Relato Indomit Pedra do Baú

Pedra do Baú

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Recebi da organização Indomit a oportunidade de conhecer um pedaço da Serra Mantiqueira.  Neste último fim de semana do dia 1/04 estive conhecendo a cidade de São Bento e a Pedra do Baú. Minha segunda visita na Serra, que se assemelha muito com a Gaúcha.

Tenho a dizer que a organização foi excelente, uma vez que conseguem reunir sempre pessoas tops. Fui sozinha do RS e maravilhosamente recebida. Encontrei o amigo Valmir de MG e conheci a embaixadora Cissa, pessoas sensacionais que me acompanharam nessa empreitada. Fora os amigos de SP que me receberam (de coração): Marco Fabio, os fotógrafos Ney e Wladmir, e minha assessoria Upfit, mais a galera da Bronet/Osprey – todos não mediram esforços. Ah tenho uns fãs perdidos também; é tanta gente para admirarem, escolheram a mim, então poupo nomes rsrs.

Foi muito legal encontrar igualmente o grupo Sprint de Belém, imaginem dois extremos do Brasil em uma amizade já de longo prazo; fico muito feliz em contar.

Decidi em função de algumas provas longas, que ainda tenho pela frente, apenas enfrentar os 35K, que para mim seriam como um treino. Eu estava pela curtição, confesso. Acreditem que, mesmo assim, esses 35K me resultaram em um acúmulo positivo de 1900 metros (que treino hein), e arranhei ainda meu primeiro troféu dos 30 anos. Foi trabalhoso. Deu para acompanhar a 5 colocada geral Denize por bastante tempo e descobrir que ela é minha conterrânea. Essa é a parte que mais gosto das provas, as pessoas que a gente conhece e as amizades que nós criamos.

O pessoal da Osprey também me contatou para testar uma mochila Rev6, e tudo – esse acumulado -me proporciou uma experiência incrível! Alias, assistam lá na página do face: Osprey Brasil o nosso vídeo!

A prova iniciou com uma subida em asfalto, logo entramos em uma estrada de chão mais outra subida infinita de uns 7km (dos 900m aos 1600m). O que mais adorei é que aos invés de cabritos montanheses nós temos vacas Zebu escaladoras, sensacional! — Imagina os cogumelos dessas vacas (é uma piada irônica).

Eu me senti em casa, uma vez que ver as araucárias é como ter um pedaço de mim pelo trajeto. Não tem como negar que os staffs são sempre muito legais. E eu me divirto, pois mesmo indo sozinha as pessoas me conhecem! “Bora gaúcha, vamos Raïssa”. Lá pelo km20 o staff me fala: “passaram perguntando de você”, hehehehe que carinho gente! O povo local inclusive é demais!

O link do meu percurso Strava para quem quiser conferir está em https://www.strava.com/activities/923822251#kudos

Quando terminei a prova ainda tinha o pessoal da Bronet/Osprey aguardando para a avaliação da mochila. A verdinha Rev6.

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E o momento chave da minha prova: minha chegada. Eu fiz um vídeo que conta o ocorrido, claro que quem me conhece sabe; eu faço drama, adoro uma encenação. Gente eu brinco tá, e eu falo desse jeito mesmo, as pessoas se divertem com minha forma “bergamasca” de ser.

Enfim, o percurso é muito bonito de verdade. E eu pretendo voltar para fazer os 50k ano que vem (se me quiserem)  — Juannnn me chama! Daí a gente chega junto de novo: eu nos 50k e você nos 21k, que tal?? Desafio proposto!

Adorei tudo! Obrigada Mantiqueira,  São Bento, paulistas, Indomit!

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Transgrancanaria 2017 – 82k

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“Nossa”, eu inicio por um nossa, porque a prova é divina, é abençoada. Literalmente.

Decidi fazer a prova de 82k em razão dessa por si só já ser muito dura, a de 125km então…

Uma vantagem é que iniciei as 7h da manhã, eu prefiro a que iniciar na madrugada, escolha pessoal. Mas enfim, diante de todas as alternativas, ir até lá é para realizar ou a de 125 ou a de 82, pois são as únicas que passam pelo Roque Nublo, o monumento principal da ilha, uma formação geológica que encanta os nossos olhos a quilômetros.

Quando disse divina, a previsão seria que não se veria o Roque Nublo, pois ele estava encoberto, mas de repente, foi mágico, ele se abriu diante dos nossos olhos e foi maravilhoso!

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A corrida iniciou em Fontanales, logo na saída entramos em um trilha estreita e já peguei “tráfego”, o solo naquela região era úmido e muita lama escorregadia. Descemos até o km 7 na cidade de Vallesecco. Sempre quando entrávamos nas cidadezinhas era um encanto, toda população se mobilizava e gritava “Animo, Animo”; escutei umas 1000 vezes o animo durante a prova, mas nenhuma palavra seria tão bem colocada como essa. Eu sempre sorria ao escutar. Em seguida se desceu ate a cidade de Teror, do qual se iniciaria a primeira subida, seriam 1000m acumulados em menos de 10km. A subida era técnica com algumas escadarias que entrariam em um parque. Ainda fazia frio (largamos com 7 cº) eu não havia tirado meu corta vento e à medida que subíamos o tempo fechava mais e o frio persistia.

O engraçado é que a vegetação muda completamente da base para os topos. No nível do mar era muito desértico com dunas , cactus e pouca vegetação. No alto se via um solo mais úmido, pinheiros, algum tipo de floresta, era uma transformação.

Ao chegarmos em Tejeda o tempo então começou a abrir e ele lá o impetuoso apareceu. O Roque Nublo. Sim: “eu vim te ver”.

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Iniciamos a segunda subida, mais complicadinha – também em uma média de 10%. Ela ia piorando, você via as formações rochosas mas elas nunca chegavam.  Assim aproveitamos o visual com algumas cachoeiras e descidas de rios (que eram raros). O número de turistas aumentava relativamente o que de certa forma complicava um pouco. Claro que o povo é educado e dava a vez, mas não deixava de ser um “atrolho” de pessoas.

Quando cheguei no Roque Nublo, era uma festa só, muitas pessoas, muita animação, foi como um êxtase. Lá de cima se via inclusive a ilha de Tenerife. Realmente o povo conversava comigo, acho que treinei umas 7 línguas. Até francês eu arranhei; em um momento um sérvio tentava alguma comunicação comigo, uma britânica também ficou muito feliz quando viu e disse “uma mulher!”, um local me acompanhou muito tempo e me dava boas dicas, fiz amizade com um italiano que me convenceu de fazer a Lavaredo, e nossa perdi as contas, foram muitas pessoas que acompanhavam e incentivavam, e era sempre algo relacionado com “vamos pequena”… Essa troca de experiências é que faz ser a corrida o que é. Em 15 horas perdi as contas das amizades que fiz. Deu para curtir! Muito!

Depois do Roque Nublo se passou por uma primeira barragem (ao meu ver lindo), e o posto de Garañon onde o abastecimento era bem forte, ali eram entregues as bolsas e o pessoal realmente parava e tomava seu tempo. Eu continuei com destino ao ponto mais alto da ilha: Pico de las Nieves com quase 2000m, dali as más línguas diziam que seria somente descida (mentira). Porém as descidas realmente eram longas, pesadas e duras, meu quadríceps travou, pois além de muito técnico, com pedras soltas, trilhas coloniais, não te deixavam desenvolver muito. O jeito era ir travando. Ainda se encontrou mais algumas subidas, o dia escureceu e cheguei na segunda barragem (mais linda ainda). Dali teríamos só mais 18km. Sim o cansaço pesa, as pernas pesam, a noite complica. Mais uma última subida e caímos dentro um vale. Os últimos 10km acreditem foi dentro de um rio. Um rio seco. Eram só cascalhos, mas a noite era muito difícil correr. Vi muitos tropeçaram e beijarem o chão. Decidi caminhar. Não faltava muito, mas o vale continuava sempre fechado, e não terminava nunca. De repente você vê as luzes da cidade e uma placa: faltam 5km para a meta, é uma injeção de adrenalina. Voltei a correr e até o final a intenção era única. Cruzar a linha. Realmente é divino! Na chegada você acaba vendo todos que conversaram e correram contigo, e a emoção é imensa. Só devo agradecer. Foi uma das provas mais lindas que já fiz. Uma prova realmente TOP. Se eu aconselho? Eu mesma quero voltar para os 125k!

