índia e é um prato tradicional por lá.

Confira mais fotos no link:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.337178603135459.1073741832.328355864017733&type=3&uploaded=74

E a versão inglês em:

https://rxplorer.wordpress.com/2014/12/04/inka-trail-english-version