Fechei a prova com 15h45´, até abaixo das minhas expectativas.

Falando em 125k, o nosso colega brasileiro Chico Santos, que ficou entre os primeiros colocados sendo fotografado pelo ilustríssimo Ian Corless (um dia eu chego lá).

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Outro ponto muito favorável é que com uma inscrição de 120 euros a gente ganha MUITA coisa e muita coisa boa.

Também como engenheira sanitária/hidráulica fiquei encantada com as obras de engenharia, pois como citado a região é desértica portanto o aproveitamento de água é máximo. Passamos por duas barragens com lagos enormes. Em uma a adutora atravessava o vale com algo em torno de DN1200 (diâmetro da tubulação).


Há também, muito aproveitamento para irrigação, se via tubulações o tempo inteiro, puxa daqui e leva para lá. Também bacias dissipadoras de chuva (pois dizem que as tormentas são poucas mas são fortes), fora que tivemos que correr os últimos 10km dentro do leito seco do rio em meio a cascalhos encaixado no vale. Isso para mim é além de corrida.

A geologia da região também é fora de sério!

Só uma coisa. É apaixonante. Obrigada Espanha, obrigada Canárias.

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Agradecimento especial ao meu treinador Sidney Togumi e equipe UPFIT

Ao funcional da Converge

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Report Desafio das Serras 2016

 

Desafio das serras. Uma prova dividida em dois dias, com dois perfis bastante diferentes. Inscrevi-me para o percurso longo que contava com duas provas de 40k em cada dia, totalizando 80k. No primeiro dia, prova bastante técnica onde enfrentamos trilhas fechadas e muitas subidas com acumulado positivo de 2.500m resultando em um percentual de 6,25%. No segundo dia, basicamente com decidas, em estradas na sua maioria, algumas trilhas mais abertas, porém ainda com acumulado positivo de 1.200m.

Ironicamente eu fui muito melhor no 2o dia mesmo com o desgaste de 9h do primeiro dia.

Bom o que relatar sobre a prova? Iniciamos os primeiros 9km subindo desde SFX até a Pedra da Onça divisa com MG. Nesses primeiros 9km nosso desnível foi em torno de 1.100m, numa tacada única. Entramos na trilha do Jorge já em Monte Verde – MG, em um bate e volta de em torno 8km, regressando até a Pedra da Onça, do qual aí sim subimos até seu mirante. Da mesma corremos mantendo o filo da montanha, em alguns sobes e desces fomos até a pedra partida onde havia uma corda para o seu pico. Dali eu consegui me perder! Encontrei uns meninos correndo no sentido contrário e por sorte eles me indicaram o lado correto. A pedra partida fechou o km20 do primeiro dia.

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Com mais 3km de descidas chegamos ao starbar, com direito a sessão de fotos (rsrsrsrs o fotógrafo fez eu voltar umas 3 vezes – a gosto e aprovação minha – para fazer uma sequência de fotos!). Dali então fizemos o ataque ao pico do selado! Naquele momento começou a esfriar e ventar muito, quando notei começou a trovejar! E uma chuva insana começou a cair, quanto mais eu subia mais piorava! Engraçado era a 2.000m de altitude em um frio danado, um bando de cavalos pastando na chuva no meio da trilha (!?!), eu retardada gritava “sai, sai” e o bicho nem bola! Continuando com o assunto da chuva, ao chegar na pedra selada, não satisfeita a chuva se tornou granizo! Eram umas pedras de 3 a 4cm batendo nas costas e naquele chão liso pedindo por um acidente! Ao atingir o pico era eu, o granizo e mais o Staff que estava escondido nas pedras! Ahahah super legal! Ele me convidou para me proteger, mas bem capaz, com apenas um goretex eu tinha de me movimentar para não passar frio. Então era momento de descer para uma trilha recém aberta com rios de granizo correndo peral abaixo! Tombos para que te quero! Eu fiz meu banho de lama terapêutico ali mesmo, e logo em seguida encontrei alguns amigos também empacados na trilha se perguntando como passar por um “túnel de pedras” o Staff só disse, deita e vai de escorregador! Mudou a concepção da prova rsrsrsrsrs! Bom demoramos não sei quanto tempo para descermos aqueles 5km. O mais agonizante é que escutávamos o locutor anunciar as chegadas da prova e nós nem perto! No fim, consegui chegar bem e concluir antes do anoitecer, mas realmente foi um dia bastante tenso! O pessoal dos 20km olhava e se questionava da onde tanta sujeira! Bom a trilha que eles desceram era uma trilha já demarcada diferente da nossa, eu também sou suspeita pois costumo me sujar além do normal. Ao final os meninos que me indicaram o lado correto gritaram: olha a perdida! Eram de uma equipe de reportagem da tv gazeta! Ironicamente a gente acaba fazendo sempre muitas amizades nessas provas! Ao meu ver é um dos maiores benefícios das corrida de montanha, é tanto tempo girando e acompanhando/sendo acompanhado que se torna uma consequência fazer amigos! Nisso também sou suspeita pois converso até com as árvores no meio da prova.

Bom, segundo dia. Dada a largada me sentia muito bem, mais do que eu pudesse imaginar, imprimi um ritmo bom e logo quando começaram as descidas eu via que meu pace mesmo depois de já 50km rodados estava a 5’20! Acabei me encostando em alguns colegas dos quais me mantive por perto até o final da prova. Ganhei até guaraná de um! (Tomar um refrigerante no meio da prova é uma das maiores maravilhas que existem), pelo km20 eu estava com 2h10, excelente tempo. Dali começamos a subir o passo, e em seguida umas trilhas em meio a cachoeiras lindíssimas, o fotógrafo o qual perguntei até me disse: essa é uma das trilhas mais lindas de São Francisco Xavier, realmente impressionante, passado algum tempo eu continuei a desenvolver bem e já nos 10 quilômetros finais quando começaram as descidas finais eu literalmente soltei a banguela, o amigo até perguntou da onde eu tirava gás ainda? Eu estava bem cansada sim, mas sempre gostei de descidas, e sei que é nesse ponto que consigo abrir, tanto que foi assim que passei a menina que tinha chego na minha frente no dia anterior tirando o tempo de vantagem e subindo uma posição. Terminei o segundo dia em 4, e no somatórios dos tempos em 6. Confesso que me surpreendi, pois vinha de duas semanas extremamente gripada com tosse de cachorro a prova inteira. Vinha também de algumas baixas em provas o que vinha afetando meu psicológico. Mas graças a treino, dedicação, trabalho de cabeça e a proteção divina, dessa vez deu certo! Conclui a prova de 80k, 40k sábado com D+2500 e 40k domingo D+1200, em 14h19. E sim, eu cumpri minha meta: me divertir! A gente sofre sim! A gente pensa em atirar a mochila precipício abaixo! A gente pensa que nunca mais vai repetir prova! Mas no fim a gente ama tudo o que faz e quer mais e mais! Termina de lavar os tênis e já começa a projetar o próximo desafio! A vitória é pessoal e não há ninguém que tire esse gosto da gente. Aconselho sim essa prova, mas não adianta achar que não vai sofrer! Eu como gaúcha me surpreendi com a paisagem da região aliás. Nosso Brasil é lindo e merece ser explorado por cada um de nós! E em provas assim visitamos lugares que jamais iríamos! Enjoy it! Nós também temos potencial com serras, morros e montanhas.

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Uma boa semana a todos!

 

Perfis e Percursos:

Review Tênis SLab Speed Salomon

A indagação necessária para se fazer este review foi, entre amigos, discutirmos tênis adaptáveis ao solo encontrado no Brasil. Sim temos um clima úmido com solos férteis que acabam se tornando terrenos escorregadios com muita matéria orgânica, dos quais muitos tênis não se comportam da melhor maneira necessária.

As pessoas tendem a usar o tênis Speed Cross pelo Brasil, pois ele se tornou um padrão pelos seus grips serem adequados na média geral de terrenos, e serem tênis de fácil aquisição com um preço acessível.

Eu entro então para comentar o Salomon Slab Speed, com grips de tênis como SpeedCross que se comportam de maneira eficiente em terrenos macios (softground). O mesmo (SLab Speed) evolução do já Slab FellCross 3 existente.

A diferença essencial está na aderência que o mesmo dá a rochas molhadas e um redesenho no molde. Os tênis Slab são de maneira geral tênis mais minimalistas com drop baixo.

Especificação

Composto sola Premium Wet Traction
4mm sola-drop
Aproximadamente 280g
Cadarço Speed laces
Interior sem costuras
Biqueira

 

Como seria de se esperar de um sapato Salomon S-Lab, é quase impossível encontrarmos falhas na qualidade de construção, sim é um investimento maior, porém um tênis de alta qualidade que vale para se utilizar em provas. Percebe-se o ajuste do tênis muito bom, com alto conforto, o que torna um tênis ideal para se correr rápido em terrenos íngremes e irregulares, o proprio fato do drop ser baixo auxilia na estabilidade destes terrenos o que proporciona segurança e confiança. Nota-se que a Salomon procurou reparar o erro que o grips tinham ao encontrar rochas molhadas, modificou o composto de borracha e agora houve significativa melhora no comportamento do mesmo ao corrermos em superfícies lisas molhadas, não se resbala mais. Do contrário, sente-se uma resistência em superfícies duras e secas, não o recomendando neste caso.

Já para superfícies macias é uma história completamente diferente e a aderência é muito boa. Nota-se que a autolimpeza de lamas presas no grip é surpreendentemente boa também; e mesmo quando presa a quantidade de lama, comparada a outros tênis, ainda é menor.

Sobre o assunto do amortecimento, ele novamente é perfeito para terreno macio, porém duro e desconfortável em trilhas hardpack ou asfalto. Bom, isso tem pouca importância, pois o Speed claramente não se destina a ser utilizado nestas circunstâncias de terrenos duros. Já que desde o princípio buscamos um tênis apropriado para a maioria dos terrenos que encontramos pelo Brasil, com solos moles e úmidos.

Portanto, quando utilizado em condiçoes de terreno macio, íngrime, com velocidade, o Slab Speed é um dos melhores tênis do atual mercado. Tem um melhor composto de borracha para trabalhar com rochas molhadas, e apesar do seu custo de lançamento ser mais elevado, a medida do tempo muitos tênis tendem a obter descontos. Atualmente é a opção escolhida por mim.

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Técnicas mentais para Ultramaratonistas

Correr uma ultramaratona é só se preparar fisicamente? Não mesmo, você também precisa se preparar mentalmente! Não importa o quão duro você possa treinar para a sua ultramaratona, treinamento mental é também importante. Se a sua mente não está preparada para o que está à frente, seu corpo também não vai estar.

Aqui, então, estão algumas técnicas mentais que me ajudam quando a competição começa a pesar. Eu acho que elas se aplicam a qualquer distância, seja no seu primeiro 50K ou a sua enésima 100 milhas. Talvez vocês já empregaram algum destes. Espero, no entanto, que pelo menos um de vocês possa sair com uma nova ideia para o também enfrentamento mental.

Você é sortudo

Começo com esta estratégia, acredito que produz os resultados potentes. Que maravilha é estar correndo no meio dessas montanhas! Não tem seu estimulo? Não é compensador? Quem mais teria aquela visão deslumbrante se não estivesse competindo dentro dessa prova?

Muitas pessoas nunca terão a oportunidade de explorar as remotas montanhas, prados, cumes, e lagos que vemos durante as ultras. Alguns são fisicamente impróprios, outros sobrecarregados com afazeres, trabalhos ou até mesmo sem condições financeiras de estar ali. Então simplesmente eu penso em não desperdiçar essa oportunidade.

Durante seus piores momentos de qualquer ultra, diga a si mesmo estas palavras: “Eu sou sortudo. Eu pago dinheiro para fazer isso. Estou em um dos mais belos lugares do mundo, e eu sou um dos poucos afortunados capaz de experimentar isso “.

Funciona para mim. Principalmente quando deixei de estar presente em outros eventos tão importantes quanto por optar estar ali.

Break Down the Numbers

Olhando para os números durante uma ultra, isso pode fornecer um impulso súbito ou frustração instantânea. Para garantir a primeira opção, eu faço os números se tornarem algo positivo. Eu tento nunca, nunca olhar para um marcador de quilometragem e pensar: “Recém aqui?” É um processo mental que me faz sentir desanimado e cansado. Em vez disso, eu digo: “Só mais 10 quilômetros para o próximo PC!”, Ou “Eu já terminei um terço da corrida!”

Eu quebro a corrida em pedaços gerenciáveis, a fim de olhar para o meu progresso de uma forma positiva. Principalmente por decorar trechos, ou pontos de corte, então penso até o próximo posto.

Recompensa

O exercício físico é toda sobre a recompensa. Eu penso sobre a fatia de melancia esperando por mim no próximo PC ou na  tão sonhada coca-cola. “Apenas 10 mais até chegar para mudar as minhas meias”. Olhando para a frente para a próxima coisa pequena em um longo prazo ajuda a me manter em frente.

Distrair

Quando tudo mais falhar, eu tento esquecer que eu estou correndo. Eu faço muitas das minhas corridas pensando nos sonhos próximos. Se eu não sentir vontade de falar (sozinho), eu canto mentalmente.

Confiança e determinação irá levá-lo longe na vida, especialmente quando você está fora das trilhas. Quando seu corpo está à beira da desistência durante uma corrida desafiadora, sua mente é a única coisa que pode mantê-lo ir. Lembre-se porque você está onde você está, e o que você veio fazer. Lembre-se o quão duro você trabalhou para chegar lá. Agora lembre-se todos aqueles que acreditaram em você. Deixe essa positividade guiá-lo, enchê-lo com confiança, dizer a sua mente o que você pode realmente fazer.

Assim, em sua próxima corrida, quando você estiver sentindo que tudo está contra você, olhe para dentro de si mesmo. Encontre a sua motivação, o que impulsiona você, e deixe levá-lo o resto do caminho.

 

Call for Comments

Eu adoraria ouvir suas respostas deste artigo. Acho que podemos aprendermos uns com os outros. O que funciona para você?

 

Fontes:

http://www.irunfar.com/2010/07/mental-approaches-to-ultramarathons.html

https://www.runtastic.com/blog/en/guest-bloggers/ultra-marathon-mental-training/

Como regular seu relógio Suunto para modalidade de duração econômica de bateria.

A vantagem de alguns relógios para corredores de ultramaratonas é que existem modelos que podem ser regulados para uma duração de 20h, 30h e até 50h. Agora como fazer isso?

Bom, isso é ajustável no modo de intervalo em que os dados são salvos, ou seja, podem ser de 1s em 1s, de 10s em 10s, de 30s em 30s, ou de minuto a minuto.

Com o intervalo mais longo de um minuto a bateria chega a atingir 50h de duração para os modelos PEAK. Então, para se ajustar irei explicar passo a passo para os relógios da marca Suunto. O ajuste se passa através do app Movescount.

Após sincronizar o app com o relógio, deve-se entrar nos modos desportivos

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Dentro desse módulo, você pode configurar todos os esportes para o qual se utiliza seu relógio, por exemplo, nataçao, trailrunning, indoor. Sendo que cada um lhe proporciona telas de leitura diferente, pois em cada esporte verificamos diferentes fatores. No caso, do trail running, eu configurei a altimetria tanto ascendente como descendente, um gráfico de perfil do percorrido, etc.

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A partir daí você escolherá o esporte para configurar, sim a economia de bateria pode estar ativa em determinados esportes.

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Resolvi configurar o modo “corrida”.

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Primeiramente ele lhe apresentará as telas a serem configuradas. Adicionei 3 telas ao meu relógio e selecionei o que me agradaria ser apresentado.

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Clicando no “Preferências” localizado no canto superior direito então se editará fatores mais particulares, como o intervalo de gravação de dados (economia da bateria), poderá também se criar atividades novas como Corrida econômica para as provas, Corrida não econômica utilizando intervalo de 1s com a cinta de batimentos…ou quantos modos desportivos lhe convir.

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Pontos ITRA, UTMB, provas qualificatórias. Tire suas dúvidas.

Você houve falar em sorteios para Ultra Trail Mont Blanc, pontuação ITRA, pontuação UTMB e não entende como ocorre muito bem?

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Então vamos tirar algumas dúvidas. Atualmente provas com grande procura requisitam pontos para participar. No caso da prova UTMB, nesta necessários 9 pontos em 3 provas realizadas nos últimos dois anos correntes, ou seja, a partir de janeiro até dezembro, momento do sorteio. Sim, além dos pontos você também irá a sorteio.
Caso você não possua todos esses pontos poderá então escolher as provas secundárias TDS ou CCC com 3 pontos ou OCC com apenas 1. As próprias provas CCC e TDS lhe darão pontos para o ano seguinte caso queira arriscar a principal UTMB.

Como são as provas? Clique nesse link  http://www.ultratrailmb.com/en/page/104/The%205%20races.html
E dê uma olhada sobre cada uma, quilometragem, perfil e dificuldade.

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Number of points necessary for the 2016 registration

To register for the 2016 UTMB®, it is necessary to acquire a minimum of 9 points by having finished, between 01/01/2014 and 31/12/2015 exclusively (*), some of the races on this list. The 9 points must be acquired from a maximum of 3 races.

To register for the 2016 CCC®, it is necessary to acquire a minimum of 3 points by having finished, between 01/01/2014 and 31/12/2015 exclusively (*), 1 or 2 races from this list.

To register for the 2016 TDS®, it is necessary to acquire a minimum of 3 points by having finished, between 01/01/2014 and 31/12/2015 exclusively (*),1 or 2 races from this list.

To register for the 2016 OCC, it is necessary to acquire a minimum of 1 point by having finished, between 01/01/2014 and 31/12/2015 exclusively (*),1 race from this list.

(*) 2013 finishers of the UTMB®, CCC® and TDS®, may equally use these races as qualifying races.

 

Mas como funcionam esses pontos?

Bom segundo notas deles o controle é feito através de acesso direto nos resultados das provas, antes de dizermos qual prova que participamos deveremos saber se nosso nome aparece com ortografia correta nos resultados finais da mesma. Será de lá que sairá a verificação da execução e finalização da mesma.

Nota disposta nesse link: http://www.ultratrailmb.com/en/page/17/Qualifying_races.html

Controlling qualifying races

All the qualifying races used by runners to finalize their registration are verified, against the official race results.
The Organization takes in to account each individual’s result (relay or team event included).

The runner must be sure that they appear in the official results for the stated race, and that their first and surnames have the correct spelling.

In the case of an inexact declaration of qualifying races, not conforming to the regulations or untrue, the organization reserves the right to cancel the registration without refunding fees paid and to remove their advantage for the following year (co-efficient 2 or priority) in the case of a negative draw.

Our engagement as organizer is to apply this regulation in a rigorous and identical manner for, without exception, ALL runners and therefore we do not accept any requests for exceptions to this rule.

E como eu sei quais provas pontuam e quais os pontos de cada uma?

Bom, através deste site:

http://www.ultratrailmb.com/en/page/87/List%20of%20qualifying%20races.html

La estarão as já validadas dos anos anteriores, às vezes leva um tempo para ser cadastrada no atual ano, mas é possível verificar a pontuação.

Agora como é feita essa pontuação?

Devemos primeiramente nos remeter a alguns termos técnicos.

Em primeiro lugar, na França, eles se baseiam para qualquer prova em termos de desnível positivo acumulado (D+), ou seja, ao ler sobre uma prova nos Alpes você lerá nestes termos. Então, sobre o ganho de elevação, este corresponde ao somatório das diversas subidas. Há subidas e a uma recuperação em decidas, mas estas não são contabilizadas.

Há um cálculo e ele funciona dessa forma.

Digamos que você corra uma prova de 80km e ele possua 4000m de desnível positivo acumulado.

O cálculo será: 80 + 4000/100 = 120

Assim:

1 ponto para soma entre 65 – 89

2 pontos para soma entre 90 – 129

3 pontos para soma entre 130 – 179

4 pontos para maior soma

Portanto tal prova valerá 2 pontos.

A UTMB ainda mantém esse cálculo de pontuação pelo menos até o sorteio do final desse ano. Portanto sem stress por hora.

O ITRA já está usando uma nova pontuação que no caso é um adicional de 2 pontos ao antigo método. Ou seja, essa prova do nosso exemplo segundo UTMB vale 2 pontos e segundo ITRA já valerá 4.

Até agora só vi pedirem ITRA para um amigo que foi se inscrever nos 160K do Endurance Challenge Chile, e pediram também para ele 9 pontos, porém 9 pontos ITRA.

Os pontos ITRA podem ser vistos nesse link

http://www.i-tra.org/page/308/List_by_continent.html

Nesse link você poderá conferir quando ocorre cada prova é uma agenda internacional de provas validadas pelo ITRA.

http://www.i-tra.org/page/290/Agenda.html

Você ainda pode seguir o ITRA no Facebook e acompanhar as publicações deles. Toda semana eles divulgam as provas que ocorrerão no período.

Ta mas eu não entendi.. qual a diferença de pontuação ITRA e UTMB? Nenhuma, só são sistemas diferentes para a mesma coisa. O ITRA está impondo um sistema novo, porém tudo leva tempo para transformações, a UTMB ainda mantém o protocolo de pontuação antigo, como previamente explicado, apenas isso.

O detalhe é só não se confundir. Portanto, para a UTMB desse ano, ainda se mantém o sistema antigo. E vamos aguardar essa transformação que o ITRA está colocando diante do cenário.

Já tem os pontos? Agora é acompanhar a galera que entra “em campo” nas datas de 24 a 30 de agosto. A UTMB tem transmissão em tempo real online e pode se conferir tudo pelo site oficial.

Aqui do Sul os representantes para a UTMB 2015 serão: Eduardo Arruda, Gilson Oliveira e Sergei Nitzke, para TDS: Alexandre Cunha, Fernando Moleta e Fabio Tavares já para CCC: Edgar Cardozo. Estamos na torcida.

Após isso a inscrição para o próximo ano ocorrerão nas datas 16 de dezembro até 5 de janeiro. Necessário também para o apply um deposito bancário de 50€, que será devolvido caso não ocorra o sorteio para a prova.

Pre-registration dates

A pre-registration period will open from December, 16th 2015 to January, 5th 2016 during which time all candidates will be able complete their application form, including qualifying courses, for the event of their choice. This form will be validated by the payment of 50€ deposit payable by credit-card (secured on-line payment).

Quer conferir quais suas provas já foram validadas?

Entre no performance index do ITRA e verifique sua pontuação, baste escrever seu sobrenome neste link.

http://www.i-tra.org/page/278/Performance_index.html

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Ainda com dúvidas?

Na próxima data de 2 de agosto o anfitrião brasileiro Sidney Togumi irá realizar uma palestra sobre UTMB e suas experiências da prova.

Um rápido dicionário:

Desnível positivo acumulado; em inglês: cumulative/total elevation gain; em francês: dénivelé positif cumulé.

O ganho de elevação acumulada ou o desnível positivo acumulado representa toda a caminhada árdua necessária para chegar ao destino. Muitas trilhas têm altos e baixos, porem um ganho acumulado representa todos os uphills percorridos. Este valor é muitas vezes um valor estimado. Quando disponível, vai ser utilizado para o relatório do trail. Preste atenção neste número ele é bastante importante.

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Qual prova de Montanha mais difícil do Brasil?

Bom, em menos de um mês, realizei duas provas (não, você não leu errado: EM MENOS DE UM MÊS, DUAS PROVAS), ambas consideradas as mais difíceis do país. São duas corridas muito duras, mas de diferentes maneiras. Então qual escolher se você está na dúvida?
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Morro dos Perdidos

Correr as duas foi uma jogada de risco que fiz, mas quem me conhece sabe que quanto pior é a coisa, mais eu quero.

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Pedra da Mina – Serra Fina

A primeira delas foi a Half Mision Serra Fina, que tem aproximadamente 75km de distância e uns 6.000m de desnível positivo acumulado. Essa prova dá 2 pontos para a Ultra Trail Mont Blanc (UTMB) e/ou 4 pontos para a Internacional Trail Running Association (ITRA). Já a Maratona dos Perdidos tem 44k de distância, 3.000m de desnível positivo acumulado, 1 ponto UTMB e/ou 3 pontos ITRA.Para começar, você deve se basear nos pontos UTMB para cálculo, já que ITRA é um sistema novo e ninguém sabe usar direito. A ideia da ITRA é controlar, de alguma maneira, essas medidas de pontuação, evitando que outras provas continuem se baseando na prova chave do Mont Blanc.

A Half Mision tem, praticamente, o dobro de desgaste da de Perdidos, isso é real. Além de ter o dobro de altimetria acumulada e quase o dobro de distância, também tem um terreno muito mais técnico. São muitas pedras e escarpas numa verdadeira escalada. A quantidade de cordas também é maior e algumas inclinações  quase impossíveis, em pontos singulares, ou seja, travada. Na média geral, talvez a inclinação da prova de Perdidos seja maior, mas é constante e ergonomicamente realizável para a minha estatura de 1,50m, diferente da de Serra Fina, que me pregava peças absurdas.

Ao fim de ambas fiquei completamente enlameada. O solo era o mesmo, de uma consistência péssima, e diante das chuvas que ocorreram previamente pioraram as condições das trilhas. Em Serra Fina, essas trilhas já eram demarcadas e o solo estava mais trabalhado (há muito trekking na região). Já em Perdidos, principalmente na subida do cume de Araçatuba a consistência do solo estava um pouco pior pois se formavam piscinas de lama em extensas dimensões. Muitas das trilhas de Perdidos foram criadas apenas para a prova, eram novas e o solo se comportava como um chiclete, grudava e não queria soltar. Tropecei algumas vezes, em ambas as provas, e minha imagem era deplorável. Em Perdidos cheguei a comer lama, mas um amigo me ajudou a limpar os olhos, pelo menos.

A maior desvantagem de Perdidos é que a prova não tem infraestrutura para funcionar à noite e o tempo total é bastante reduzido. Fiquei com um grupo em que todos tinham chegado no ponto de corte do km 23 com 4h30min (que era de 5h), saímos e fomos cortados todos juntos a 2km do final. Os que passaram após as 4h10min do km23 estouraram o tempo de prova das 10h. E é aí que está a dificuldade deles (Perdidos): o tempo. Pelo que notei, apenas 9 das 22 mulheres concluíram. Na minha categoria haviam 3 e nenhuma completou. Aí você faz toda uma prova e é desclassificado por estourar o tempo limite. Parece que a prova não te incentiva a querer terminá-la, só te desafia para tal.

Então, por que o corte no km 42? Segundo eles, por uma medida de segurança. Inscreveram quatrocentas pessoas para correr a prova de 13k, que patrolaram esses quilômetros finais e a piscina de lama virou spa. Tive amigos que realizaram esse trecho em 25 minutos outros em 1h20. Bom, o último teve 50 câimbras, o que foi um caso extremo. A questão é que me prenderam ali e demoraram quarenta minutos para me buscar. Já anoitecia, esfriava bruscamente, comecei a ter hipotermia e pressão baixa aguardando o tal resgate que não vinha nunca (em 2 quilômetros de distância). Não era tempo suficiente para completar a prova nesses minutos aguardando resgate? Não sei se era receio deles porque anoitecia, mas um amigo que estava 5 minutos na minha frente e conseguiu ir adiante, confessou que se arrependeu por ter seguido. Ele completou a prova com 11h20 e disse que se machucou muito no trecho, pois começou a anoitecer e a dificuldade aumentou muito. Todos os tempos finais aumentaram em relação à prova de 2014 e não sei se esperavam que ocorressem retardatários, mas esse corte final não constava no regulamento e foi uma surpresa para nós. Independente de classificação, às vezes só cruzar a linha de chegada satisfaz o esforço da pessoa, o que é o meu caso. Existem provas que querem que você faça isso, lhe auxilia, principalmente quando o clima causa adversidades. Bem, eu fiquei decepcionada por chegar tão perto e ali, na reta final, e ser surpreendida com um novo planejamento. O pior foi ver um menino que estava passando mal e vomitando, aguardando pelo resgate há 2 horas, uma vez que realizariam um resgate econômico, em que buscariam todo mundo junto. E quando finalmente o levaram, a ambulância estava indo embora.

Tudo bem, estourei o tempo prova, culpa minha, talvez eu tenha tido a audácia de no meu primeiro ano de provas de montanha tentar realizar as duas mais difíceis no período de um mês. E Perdidos é uma prova direcionada a pessoas com um preparo extremamente alto por esses tempos muito curtos. Terminar é possível, acredite, mas com um limite de tempo extremo. Conclusão: preparo direcionado.

Para Serra Fina, o povo tinha o mesmo objetivo: completar o desafio, indiferente a pódio, resultados, tempo…a alegria era contagiante, os staffs estavam um pouco perdidos, mas foram sempre queridos, atentos, verdadeiros parceiros. Aqueles que não concluíram Serra Fina foram, basicamente, por escolha pessoal. Já o clima de Perdidos era de algo “elite”; as pessoas que concluíram eram todas reconhecidas no cenário nacional, mas a rapa do corte foi um grupo excelente com os quais dividi 5h de bela companhia! Obrigado, galera. Sei que ali muitos irão a Mont Blanc esse ano, portanto são pessoas também muito capacitadas.

O mais engraçado foi escutar de um corredor que eu deveria ter treinado mais, enquanto que ele nem vestiu os tênis e entrou na prova já estando lá com inscrição feita.

Para terminar o desfecho, Perdidos anunciou uma promoção chamada: “Superando limites” e eu me inscrevi. Em uma semana estamparam minha foto no Facebook escrito: Parabéns Raissa, iremos te entrevistar durante a prova, e você irá aparecer no Globo Esporte! Nossa, minha emoção foi imensa! Todos os meus amigos viram e comentaram! Alguns dias se passaram e ninguém entrou em contato comigo, pois então eu fui procurar… Recebi uma desculpa esfarrapada do repórter, que me passou uma bela conversa. Ok, deixei por isso mesmo. Agora, me pergunte se no dia da prova alguém veio conversar? Justificar, dar alguma explicação ‘olha não vai rolar’, etc.., que nada, nem meu contato eles se importaram em pegar. Então, porque veicular minha foto para todo o Brasil ver e fazer isso? Realmente, o conjunto de fatores da TRC me deixou decepcionada e ofendida. Planeje um bom corte, algo viável para escape ao km23, dê valor também a nós, que colaboramos para que a prova ocorra. Não somos elite, mas ajudamos o esporte a crescer e ter reconhecimento.

O objetivo dos “loucos” é, simplesmente, completar uma prova e nada a mais. Cortar esse objetivo a 2km do final foi um choque, um banho de água fria. A filosofia foi diferente de todas provas das quais eu havia participado até então. Concluí que, sim, são provas com objetivos diferentes. Serra Fina é organizada por argentinos, e o lema deles é ter a “Misión Cumplida”, há tempo para isso. O tempo limite esse ano de Serra Fina era de 28h e eles abriram 2h a mais e receberam pessoas com até 30h, visto as intempéries do clima. Em Perdidos tivemos mais oportunidades para desenvolver a corrida, porém com o tempo bastante apertado, a prova se torna quase exclusiva para pessoas de superpreparo. Eu sei que ainda sou uma mulher normal, vim com uma carga da prova prévia, mas me senti de objetivo cumprido apesar do corte a 2km da chegada. Provavelmente eu fecharia a prova com 11h e o tempo limite era 10h. Também houve tempos maiores em 2015 do que nos anos prévios, novamente gerados pelo clima, mas não houve folga, nem uma gordurinha. Um amigo tinha fechado 2014 com 9h e esse ano fechou a 40 segundos das 10h limite. Já uma menina fez 8h40 em 2014, e esse ano completou com quase 10h.

Em compensação tive oportunidade de estar em todos os picos e ter vistas incríveis.

Sobre o visual, ambas são lindas. Araçatuba, com 1650m (Perdidos), te dá um visual pleno daqueles cumes que não chegam nunca. É um pico atrás do outro e, quando você pensa que chegou, ainda falta altimetria a ser atingida. Um sentimento parecido com do O’Connor da Argentina. Quando finalmente vimos um pico exuberante que chamava bastante atenção, os cálculos não negavam, era lá, e os meninos há horas já expressavam um “não acredito”.

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Morro Araçatuba

Já Pedra da Mina com 2800m (Serra Fina), é considerada a 4ª maior montanha do Brasil, também com 360º de visão. De lá você vê, inclusive, a Serra do Mar e o estonteante Pico dos Marins. Há também um livro de cume que você pode assinar, como se fosse um livro de presença. Tive a sorte de presenciar o pôr-do-sol de lá, imagem que vou guardar para a vida.

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Pedra da Mina

Sobre as marcações, as duas foram boas, mas a gente sempre acha uma falha e sabe de histórias de pessoas que se perderam. Senti-me confusa em alguns trechos de ambas as provas, mas consegui tomar a decisão certa, tudo devido ao estudo prévio. Acredite, é importante estudar os trechos antes da corrida.Ainda sobre a TRC em maio desse ano: eles promoveram o Endurance Challenge por aqui. Bem, as inscrições estavam encerradas e nem havia percurso/altimetria publicado. Um mês antes, a prova que se chamaria Agulhas Negras e que estava sendo vendida desde dezembro como tal, não seria realizada  em Agulhas Negras. E com uma mudança de trajeto, conseguiram cortar 200 pessoas em 20km de prova. Não realizei a prova, apenas fiquei sabendo dos ocorridos.

O La Mision Argentina, que já participei, é promovido pela mesma organização de Serra Fina. De modo geral, é uma prova bastante simples e te propõe uma autossuficiência, o que gera uma base incrível para corridas de montanha.

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Cerro Colorado – Vila la Angostura – La Mision Argentina

Chile e Argentina têm essa cultura há tempos, nas provas de lá não há espaço para erros. Nós ainda estamos caminhando e desenvolvendo, isso leva tempo. Sem críticas, pois cada um tem seu estilo, que nem sempre agrada a todos. Importante é se sentir bem.E sobre realizar as duas juntamente, não sei se é uma boa ideia, só se as datas mudarem. Tive um “fartão” depois dessas provas que nem sei quando vai ser meu próximo desafio.

De modo geral, o que mais gosto nessas provas são as amizades que faço. Às vezes, você fica horas correndo com as mesmas pessoas e, no fim, parece que você os conhece há anos. Em Perdidos, passei horas com um mesmo grupo, todos muito guerreiros lutando pelo corte. Posso dizer que fomos campeões também, porque ninguém se deu por vencido e lutou até o último segundo. Parabéns para nós!

Por fim, algumas provas sabem mexer muito bem com o marketing diferente de outras, não se deixe levar, busque e converse com pessoas que já realizaram tais provas. Há algumas que não são tão divulgadas mas te dão prazer muito maior do que outras que tem por trás grandes marcas.

Aos que não sabem, comecei com as ultras esse ano, e a lição aprendida foi: dê tempo ao tempo, sem ansiedade. O tempo ideal entre essas provas é de no mínimo, 3 meses. Ainda não sei como meus joelhos estão bem. Mas eles estão ótimos, acredite!

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Maratona dos Perdidos

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Pedra da Mina – Serra Fina

Relato Half Mision Brasil

O que dizer do Half Mision Brasil? Prova dura, duríssima. Corro há uns 10 anos e nunca tinha me emocionado ao completar uma prova. Nem quando realizei minha primeira maratona ou primeira ultra ou quando voltei da lesão do joelho. Nada fez eu me emocionar como nesse final de semana. Chorei por uma vitória do corpo e da alma, transcendi. Talvez seja exagero, mas vencer a si mesmo é uma das maiores felicidades que conseguimos assumir em vida. Infelizmente a prova pecou em alguns sentidos, mas mesmo assim nada abalou, não a mim.

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Largamos com um percurso em mente e no fim por alguma distração dos staff realizamos outro, o que colocou meu planejamento de água literalmente na catástrofe. Isso ocorre pois é uma prova de semi-suficiência e temos que administrar tudo que necessitamos como a coleta de água nos córregos, alimentos, etc. Tudo deve ser bem planejado para poupar peso. E com a mudança brusca de trajeto, descoberta durante a corrida, não me duraria água a partir da bifurcação modificada. Poupei o máximo possível e por sorte do clima fresco consegui fazer durar o máximo possível.
Enfim, largamos sentindo Refúgio por uma estrada de chão por 12k até entrar no parque, a partir dali subimos o parque do refúgio Serra Fina em meio a um bosque e um digno lamaçal. Havia chovido muito nos dias anteriores então atrito definitivamente não teríamos pela frente. Já no bosque se iniciou as dificuldades, pois as trilhas começaram a trancar e a galera patinava ao subir. Presenciei alguns strikes. Desde ali notamos que os pés ficariam encharcados toda prova. Meus pés terminaram destruídos.

Mais em frente chegávamos ao capim amarelo com algumas cordas para “escalarmos”. Essa coisa de corda definitivamente não é a minha praia. Subir não era tanto o problemas mas mais pela frente eu saberia que teria que descer…
Então no pico do capim amarelo finalmente vimos o famoso capim amarelo, oh praga! Elevava todo lençol freático e transformava o solo num banhado. Era um banho de lama e obviamente depois de alguns tropeços eu virei marrom de sujeira, uma hora não vi um buraco e fui totalmente engolida. A trilha continuava em meio dele como um labirinto, era tão alto que eu ficava totalmente tapada, era uma caça às bruxas, e encontrar o trajeto manuseando o capim era corte das mãos na certa, portanto eu parecia uma cega tateando a trilha com os trekking poles. Baixei o ritmo e comecei a ter atenção na trilha, lama, capim, marcações…muita concentração. A partir da travessia da serra ainda se via gente, juntei-me a uma série de pessoas, conversávamos, trocávamos experiências, fotos, clima extremamente gostoso e que vista! Estou até agora tentando descobrir quem eram aliás. Notei que algumas pessoas retornavam naquele momento, eram do trajeto dos 40K que haviam entrado na nossa rota e errado caminho, que pecado!

Perto das 17h percebi que estava próxima do pico da pedra da mina e iria conseguir realizar o desejo de ver o pôr do sol lá do alto aos 2.800m, 4a montanha mais alta do Brasil!
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Alimentei-me, abasteci-me e segui ao ataque da montanha. Não podia ser mais perfeito, cheguei lá em cima bem no momento onde o sol coloria o céu!

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Assinei o caderno do cume registrei mais alguns momentos.

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Continuei seguindo a descida brusca até o paiolinho, já partir dali sozinha, estava bem e extremamente empolgada, acelerei meu pace e ritmo caindo mais uns bons tombos. Encontrei muitas pedras soltas, grandes, inclinadas, beiral abaixo e imaginava se eu conseguiria subir aquilo no sentido inverso, mal imaginava o que viria pela frente.

Chegando ao paiolinho encontrei muitas pessoas, tomei alguns sustos com as fotos no escuro, socializei com alguns dogs, eram 11h de prova e 32k percorridos, deu para se abastecer, relaxar e seguir adiante.

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No trajeto do paiolinho para o Ibama tínhamos outra estrada de terra agradável para corrermos, e segui forte.

Bom estávamos em Minas Gerais no mês de junho no fim de semana de São João. Adivinha? Avistei de longe uma festança! Cavalos estacionados, povo vestido de caipira, música, bebidas, fogos… Já era 23h e a vontade era de parar e ficar por ali mesmo, calibrando, mas me foquei e segui adiante. Passei pelo Ibama e subi a mata sozinha, já um cenário diferente, mata fechada algo um pouco sombrio. De repente vejo ao longe uma luz piscando forte me chamando. Era um grupo de jovens que acampava pela estrada e me auxiliaram indicando a rota. Aplaudiram, elogiaram e deram mais força para prosseguir! Só que me disseram que em 30 minutos encontraria o próximo PC (casa de pedra), encontraria de carro de certo, porque levei 1h30!

Na casa de pedra esperançosa por uma companhia encontrei um cara passando mal e vomitando, triste ilusão, aguardei um pouco e resolvi continuar sozinha seguindo as orientações do staff.
Então até a subida do tijuco preto eu ainda estava muito bem obrigada. As pessoas começaram a desistir em peso desde o paiolinho e Ibama (metade da prova), já que ali era a última saída, ou vai ou racha, e não se via mais uma viva alma por perto. Sim a desistência foi de 40% no geral, no feminino de 50% bem como no nosso grupo de amigos.
Iniciei minha subida, forever alone, realmente complicada mas até ali palpável. O staff da casa de pedra havia me dito, atenção lá em cima as pessoas estão se perdendo e me indicou o que fazer mas parecia uma prova de orientação. Em vista disso acabei perdendo muito tempo em um ponto pois faltavam indicações, eu não sabia para onde ir e o staff do tijuco não estava na sua barraca, eu urrava para as montanhas “alguemmm” e não recebia nem um assobio do vento de volta. Vi uma corda para descer no meio da lama toda embarrada e minhas pernas e mãos pequenas me indicavam suicídio ali, era umas 2h da manhã e pensei em parar e aguardar alguém, mas por sorte outro perdido apareceu do além, ele também não sabia se estava no local correto, sorte minha que já há horas estava aflita, mas teimosa em aguardar. Queria agradecer muito ao Gabriel que me aguentou por muito tempo inclusive quando comecei a pirar. Eu estava delirando tanto que insistia que não queria ir para São Paulo, que eu iria ficar por ali. Bom não tinha para onde voltar, para o meio da montanha novamente!? E sim o filo da montanha era a divisa entre estados, querendo ou não tinha que ir até SP. Ele insistia, vamos Raissa. Crucial, devo a ele também. Quando chegávamos nas pirambeiras, escarpas lisas de 4 metros no meio da lama lisa eu ficava muito agoniada pois era extremamente complicado de subir e descer, se ele alto esguio sofreu imagina o tanquinho aqui. Meus joelhos estão roxos porque minha alternativa era ínfima, eu acabava me agarrando em galhos arrastando o corpo pedra acima, e na maioria das vezes me apoiando nos joelhos. Ainda inseguros do caminho que estávamos seguindo, madrugada a dentro, eu e Gabriel víamos as luzes ao longe dos outros corredores seguindo nossa trilha. O jeito era continuar, se por acaso estivéssemos errados carregaríamos um povo conosco! Que maravilha hein. Sabíamos que deveríamos ir ao capim amarelo e este estava a 2.400m e nós nos encontrávamos a certa altura em 2.200m continuando a descer se iludindo que estávamos seguindo algum filo. Segundo o mapa deveríamos seguir uma mesma cota, mas não, era pirambeira abaixo e acima em várias sequências. Quando chegamos novamente ao capim amarelo, fechando o giro, e eu vi finalmente o staff dei um grito de felicidade, sabíamos que tínhamos ali concluído a prova, por outra benção divina presenciei o nascer do sol de lá.

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A partir daquele momento eram “somente” mais 15k de decidas, com algumas surpresas, mas tudo superável. Até porque depois da conexão do tijuco preto ao capim amarelo no meio da madrugada depois de ter completado 60k com quase 6mil de desnível positivo, eu topava tudo, ou quase tudo. Vieram as cordas novamente mas estas estavam secas e já amanhecia, alivio! Disse ao Gabriel seguir, pois coitado na madrugada correndo com essa louca é demais para uma pessoa. Descida abaixo iniciei um choro de desabafo.
Que experiência!

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Resumindo, ganhei na categoria mas conseguiram dar minha medalha para a pessoa errada, prometeram que iam me enviar por correio (vamos torcer), a foto fizemos com a medalha do master, encontro-me desmedalhada, fazendo a pregação para o santo dos pés e por fim indo lavar muita mas muita roupa! Acredite, é incrível eu sei, mas vale a pena.

Estou procurando o Gabriel Kruschewsky pois devo um agradecimento mais são. Se alguém o conhece, por favor!

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No link, esta disponível o trajeto 3D criado pelo GPS do relógio. Infelizmente configurei errado os dados e ha apenas 60K salvos. Mas com todas montanhas! Confira.

Bom e se você está estudando os tempos, segundo as análises da engenheira aqui, que plotou e fez um cálculo de médias. De 2013 a 2014 os tempos aumentaram em média 3h. E de 2014 a 2015 eles também tiveram um ligeiro aumento em aproximadamente 1h. Ou seja, acredite sempre em murphy, tudo pode piorar.

La Mision – Relato da Prova

Neste último mês de fevereiro estive presente em uma da mais desafiadoras prova da minha vida, senão a mais (até agora). Foram 27 horas non stop em uma prova de semi-suficiência na montanha.

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A prova se chama La Mision é realizada em Vila la Angostura na Patagônia Argentina e tem como desafio a semi-suficiência, ou seja, carregarmos todos nossos equipamentos necessários e obrigatórios além de nossos alimentos e bebidas nessa ultratrail. Para ter uma noção minha mochila pesava em média de 5 a 6kg, dependendo de quanto eu estava carregando de líquidos. Isso porque eu não acampei pois se encontrava mochilas majestosas! Os líquidos eram reabastecidos nos rios, que de desgelo possuíam água potável.

Eu realizei a Half Mision de 80k, mas a prova principal era de 160k. Esta seria minha primeira ultramaratona após uma lesão que tive, portanto comecei com parcimônia!

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O clima estava bastante quente, diferente dos anos anteriores, o ar estava bastante seco e as cinzas vulcânicas estavam bastante dispersas. Ao longo do percurso vi muita gente passando mal, vomitando e desistindo em razão de respirar as cinzas. Uma menina me disse sentir ardência nos olhos já na metade do percurso e logo parou. Não vou negar que isso também tenha me feito um pouco mal, mas meu corpo talvez tenha reagido de uma maneira menos agressiva.
Ao iniciarem a chamada para o check in, na largada, conseguimos entrar rapidamente e nos posicionamos bem em frente! O legal é que aparecemos bastante nas fotos e no vídeo da contagem regressiva.

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Larguei junto com uma amiga que estava fazendo a prova de 160k, e que por sinal era mais forte que eu, mas consegui acompanhá-la nos primeiros quilômetros… quando chegamos ao topo da primeira montanha o Cerro Colorado eu ainda a avistava, mas decidi segurar um pouco o ritmo. Dali comecei a ajustar os equipamentos fazer minha primeira refeição além de  administrar melhor meu tempo, ao fundo se avistava o vulcão Tronador e uma paisagem lindíssima para se curtir uns minutinhos ao menos! Mais uns quilômetros chegavamos ao topo do Cerro Bayo, dali em diante eram só descidas. Quando entramos no bosque, já na base do Bayo, eu encontro um outro amigo meu que me acompanhou por mais alguns quilômetros até o topo do 3 nascientes. Já tinham se passado umas 5h e aproximadamente uns 25km, logo mais ao km 35 separariam os corredores dos 80km e dos 160km, mas até ali aquelas companhias já tinham me ajudado muito e me colocado em um ritmo muito bom.

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Quando separamos entrei no bosque novamente e percebi que de repente a quantidade de pessoas havia diminuído drasticamente, questiono minha posição no posto de controle (PC) e ele me indica que eu estava entre as primeiras posições. De repente eu tiro um gás e aumento meu ritmo até encontrar uma menina que seria a 4 colocada, era uma brasileira! Ela me disse já estar fatigada e que iria parar, insisti um pouco, mas ela já estava decidida, estávamos próximo do 1o posto de abastecimento (Camp), metade do nosso caminho, km43.

Ao chegar logo me disseram que eu estava em 4o e que as 3a e 2a colocadas não estavam longe. Acabei sendo bem rápida para o abastecimento, e enquanto as pessoas chegavam e resolviam deitar, descansar, trocar de roupa…eu segui a diante, “bom vou achá-las”! Era caminho para o monte (segundo eles) mais desafiador: o O’connors, este com maior altimetria acabei sendo avisava que passaria umas 5h sozinha nele, portanto era para me reabastecer bem. Já estava noite e notei dois meninos saindo um pouco à frente de mim, bom não me amedrontei e fui! Sozinha mas fui! Um dos equipamentos obrigatórios era a headlamp que iluminava as marcações como os olhos de gato que te iluminavam a trilha pela noite. Lembro de quando eu subia eu sempre avistava a luz dos meninos um pouco ao longe mas sabia que eles estavam ali… logo quando sai do bosque e olhei para trás vi toda a cidade iluminada, mas a subida mal tinha começado.

Neuquén

Ao subir toda vez que eu erguia a cabeça para procurar a trilha eu via aquela linha de pontos que se confundia com as estrelas, sim eram subidas íngremes que pareciam infinitas…e quando eu achava que tinha superado um pico lá vinha outro escondido atrás. Foram umas 5 vezes que acreditei ter chegado ao topo! Dai eu encontro uma placa! “Jesus te ama” obrigada Jesus então eu já cheguei!? Que nada! Lá vinha outra! Realmente eu demorei umas 3h só para chegar ao topo! Segundo os cálculos então seriam mais umas duas horas para descer. Nisso eu escuto um barulho de rádio, e já era 1h da manhã! Eu sortuda encontrei um controlador no meio da montanha, alguém havia informado que eu estava sozinha e ele então foi patrulhar, desceu comigo por aproximadamente 1h! Foi mais uma das minhas salvações! Conversar com aquela pessoa aquela hora foi maravilhoso! Ele disse que preferiu patrulhar para se manter acordado, além do que as marcações dentro do bosque eram bem mais complicadas de se ver a noite e no fim fiz uma amizade muito boa!
Ele logo me informou ao chegarmos no PC, você é a 3a colocada e a segunda está há uns 30min ela não está bem e você com esse ritmo alcança ela! Quando dizem isso até parece provocação, algo do tipo, corra mais, apesar de já estar 13h correndo, está fácil! Bom passei o resto da madrugada sozinha correndo dentro do bosque, eu só avistava de vez em quando aquela baita lua, minguante, mas enorme, e amarelona! Quando eu achava que estava perdida eu olhava para ela e sabia a direção certa novamente!

A partir daí começou a esfriar, tirei todos os casacos de dentro da mochila, além das luvas e me mantive aquecida até amanhecer! Todo PC que eu passava eu encontrava uma série de pessoas paradas em volta da fogueira, mas parar não era uma opção. Comecei a subir novamente o 3 nascientes e avistei o nascer do dia. As pernas já doíam e eu só pensava em chegar na última montanha para terminar. Quando atingi o Km 70 perguntei ao PC, quantos quilômetros faltam? E ele bem tranquilo me disse “só 12”, ai eu achei que era reta final, e que podia dispender todas minhas energias. Só que não. Quando eu olho eu vejo a última montanha, o famoso Buol. Pra que!? Pensava que só podia ser ignorância dos organizadores aquilo (no bom sentido). Como assim!? Isso não é corrida é escalada! Juro, era uma parede vertical, cheia de pedras soltas, eu nem queria olhar para baixo, minhas pernas estavam travadas, eu tinha quebrado um trekking pole e só tinha me restado o outro. Acabei achando um pau para substituir o segundo e a escalada começou, novamente a cada vez que eu achava que estava chegando, aparecia outra parte escondida dizendo “suba mais”, quando encontrei o PC lá em cima eu pensei, cheguei, mas a inocente sabe nada. Ele me responde “mas un ratito”. Questiono sobre a segunda colocada e ele responde que a segunda era eu! “Quanto mais falta!?” A resposta era foi mais uns 10km. Que!???? Faz mais de uma hora que estou escalando isso!!! Não era possível!!! E enfim continuei escalando! A água tinha terminado, era já meio dia e o calor totalmente escaldante! Pensei naquele momento, por que nenhuma viva alma me contou dessa montanha!? Eu estava já exausta, morrendo de sede e o O’connors parecia carrossel perto daquilo! As pedras continuavam soltas e quando você olhava para as beiradas você via precipícios! Dai pensei: “ah claro agora entendi a função do capacete!”. Claro que isso é uma ironia porque com aquela queda nem se brinca!

Superado o Buol eu via de longe Vila La Angostura, e pessoas!!! Claro estávamos saindo já das montanhas e entrando nos parques, eu continuava a questionar a distância e parecia que ela nunca mudava! Dai a inteligente resolve se perder, nos 5km finais. Pois eu vi alguém se aproximando e não entendia quem era, logo, sem essa pessoa passar por mim eu escuto a sirene tocando… era o vencedor da prova dos 160k, ele chegava junto comigo. Mas espera ai, por onde ele passou? Como ele chegou? Onde eu estava? Perdida claro! Acabei dando um nó nas trilhas e cai na rota do outro lado da montanha, devo ter ganho uns 5km na conta. Se 80k era pouco…bom mas contam as más línguas (outro que se perdeu também) que fomos os únicos a ver uma cachoeira maravilhosa!

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Mas tudo bem quando cheguei meu segundo lugar estava lá me aguardando!!! O intervalo para a terceira era de mais 2h.
Outra vez não nego que me decepcionei na chegada pois achava que por ter me perdido nos quilômetros finais eu seria desclassificada… mas segundo a organização eu tinha passado por todos PC importantes então aquilo não importava.
Há quem questione porque os tempos aumentaram dos outros anos?
Bom eles inverteram a rota e todos tempos sofreram um acréscimo, há quem concorde que o Buol como surpresa final foi o ápice do exaustivo trabalho psicológico ao qual nos submetemos. E uma benção aos tombos na sua descida! Eu não nego que uma hora cai de bunda, sentei olhei para o céu e fiquei viajando…algo do tipo me busquem que daqui não levanto mais!
Mas tudo absolutamente tudo valeu muito a pena, e claro que eu voltarei para os 160k, É CLARO!
Quando eu falo que isso não é só experiência, é vida, é ter histórias para contar, continuam dizendo que não sou muito normal! Mas ao ver essas fotos você também tem vontade de estar lá, você tem!

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